Senadora Rose de Freitas não votou na eleição de Cunha

A senadora Rose de Freitas chamou o doleiro Lúcio Funaro de aventureiro

Rose de Freitas: citada por Funaro como possível beneficiária de Cunha, destaca que foi eleita senadora em 2014. Portanto, “não poderia ter participado do processo de escolha do ex-deputado à presidência da Câmara”   

A senadora capixaba Rose de Freitas (PMDB) foi citada pelo operador de propinas do também peemedebista e ex-deputado Eduardo Cunha, Lúcio Funaro. Segundo o doleiro, ela seria possível beneficiária de poupança feita no exterior pelo ex-presidente da Câmara no valor de até R$ 90 milhões.

O nome da senadora surgiu durante a delação premiada usada na segunda denúncia do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Depoimento apresentado na quinta-feira passada contra o presidente Michel Temer (PMDB). No vídeo (ao final da matéria) da delação, Funaro cita Rose de Freitas aos 6’38” de gravação: “Ele deve ter dado alguma ajuda á campanha da Rose de Freitas ao Senado”, declarou o doleiro.

Por nota, a assessoria de Rose apresentou quatro contra argumentos à acusação de Funaro. O primeiro deles de que a peemedebista foi eleita para o Senado em 2014, assumindo o mandato em 2015. “Por óbvio, não votou para a Mesa da Câmara em 2015. Portanto, não teve influência na eleição do deputado Eduardo Cunha à presidência da Câmara”, diz a nota.

O segundo ponto defendido pela assessoria é que a frase usada pelo delator ao se referir à senadora – “ele deve ter dado alguma ajuda para a campanha” – além de carecer de qualquer indicativo de prova, “revela uma afirmação vaga, inconsistente e frágil”. Para a senadora, Funaro é um aventureiro que quer denegri-la, com uma história mal contada,  inverídica.

A nota destaca ainda que “em nenhum momento o delator indica valores ou eventual contrapartida. Simplesmente porque não existiram”. O último argumento apresentado é de que a senadora “reitera que não recebeu qualquer tipo de “ajuda” nem teve “negócios” com o ex-deputado”.

Rose de Freitas

O delator apontou como beneficiados pelo dinheiro juntado por Cunha durante 15 anos, por meio de repasse nas campanhas de 2014. Entre eles, o candidato ao governo do Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves, e Geddel Vieira Lima, que disputaria o Senado na Bahia, além de outros parlamentares. Em contrapartida, os mencionados apoiariam Cunha para a Presidência da Câmara, em 2015.

“O objetivo era investir todo o recurso arrecadado para eleger o Henrique Eduardo Alves como governador do Rio Grande do Norte, e para eleger os deputados que Eduardo Cunha queria eleger, para que estes, depois, votassem em Cunha para presidente da Câmara”, aponta trecho da delação descrito no rodapé da página 31 da segunda denúncia de Janot.

Segundo a denúncia, Cunha teria arrecadado um total entre 80 e 90 milhões de reais para as campanhas de 2014 dos candidatos: Henrique Eduardo Alves, Marcelo Miranda (TO), Geddel (Senado), Sandro Mabel, Marcelo de Castro (PI), Antônio Andrade (MG) – via Mateus Moura –, Lucia Vieira Uma, Priante, Manoel Júnior, Fernando Jordão, Sora Santos, Rose de Freitas ao Senado, Cândido Vacarezza e Carlos Bezerra”.

A senadora destacou que foi eleita com muito pouco apoio do PMDB, que a denúncia é um absurdo e que já pediu aos advogados para tomarem as providências cabíveis.

Desacordo

Em 2015, Rose de Freitas teve um desentendimento com o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, A senadora ocupava o cargo de presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e entrou com mandado de segurança no STF, alegando ilegalidade nas votações das contas dos ex-presidentes Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, realizadas na Câmara.

Na avaliação de Rose, aquela era uma competência do Congresso. Então Cunha acusou a senadora de tumultuar para que as contas não fossem votadas, a fim de atender outros interesses.

Confira o vídeo com o depoimento:

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