Rua José Marcelino

As dificuldade encontradas foram estímulo para superação de problemas, que o levaram a conquistas que o projetaram como um dos grandes nomes da nossa História

José Marcellino Pereira Vasconcelos foi uma dessas pessoas que não nasceram apenas para cumprir o destino marcado pelas difíceis circunstâncias vividas na fase inicial de sua formação. A expressão árabe “maktub” – “estava escrito” – não foi seu lema. As dificuldades encontradas por este capixaba nascido em Vitória no dia 1º de outubro de 1821 foram, ao contrário, estímulo para superação de problemas e o levaram a conquistas que o projetaram como um dos grandes nomes da nossa História nos vários segmentos de atuação aos quais se empenhou.

Filho do major José Marcellino de Andrade Vasconcellos, o menino só pôde frequentar a Escola de Ensino Mútuo graças ao professor José Joaquim de Almeida Ribeiro. Determinado, o jovem estudou latim com o mestre padre Ignácio Felis de Alvarenga Salles e francês no Lyceu de Vitória, instituto criado em 1843 e que recebera essa denominação em 1854.

As dificuldades financeiras da família levaram-no a ingressar no mercado de trabalho muito cedo. E foi com livros tomados por empréstimo que pôde dar continuidade aos seus estudos.

Aos 18 anos, foi indicado procurador da Câmara Municipal de Vitória e empossado no cargo em maio de 1840.

Já com prestígio de homem culto e responsável, seu nome ganhou projeção no sul da província, levando o governo a pedir-lhe coadjuvação, nomeando-o para cargos policiais e judiciais, desempenhados com sucesso “acima de todos os encômios”.

O trabalho realizado com brilho nas diversas frentes para as quais fora convocado conduziu-o inevitavelmente para a área política, elegendo-se, sucessivamente, juiz de paz, vereador e deputado provincial em mais de uma legislatura.

Por eleição popular, conquistou a cadeira de deputado provincial para o período 1848/49, reeleito em 1852/53, 1856/57, 1858/59 (12ª legislatura), 1860/61 (13ª legislatura) e 1864/65, tendo assumido a vaga por falecimento do desembargador José Ferreira Santos, para a 15ª legislatura. Também foi deputado geral (deputado federal) em 1864/67.


Até por força de sua intocada atuação nas várias frentes de trabalho em que se empenhou, uma decepção pessoal, sofrida em 1853, atingiu-o com mais força, levando-o a deixar a província e com ela o emprego, a casa, o lugar que ocupava na Assembleia, mudando-se para a cidade do Rio de Janeiro.

O falecimento de seu pai e de um filho de 5 anos abateu-o fortemente, com reflexos em sua vida profissional, levando-o a retornar a Vitória, onde passou a advogar por provisão.
Patriota, mas também até como fuga de um ambiente político desfavorável, fez parte do grupo de oficiais e soldados que, em 14 de fevereiro de 1865, se dirigiu à Corte e de lá para o front da guerra contra as repúblicas do Prata.

Elegeu-se novamente deputado provincial.

Pela resolução de nº 205, de 11 de setembro de 1868, foi nomeado diretor-geral da Instrução Pública, exonerado pela Resolução nº 11, de 21 de janeiro de 1869, nomeado inspetor da Tesouraria Provincial, de 22 de março de 1867 a 4 de janeiro de 1868), renomeado em 21 de janeiro de 1869, até aposentar-se no cargo em 15 de novembro de 1870.

José Marcellino faleceu aos 53 anos de idade, às 10h30 do dia 26 de novembro de 1874 no Hospital de São Francisco da Penitência, no Rio de Janeiro, onde foi sepultado.
Deixou uma filha e um filho, na época estudante de Medicina, fruto do seu segundo casamento.

José Marcellino Pereira Vasconcelos, personalidade que honrou a sua geração de políticos e homens públicos capixabas, teve sua memória imortalizada com seu nome denominando rua da cidade de Vitória, a antiga Rua Santa Luzia, na Cidade Alta.
(Copidesque: Rubens Pontes)

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