Sustentabilidade é caminho para o desenvolvimento

Ter comportamento ecologicamente equilibrado é uma maneira eficaz de ser sustentável

A busca pela sustentabilidade requer uma nova postura na relação da sociedade e do indivíduo com o meio ambiente. E essa busca deveria ser permanente, tanto por parte das pessoas, quanto por parte de governos, empresas e instituições civis que atuam na defesa da natureza e da qualidade de vida. Mas há ainda um longo caminho a ser percorrido para transformar as práticas rotineiras em um modelo de desenvolvimento de fato sustentável.

Buscar a sustentabilidade deve passar por compreender, entender e respeitar a natureza e suas leis, visando à adoção de práticas sustentáveis no cotidiano que permita à humanidade obter mais qualidade de vida, por meio de um modelo socioeconômico mais racional no uso dos  recursos naturais, que assegure o funcionamento  adequado da natureza, da economia e da existência humana de forma digna. Ou seja, as atividades socioeconômicas só serão permanentes e em condições de atender aos anseios sociais se optarem por um modelo de desenvolvimento sustentável. Para isso, devem ser respeitadas as legislações ambientais e usadas as melhores tecnologias, com ética, em um Estado democrático de Direito, com uma sociedade procurando ser mais igualitária e inclusiva, e amparada na supremacia das leis.

Infelizmente, ainda há setores que adotam um esquema predatório de uso dos recursos naturais, o chamado de “modelo caubói”: por ter uma baixa preocupação com o futuro, em relação aos recursos ambientais e às pessoas; por dissociar as atividades econômicas dos problemas sociais e dos impactos socioambientais; e por partir de uma visão utópica de que os recursos naturais são infinitos, de que sempre haverá água, florestas, solos e ar disponíveis para todos, em quantidade e qualidade. O que não é verdade e não possibilita que o desenvolvimento ocorra em plenitude.

Porém, hoje, há conhecimento suficiente para se entender que o modelo de desenvolvimento deve ser o “espaçonave”, cujas características centrais levam em consideração: o planejamento das ações; a premissa constitucional de que o ambiente deva ser ecologicamente equilibrado; que o planeta Terra é o único veículo que leva todos os seres vivos através do tempo e espaço; que há interconexão entre os impactos e as responsabilidades, sinalizando maior responsabilidade socioambiental aos empreendedores; que os recursos naturais são finitos, se usados como atualmente, razão pela qual precisam ser cuidados; que a busca pela sustentabilidade deve seguir a premissa de agir localmente, mas pensando globalmente; e que cidadãos, empreendedores e governantes necessitam estar conscientes de seus direitos e deveres na proteção ambiental, pois esse patrimônio pertence a todas as gerações e não somente à atual.

Assim, a busca pela sustentabilidade visa, principalmente, a construir o melhor caminho para fazer funcionar a economia, levando-se em conta seus impactos sobre os ecossistemas e avaliando que há limites em seus funcionamentos. E ainda: de que eles necessitam de tempos adequados para se renovarem, o que os interesses econômicos nem sempre têm respeitado. Cultura. É isso que precisa ser mudado, visto não faz sentido um  desenvolvimento que não utilize os recursos naturais de forma racional, para manter  a qualidade de vida da população, no mais elevado nível possível.

Luiz Fernando Schettino é professor de Ecologia e Recursos Naturais da Ufes, ex-secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídrico e ex-diretor-geral da Agência de Serviços Públicos de Energia do Espírito Santo (Aspe)

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