Rochas: retração no mercado interno e estabilidade nas exportações

rochas ornamentais

Queda na construção civil e nos financiamentos imobiliários, aliada à crise política e econômica, tem impactado o setor de rochas

Com um grande parque industrial para extração e beneficiamento de rochas instalado em seu território, o Espírito Santo manteve em 2017 a sua posição de líder na produção e exportação de rochas no Brasil. As últimas informações divulgadas comprovam: dos 9,3 milhões de toneladas produzidos no país no ano passado, 3,72 milhões – equivalentes a 38% do total nacional – foram extraídos no Estado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Rochas (Abirochas) elaborados pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial e Educacional do Espírito Santo (Ideies). Os números demonstram a força da atividade na economia local: responde por 8% do PIB capixaba, gera cerca de 25 mil empregos diretos e 110 mil indiretos e registra 1.600 empresas ativas em sua cadeia produtiva.
Nas exportações capixabas em 2017, foi embarcado 1,55 milhão de toneladas até o mês de outubro, com um faturamento de US$ 779,09 milhões, segundo o Sindicato das Empresas de Rochas Ornamentais do Espírito Santo (Sindirochas-ES). Já no mesmo período de 2016 foi exportado 1,56 milhão de toneladas, com uma receita de US$ 768,07 milhões. O segmento responde por 81% do faturamento e 74,97% de toda a tonelagem das exportações brasileiras de rochas ornamentais.

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Apesar de o volume exportado ter sido um pouco menor, com uma pequena queda de 0,96% em relação ao ano passado, os produtos vendidos pelos capixabas foram mais valorizados no mercado internacional, registrando um crescimento de 2,42% no preço médio no período analisado. Segundo o Sindirochas, os resultados finais de 2017 devem ficar no mesmo patamar daqueles do ano de 2016, ou apresentar uma ligeira melhora, mas há um certo otimismo com o aumento observado no preço das rochas ornamentais capixabas no último trimestre do ano. A cotação subiu de US$ 434,18 a tonelada, em setembro, para US$ 463,74 em outubro.
Os Estados Unidos são o principal comprador das rochas capixabas. O segundo cliente é a China, seguida da Itália. Apesar de esses tradicionais mercados representarem os principais destinos das exportações capixabas, em 2017 os produtos do Espírito Santo ampliaram seu alcance e houve um aumento nos negócios com Turquia, Paquistão, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes.

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Os produtos capixabas estão mais valorizados no mercado internacional
Desafios

Enquanto no mercado internacional a venda de rochas ornamentais capixabas permanece estável, no mercado interno – que responde por aproximadamente dois terços do consumo do produto do Brasil – o cenário não tem sido favorável. “Continuamos enfrentando uma crise persistente, que compromete o crescimento da economia brasileira e atinge todos os setores, com reflexos negativos também no setor de rochas ornamentais. A queda nas atividades da construção civil e a falta de recursos para financiamentos imobiliários têm tido grande impacto sobre o setor. Também vem crescendo a concorrência com produtos artificiais, o que influencia ainda mais o mercado exportador. Estamos passando por um período de grande oferta e baixa demanda, mas temos trabalhado para o fortalecimento das entidades e estabelecido um planejamento conjunto para a melhoria contínua do setor, além de atuar em prol do aumento da demanda pelos produtos a partir da participação em feiras internacionais, missões e parcerias no exterior”, explicou o presidente do Sindirochas, Thales Machado.

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Fonte: Sindirochas

Mesmo nesse contexto, as empresas capixabas continuaram investindo em novos equipamentos e tecnologias, o que ocasionou a fusão entre o Sindirochas e o Centro Tecnológico do Mármore e Granito (Cetemag) em 2016. O objetivo da entidade é trazer o que há de mais novo para os empresários otimizarem sua produção. “Trabalhamos para atender a todo o arranjo de rochas ornamentais de maneira eficiente e atentos às novidades tecnológicas para inseri-las nos cursos ministrados. São estudos que se dividem em melhorias tecnológicas e de processos aplicados às áreas de mineração, beneficiamento e acabamento de rochas”, esclarece o presidente do Cetemag, Eutemar Venturim. Um dos cursos é o de Fio Diamantado, baseado na tecnologia de corte em alta velocidade. Os alunos aprendem a usar o novo recurso, que reduz o tempo do corte de um bloco em chapas para algo entre seis e oito horas, contra as 48 a 50 horas que levava anteriormente.

rochas ornamentaisFeiras: oportunidades
de bons negócios

As feiras internacionais de mármore e granito já fazem parte do calendário mundial do setor de rochas ornamentais, atraindo para o Espírito Santo empresários de todos os continentes. São realizadas duas feiras anuais voltadas para o segmento: a Vitória e a Cachoeiro Stone Fair, que já estão na sua 44ª edição e se firmam como plataforma global para a expansão de novos mercados. Em 2017 a Vitória Stone Fair foi transferida de fevereiro para junho, devido aos reflexos da crise da segurança pública e à paralisação da Polícia Militar no Estado. Segundo a organizadora dos eventos, a empresa Milanez & Milaneze, a alteração na data não prejudicou os negócios, gerando resultados positivos para a cadeia produtiva do setor. Em 2017, as duas feiras reuniram cerca de 620 expositores e um público visitante de mais de 44 mil pessoas.


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