Um balaio de gatos chamado G20

Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape

O encontro, realizado na capital da Argentina, teve o comércio mundial e o clima como agenda 

A reunião dos chefes de estado das 20 maiores economias mundiais em Buenos Aires foi um encontro para resolver conflitos, já esperados, diante o balaio de gatos que é o G20. O grupo reúne 19 países mais a União Europeia – 9 desenvolvidos e 11 em desenvolvimento – o que dificulta sua identidade coletiva.

Há diferenças entre os grupos (desenvolvidos e em desenvolvimento) e dentro dos grupos. Dentre os em desenvolvimento, enquanto China é a 28ª economia mais competitiva no mundo; a Rússia é 43ª, Argentina é a 81ª, Turquia a 61ª, África do Sul 67ª e Brasil 72ª. Dentre os desenvolvidos, enquanto os Estados Unidos são a 1ª economia mais competitiva, França é 17ª, Itália 31ª, Canadá 12ª, Alemanha 3ª.

Há também curiosidades, como a Coreia do Sul. É a 15ª economia mais competitiva, tem renda per capita de país desenvolvido, responde por mais de 6% do comércio mundial, e não está no grupo dos desenvolvidos do G20.

Com isso, o G20 é marcado pelas diferenças de prioridades e pautado pela resolução de conflitos. O que se deve, menos pela complexidade das questões tratadas, e mais pelas atitudes de seus membros fora dos limites dos encontros da cúpula. O encontro na Argentina teve como agenda o comércio mundial e o clima.

Para o primeiro tratou-se do embate entre o presidente dos Estados Unidos e o da China, sobre as barreiras de comércio, haja vista que o presidente Trump está esbravejando para os quatro cantos a forma dissimulada com que a China diz cumprir as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Desde o início dos anos 2000, com a omissão dos dirigentes, passa-se por uma economia de mercado para ser membro desse Organismo. Enquanto isso, utiliza-se dos tratamentos especiais previstos para os países menos desenvolvidos, para proteger seu mercado doméstico, e praticar dumping nos mercados externos.

Por sua vez, o presidente Trump, ao invés de cobrar mudança de atitude da OMC, e liderar um movimento de agilização de sua atuação, vem reagindo como não deve – impondo barreiras ao comércio. Isto ameaça a complementaridade da economia mundial e dificulta a prática de um comércio justo e inclusivo.

De forma análoga tratou-se do embate sobre as metas para conter o aquecimento global. Da boca pra fora, todos são favoráveis. Mas as atitudes ainda estão muito aquém do necessário.

Com isso, quem está fazendo o dever de casa, está ameaçado de despender recursos sem obter resultados. A responsabilidade é de todos, na mesma proporcionalidade. Para a questão climática, não importa o nível de desenvolvimento do país. Tem que mudar de atitude e ponto final. Parece que os membros do G20 estão conversando muito e realizando pouco em relação às medidas efetivas para o meio ambiente. E o presidente Trump, no seu pragmatismo tweet, jogou a toalha: comprometeu-se a agir dentro dos Estados  para cumprir suas obrigações, mas não vai carregar ninguém nas costas.

Tudo isso é reflexo da lentidão para agir dos organismos multilaterais. Gastam muito tempo discutindo o método de discussão e perdem o timing da questão.

Diferenças de prioridades e morosidade das atitudes tornam o G20 um balaio de gatos, e a reunião de Buenos Aires uma perda de tempo, em que sobrou ambiguidade e faltou decisão.


Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape.

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