Um semestre se foi…

O semestre encerrado em junho passado consolidou a imagem de que o ano de 2014 está tão difícil para o desempenho econômico brasileiro quanto foi 2013. A inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, atingiu 6,52% e extravasou o teto, tornando improvável alcançar o centro da meta (4,5%) até o fim do ano. No semestre, a alta dos preços correspondeu a 3,75%, num contexto em que os preços administrados (gasolina, energia elétrica) estão represados e se contrapõem artificialmente ao movimento altista dos preços de bens e serviços livremente comercializados.

Os movimentos da inflação em 2013 foram decisivos para alterar a taxa básica de juros SELIC de 7,25% ao ano para o nível atual de 11%, colocando os agentes do mercado no “observatório crítico” das reações do Banco Central às pressões inflacionárias e ao comportamento do Ministério da Fazenda perante variáveis como a arrecadação de impostos, a evolução das despesas públicas, os fluxos de investimentos, a dinâmica da produção industrial, as projeções do PIB. [A lista poderia ser bem maior].

As vertentes apontadas são extremamente sensíveis ainda aos acontecimentos e à gestão do Governo Federal, que este ano tem atuação restringida pelo período eleitoral. Este cenário prejudica a tomada de decisão do setor privado de produzir e investir, dada sua aversão ao risco e as incertezas presentes nas análises de conjuntura.

No flanco externo, o semestre termina com a balança comercial brasileira deficitária em mais de U$ 2,4 bilhões, mas com possibilidades de inverter a situação até o fim do ano. Os fluxos de investimentos diretos anualizados estão se mantendo em U$ 60 bilhões, com o Brasil perdendo participação na captação de recursos no quadro internacional.  Contudo, as reservas internacionais do país, administradas pelo Banco Central, cresceram ao longo do período para a faixa de U$ 380 bilhões. São dados que sinalizam que o país poderá fechar o balanço de pagamentos de 2014 sem maiores percalços, mas a composição interna das contas se mostra menos virtuosa que no passado. Nesse contexto, as variações da taxa de câmbio “real versus dólar” são minudentemente vigiadas pelo BC e com mais desvalorização prevista.

Por seu turno, a produção industrial nacional tem passado por obstáculos que na verdade se arrastam desde a crise mundial de 2009. Em 2014, os últimos três meses (março, abril e maio) apresentam resultados negativos consecutivos.

Diante do quadro desenhado no semestre, causa pouca surpresa que as projeções de PIB para o ano estejam na casa de 1%, ou seja, menos da metade do alcançado em 2013.

Lembrando ainda que são essenciais que as condições econômicas da Ásia, Europa e América do Norte sigam dando sinais de recuperação às pressões contrárias ao crescimento.

No Espírito Santo, o fechamento do semestre segue em grande medida as tendências brasileiras. Porém, há em curso avanços que permitem vislumbrar a recuperação da produção industrial pela entrada em operação de empreendimentos recém concluídos e reativados, a corrente de comércio exterior se mantendo 11% acima do ano anterior, os investimentos concluídos dinamizando regionalmente a economia, o nível de criação de novos empregos na banda positiva. Nesse ritmo, o PIB estadual tende a se recuperar até o final do ano e assinalar taxa positiva.

José Edil Benedito é diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves

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