Setembro Amarelo: Suicídio ainda é visto como tabu em várias sociedades

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Na maioria das vezes, os sintomas são silenciosos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), nove em cada 10 casos poderiam ser evitados

Neste domingo (10), é comemorado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, sendo uma data propícia para o lançamento da campanha ‘Setembro Amarelo’, que consiste em iluminar ou sinalizar locais públicos com faixas ou símbolos amarelos, além da realização de atividades sobre o tema.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), nove em cada 10 casos poderiam ser evitados. No Brasil, 32 casos são registrados, o que significa que a cada 40 minutos, o que significa que a cada 40 minutos um brasileiro morre vítima do suicídio. Desta forma, surgiu a necessidade de criar um movimento que alertasse a população sobre o problema e mostrar que nove em cada 10 casos podem ou poderiam ser evitados.

O movimento, que foi iniciado em 2014, em Brasília, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), já conseguiu, desde 2015, uma maior exposição com ações em todas as regiões do país. Mundialmente, a Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP) estimula a divulgação da causa.

O psicólogo Alexandre Braga defende que a campanha é muito interessante e uma forma de tratar o assunto de forma mais abrangente. “O Setembro Amarelo é uma iniciativa importantíssima e que alinhada ao CVV tem muitas chances de prevenir muitos casos”, destacou.

Suicídio ainda é um tabu

Há algumas décadas, o câncer, a AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) eram vistas como verdadeiros tabus e viam o número de suas vítimas aumentando a olhos nus. Foi necessário o esforço coletivo, liderado por pessoas corajosas e organizações engajadas, para quebrar esses tabus, falando sobre o assunto, esclarecendo, conscientizando e estimulando a prevenção para reverter esse cenário.

O suicídio é visto pela OMS como um problema de saúde pública que vive atualmente a situação do tabu e do aumento de suas vítimas. Pelos números oficiais, os casos de suicídio no Brasil é relevante, e uma taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas.

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O jornalista e autor do livro “Viver é a melhor opção”, André Trigueiro, defende que “há um jeito certo de falar sobre o assunto. O tabu existe em função do risco da abordagem equivocada do assunto. Dependendo de como se fala sobre o suicídio pode, sim, induzir pessoas fragilizadas emocionalmente ou fisicamente a cometerem o suicídio, mas existe uma forma de falar sobre o assunto. Precisamos destacar sempre os meios de informação para evitar mais casos”.

O psicólogo Alexandre Braga diz que, na maioria das vezes, o suicida deixa uma mensagem desconfortável para quem fica, por isso pode ser um dos motivos para não se falar sobre isso. “O ato do suicídio é um ato grave e violento tanto para quem comete, quanto para os familiares, amigos, e outras pessoas próximas. Por mais que seja dito que a pessoa não teve culpa do ato, ela acaba se sentindo culpada por achar que poderia ter feito algo para evitar e não fez. Cartas de despedida não são constantes. O assunto é difícil de ser tratado, pois, de certa forma causa vergonha tristeza e essa sensação de culpa”, comentou.

Tratamento

Segundo o psicólogo, terapia é uma solução eficaz para quem se encontra nesta situação. “A terapia em tempo real ajuda bastante. A pessoa acha que vai pagar para ouvir algo que não quer escutar, mas  não é desta forma. Medicação não é o último recurso, ela só fará efeito se houver um trabalho de reconhecimento do problema e um acompanhamento com um profissional”,destacou.

Braga defende que os adolescentes entre 15 e 24 anos são os mais suscetíveis a passar por situações de conflito e que as escolas também podem ajudar nesse processo. “As escolas devem conversar com os jovens mais sobre as causas do que as consequências. Ouvir o que eles estão sentindo proporciona a esses pequenos interlocutores abrirem o coração e ajudarem a outras pessoas, aumentando a corrente do bem. É preciso desenvolver a comunicação”, apontou.

CVV

O Centro de Valorização a Vida (CVV), considerado uma das principais mobilizadoras do Setembro Amarelo, é uma entidade sem fins lucrativos que atua gratuitamente na prevenção do suicídio desde 1962, membro fundador do Befrienders Worldwide e ativo junto ao Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP), da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (Abeps) e de outros órgãos internacionais que atuam pela causa.

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