A recuperação da economia será mais gradual, segundo economista

Thais Zara
Foto: Arquivo/Divulgação

Thais Marzola Zara é economista-chefe da Rosenberg Associados e palestrou para o Grupo Permanente de Acompanhamento Empresarial do Espírito Santo

Empresários capixabas participaram nesta quinta-feira (12) de um evento sobre o cenário de oportunidades para os próximos meses no Brasil. O encontro foi realizado no auditório do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades).

A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Marzola Zara, é consultoria econômica conceituada e palestrou sobre a retomada da economia brasileira em doses homeopáticas. Ela afirmou que a fase do Produto Interno Bruto negativo já passou. Agora é preciso superar alguns gargalos, como as reformas da Previdência e tributária.

O Grupo Permanente de Acompanhamento Empresarial do Espírito Santo (GPAEES) realiza reuniões trimestrais. A ideia é promover um encontro diversificado para incentivar o empresário capixaba a se informar. Então, é possível contar com uma constante ferramenta de atuação no ramo, além de discutir se realmente o ano vigente será promissor para a economia brasileira.

ES Brasil: É amplamente dito que o Brasil para por uma fase de recuperação, após o período de crise. O que pode confirmar a afirmação?
Thais Zara: Vários indicadores mostram a melhor fase da economia e que já deixamos o fundo do posto. Não só o próprio desempenho do PIB e os fatores que o levaram a esse crescimento. Já vemos também a expansão de crédito, principalmente para a pessoa física. Apesar de a gente ainda ter a taxa de juros bastante elevada para o consumo, elas caíram refletindo a queda da taxa Selic. Além disso, temos a inflação baixa e já vemos o emprego melhorando. Tudo isso vai fundamentando a volta do consumo, que reflete também na melhora do PIB.

ES Brasil: O que é preciso agora para o País continuar superando a recessão econômica?
Thais Zara:
Ainda há uma agenda para cumprir. A reforma da Previdência é uma das coisas que precisamos enfrentar em algum momento, provavelmente no próximo ano. Mas, há uma agenda de abertura comercial e de maior integração da economia brasileira à economia mundial. As pessoas começam a debater isso de forma mais ampla. É até possível que entre na agenda de algum candidato, o que seria interessante e positivo para a economia.

Também é necessária a reforma tributária. Mesmo que, num primeiro momento não haja redução da carga tributária, mas pelo menos simplificação, isso acabaria ajudando bastante e seria positivo. Então, tem bastante coisa para trabalhar e melhorar a agenda de competitividade do Brasil.

ES Brasil: O que acha da equipe econômica do governo federal e a nomeação de Ana Paula Vescovi para ser a secretária-executiva da Fazenda?
Thais Zara:
A equipe é muito boa e mostra que dará continuidade à política econômica que vinha sendo feita [pelo então ministro Henrique Meirelles]. De fato, a Ana Paula Vescovi fez um trabalho muito bom à frente do Tesouro Nacional e espero que continue assim na Fazenda.

Uma pena que o calendário eleitoral acaba prejudicando um pouco porque é necessária a articulação com o Congresso, na medida em que vamos ter adiamento de votações. O espaço político acaba ficando mais focado nas eleições em si do que nessa agenda. Mas, imagino que eles continuem com o bom trabalho e façam o que está ao alcance do executivo, sem necessariamente ter que passar pelo Congresso, e tentar fazer as negociações que forem possíveis dentro desse calendário.

ES Brasil: Qual a expectativa do mercado em relação a eleições e a discussão da agenda econômica?
Thais Zara:
A economia vai sempre fazer parte da disputa eleitoral dentro da agenda que os candidatos vão colocar. Acho que a pauta da segurança pública será algo a ser levantada durante essa campanha.

Com relação à política econômica, temos alguns pré-candidatos de centro-direita que estão com uma pauta econômica liberal um pouco mais alinhada com a dessa equipe da Fazenda. Entre eles, Henrique Meirelles, Geraldo Alckmin e Flávio Rocha teriam esse direcionamento.

É importante não ver apenas a pauta econômica dos possíveis candidatos, mas também a capacidade de articulação com o Congresso. Não adianta ter uma pauta muito interessante, que agrade os mercados, se não tiver condição de passar isso no Congresso.

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