Uma luz no fim do túnel?

Surgem sinais de estabilização. Mesmo com a grande recessão em 2015, sua continuidade em 2016 e um constante aumento nos níveis de desemprego, começam a aparecer no País alguns sinais de estabilização, por meio de índices levantados por várias instituições.

Dentre esses, o Índice Nacional de Confiança do Empresário Industrial, que estava em torno de 36 pontos desde janeiro, subiu para 41 pontos no mês de abril (abaixo de 50 pontos indica desconfiança e acima confiança), diminuindo a desconfiança da indústria no crescimento da economia brasileira.

Também os Índices Nacionais de Expectativa do Consumidor, apesar da alta inflação, desemprego e queda na renda das famílias, mostram melhora na comparação mensal. Embora a maior parte dos consumidores ainda espera aumento da inflação e do desemprego, a quantidade de pessimistas é menor.

Entretanto, qualquer cenário econômico positivo dependerá da capacidade do governo do presidente interino Michel Temer conseguir aprovação de uma agenda mínima no Congresso Nacional nos próximos dois meses. Caso contrário, a falta de confiança voltará a crescer, mantendo baixos os investimentos, alto desemprego e reforço inflacionário.
Alguns passos na direção de se ter um cenário favorável já foram dados, como a montagem de uma equipe econômica com credibilidade junto aos agentes econômicos e à população. Porém, somente esse fato não será suficiente para eliminar as causas que levaram o país estar na situação em que se encontra, com forte processo recessivo.

As medidas que precisam ser tomadas vão, necessariamente, na direção do estabelecimento de novas regras de reajustes na Previdência e no funcionalismo público, implantação de idade mínima para a aposentadoria, redesenho das vinculações orçamentárias da União e nos limites mínimos para algumas despesas (como na educação e na saúde) que, no conjunto, chegam a mais de 90% das receitas totais.

Praticamente, todas as ações que visam medidas visando diminuir e, mesmo eliminar, o déficit público atual dependem do Congresso Nacional para aprovação de novas leis, inclusive de mudança na Constituição Federal, sem o que será muito difícil retomar o crescimento econômico. É preciso destacar que essas medidas envolverão custos políticos para deputados e senadores que precisarão explicar para seus eleitores porque apoiaram propostas medidas que afetarão os montantes de recursos direcionados à educação e à saúde, por exemplo.

Por esses motivos, o esforço de convencimento da importância em se aprovar medidas de ajustes junto ao Congresso e para a população irá requerer do Executivo uma enorme habilidade de articulação, sem a qual as possibilidades de êxito se estreitarão consideravelmente. Caso isso não aconteça, a luz no final do túnel, que permitiria o retorno do crescimento econômico, será apenas de uma lamparina que, ao terminar o óleo combustível, se apagará e todos nós voltaremos ao escuro.

Doria Porto é engenheiro metalurgista com mestrado em engenharia da produção e em administração.

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