Siderurgia e Mineração esperam recuperação definitiva

Siderurgia e Mineração esperam recuperação definitiva, mas com otimismo no horizonte
A Samarco continuou sem operar em 2017, à espera de licenças ambientais

Siderurgia e mineração ainda enfrentam reflexos da crise, mas já apresentam resultados melhores e se preparam para o crescimento

Os setores de siderurgia e mineração ainda não viram a recuperação esperada, mas 2017 já foi considerado um ano normal, em que houve progresso e que termina com a expectativa de maior geração de caixa e novos investimentos. A Samarco continuou sem operar, mas os resultados da Vale e da ArcelorMittal foram positivos, abrindo um horizonte mais otimista.

MINÉRIO DE FERRO

A Vale estima um volume de caixa de até US$ 15 bilhões no ano, contra US$ 12,2 bilhões de 2016. Segundo o presidente da companhia, Fabio Schvartsman, esse é um resultado de anos considerados “bons e normais”. Nos nove primeiros meses de 2017, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Vale somou US$ 11,2 bilhões.

Até setembro de 2017, a produção de minério de ferro na Vale foi de 75,1 milhões de toneladas

No terceiro trimestre, a empresa bateu recordes na produção de minério de ferro (91,5 milhões de toneladas), carvão (3,2 milhões de toneladas) e cobre na mina do Salobo (51,8 mil toneladas), com uma geração de caixa de US$ 4,2 bilhões – alta de 54% sobre os US$ 2,7 bilhões do trimestre anterior. Com isso, a dívida da Vale caiu de US$ 22,1 bilhões para US$ 21,1 bilhões e o objetivo é reduzi-la para US$ 10 bilhões. Já o lucro líquido até o terceiro trimestre foi de R$ 7,1 bilhões, refletindo o impacto de R$ 2,9 bilhões da apreciação da moeda brasileira em relação ao dólar.

De acordo com o diretor executivo de Finanças da Vale, Luciano Siani Pires, os resultados foram motivados pela recuperação de preços do mercado internacional para minério de ferro, níquel e cobre; a melhor realização de preços do minério de alto teor de Carajás; pela redução de custos; e pelo aumento de volume.

“A Vale está confiante de que está entrando em uma nova fase”, disse Siani, diretor executivo de Finanças da Vale.

No Espírito Santo, a companhia embarcou 81 milhões de toneladas de minério de ferro pelo Porto de Tubarão até setembro, enquanto a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) movimentou 108,2 milhões de toneladas de minério de ferro, aço, grãos, carvão e fertilizantes, entre outros. A produção de minério de ferro nesse período foi de 275,1 milhões de toneladas, e as plantas de pelotização em Vitória produziram 22,9 milhões de toneladas.
Para suportar as operações no Espírito Santo, a Vale desembolsou US$ 1,16 bilhão, entre custeio e investimento, em nove meses. Já os investimentos socioambientais somaram US$ 22,7 milhões no período. Parte dos recursos do caixa da Vale – cerca de US$ 450 milhões – foi destinada à Samarco, que ficou sem operar em 2017 devido à falta de licenças ambientais. Só em dezembro a empresa obteve a licença prévia e de instalação da Cava de Alegria Sul. Falta ainda o Licenciamento Operacional Corretivo do Complexo de Germano. A mineradora também iniciou um programa de demissão voluntária (PDV), esperando a adesão de 600 empregados.

Fontes: Vale e ArcelorMittal Brasil
SIDERURGIA

Já na siderurgia, 2017 “não foi um desastre, como estava sendo previsto no final do ano passado, mas, a rigor, o setor como um todo progrediu pouco”, segundo o diretor-presidente da ArcelorMittal no Brasil, Benjamim Baptista Filho. Ele citou dados do Instituto Aço Brasil, prevendo crescimento de 1,2% nas vendas domésticas este ano, em relação a 2016. A produção de aço bruto deve crescer 9,2%, chegando a 34,154 milhões de toneladas. De janeiro a outubro, o aumento acumulado foi de 8,5%, com 28,5 milhões de toneladas. Em 2016, a produção do setor havia caído 6%, com 31,275 milhões de toneladas.
As importações de aço, por sua vez, devem crescer mais de 33% no ano. Assim, com vendas internas de laminados da ordem de 16,414 milhões de toneladas e mais 2,508 milhões de importações, o consumo aparente (que inclui as duas categorias) chega a cerca de 19 milhões, 5% a mais que em 2016.

A produção em Tubarão no ano foi de mais de 7,2 milhões de toneladas de placas de aço, sobre cerca de 7 milhões em 2016. A meta é alcançar 7,7 milhões de toneladas em três ou quatro anos. A produção de bobinas a quente chegou a 4,2 milhões de toneladas este ano. A planta da ArcelorMittal de Vega (SC), que processa o material enviado de Tubarão, operou praticamente à plena capacidade, apesar da crise, permitindo manter o laminador de Tubarão também em funcionamento em seu potencial total, o que ocorre desde 2014.

EMPREGOS

O mercado de trabalho também deu sinais de recuperação, apesar de dados negativos. Pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, até outubro o setor extrativo mineral teve um saldo negativo de 2.448 postos fechados no país, bem menos do que em todo o ano de 2016 (-11.855 vagas). Só no Espírito Santo, foram 112 postos fechados até outubro de 2017 e 526 vagas a menos em 12 meses. Segundo o Instituto Jones Santos Neves (IJSN), o estoque do setor no Estado, em outubro de 2017, foi de 11.666 empregados.

A indústria metalúrgica abriu 1.311 novas vagas no país, até outubro, diante de números negativos em 2016 (-44.355 postos). No Espírito Santo, o setor registrou estoque de 13.979 empregos e saldo de 373 novas vagas até outubro de 2017 e de 210 no acumulado de 12 meses.


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