Rochas: modernização tem acompanhado o crescimento do setor?

Se o mercado de rochas no Estado já caminha a passos largos, o aumento da utilização de tecnologias de gestão poderia ampliar o potencial do setor

Na contramão dos demais setores, que retomam o fôlego em ritmo lento, o segmento de rochas no Espírito Santo mantém o crescimento acelerado e demonstra boas perspectivas a curto e médio prazo. De acordo com o Sindicato das Empresas de Rochas Ornamentais do Espírito Santo (Sindirochas-ES), as exportações brasileiras fecharam o ano de 2016 com 1 bilhão e 200 milhões de dólares, sendo 80% realizado no Espírito Santo – quase 1 bilhão de dólares. Agora, em um segmento em que a grande maioria das empresas é marcada pela gestão familiar, a modernização dos processos tem acompanhado as possibilidades de crescimento?

Tradicionalmente, o Espírito Santo se destaca com os números mais significativos de exportação de rochas do Brasil. Seguindo na liderança no cenário nacional, em 2017, continuamos como maior exportador de pedras do país, com uma participação de 82% no total vendido. No cenário internacional, as rochas capixabas também estão ganhando novos e importantes espaços: as pedras ornamentais do Estado foram usadas no novo Aeroporto de Istambul, na Turquia, que será o maior terminal de passageiros do mundo. Segundo dados do setor, somente para a Turquia, as vendas de rochas ornamentais cresceram mais de 200% no primeiro semestre de 2017.

Ao mesmo tempo em que a recessão parece não atingir o segmento, na medida em que o faturamento tem como base o mercado externo, o setor de rochas no Estado ainda apresenta um caminho grande a trilhar no que diz respeito a tecnologias de gestão. E é neste contexto que surge, entre as empresas capixabas, a demanda por ferramentas que ajudem a otimizar o tempo, modernizar os setores da empresa e ampliar a produtividade. A proposta é utilizar a tecnologia para melhorar desde os processos internos, até a experiência do comprador que passa a ter, por exemplo, a opção de conferir as opções de rochas disponíveis através de um aparelho mobile.

Para além da experiência do cliente, é necessário que o empresariado encare a adoção de uma cultura digital como um investimento rentável. É preciso quebrar paradigmas e experimentar novas formas de se relacionar com o consumidor e com sua estrutura interna. É um trabalho de tentativa, aprendizado e adaptação. Ao colocá-lo para funcionar, é possível perceber se ele faz sentido ou se tem adesão. O empresário precisa dar o primeiro passo. Ele sabe que a tecnologia está vindo, com mudanças grandes e novos perfis de consumo.

E o melhor é saber que, se o mercado de rochas no Estado já caminha a passos largos, o aumento da utilização de tecnologias de gestão amplia ainda mais o potencial do setor. Ganham as empresas em produtividade, o Estado movimenta sua economia e nosso material capixaba ganha o mundo.

Eduardo Couto é economista e presidente da TOTVS Espírito Santo

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