Rogério Sarmento: “As escolas de samba precisam ter mais apoio, pois não dá para fazer carnaval no improviso”

Rogério Sarmento é presidente da Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (Lieses), entidade representativa carnavalesca que organiza o Carnaval Capixaba. Eleito em 2009 depois de presidir a Unidos de Jucutuquara por dois mandatos seguidos, seu interesse pelo samba surgiu desde os tempos de menino, fase em que começou a freqüentar a agremiação. Dentre os desafios encontrados ao longo de sua carreira, a falta de recursos privados pode ser considerada como o maior deles.

– Antes de ocupar a presidência da Lieses, você chegou a presidir a Unidos de Jucutuquara por dois mandatos seguidos, fazendo inclusive, com que a agremiação fosse tricampeã. Como surgiu o seu interesse pelo samba?
O interesse surgiu durante a adolescência com o bloco carnavalesco de Jucutuquara. Junto com meus amigos comecei a freqüentar a agremiação e participar de alas até ser convidado para participar da diretoria. Logo depois surgiu a oportunidade de concorrer à presidência da escola e a partir daí, construímos uma equipe que desenvolveu o carnaval durante quatro anos, conquistando três títulos. Toda essa aproximação se tornou uma paixão.

– Sua gestão como presidente do Lieses é conhecida por estreitar as relações com o Governo Estadual. Como você avalia a sua atuação na presidência da liga?
Quando fui eleito como presidente da Liga, fizemos um planejamento para dar uma ‘sacudida’ no nosso carnaval. Mostramos ao Governo do Estado a necessidade e a importância deles nos apoiarem e junto com a prefeitura de Vitória, alavancamos esse apoio. Com o Governo tivemos um aumento substancial em relação aos investimentos, de mais ou menos 50%. Conseguimos atrair também mais investimentos das empresas privadas, além de fazer com que o carnaval capixaba fosse divulgado a nível nacional.

– Se comparado aos anos anteriores, o carnaval do Espírito Santo tem apresentado uma melhora significativa principalmente no que diz respeito à sua divulgação. Quais são os principais fatores que justificam essas mudanças?
A Liga busca sempre saber das necessidades do carnaval capixaba, principalmente no que diz respeito à sua divulgação. Precisamos lembrar que quem não é visto, não é lembrado. Temos uma grande parceira que é a TV Capixaba e com essa visibilidade procuramos atrair mais patrocinadores. As escolas precisam ter mais apoio, pois não dá para fazer carnaval no improviso. Por mais que ele seja criativo, há a necessidade de se ter recursos.

– O crescimento das escolas de samba também pode ser justificado com o equilíbrio que vem sendo alcançado entre as mesmas. O aumento dessa competitividade tem sido muito notório durante a apuração?
Com o modelo dos grupos A e B, além do grupo de acesso, a competitividade vai ficar ainda mais acirrada. Quem está no A, não quer ir para o B; quem está no B, quer ir para o A; e nenhum dos dois quer ir para o grupo de acesso. De uma coisa se pode ter certeza: o carnaval capixaba vai aumentar em qualidade, pois as escolas de samba irão arregaçar as mangas para se manter ou para subir.

– Quais são as novidades para o carnaval deste ano? Como está a expectativa do Lieses em relação aos desfiles?
Se falarmos das novidades perde a graça (risos). Mas o que podemos adiantar é que todas as escolas estão trabalhando muito para fazer um carnaval inesquecível para todos. A Liga procura fazer a sua parte em concluir o cronograma e buscar cada vez mais recursos para as escolas de samba. Uma coisa é certa: quem for até o Sambão do Povo ou assistir os desfiles pela televisão vai ver um grande carnaval.

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