Que venha 2018

Após anos quase sem fôlego, país volta a respirar gradativamente

Apesar do caos político, em 2017, o Brasil finalmente atenuou a mais longa e profunda recessão de sua história. Ainda que a recuperação da renda per capita, que perdemos com essa verdadeira queda livre, só se viabilize a partir de 2020,estamos vivenciando uma retomada lenta e gradual da atividade.

O ótimo desempenho da economia mundial tem sido favorável à nossa economia, por ter ganhado força diante das fragilidades ainda resultantes da crise financeira global, conseguindo um crescimento de 3% em 2017, o maior resultado em seis anos.

Com isso, melhoraram as condições de investimento, a redução das fragilidades do segmento financeiro, a recuperação das commodities e uma previsão macroeconômica do mundo mais consistente.

Para uma economia emergente como a brasileira, mesmo com um crescimento estável em âmbito mundial no próximo ano, ainda persistem condições de vulnerabilidade e riscos, na eventualidade de uma contração brusca nas condições de liquidez global e da fuga de capitais no sistema financeiro global.

Mas os resultados favoráveis foram alcançados, como: a queda da inflação (de 6,35% para 2,8%), a redução da taxa de juros (de 13,75% para 7,00%), a menor volatilidade do mercado de câmbio e o desempenho robusto da balança comercial (de US$ 45,0 bilhões para US$ 66,4 bilhões), resultante do forte crescimento das exportações e do aumento comedido das importações, implicando em um crescimento esperado do PIB de 0,9% ao final de 2017.

Ao par desses inequívocos resultados auspiciosos, ainda temos muito o que aguardar para uma estruturação do mercado de trabalho: a recuperação da renda disponível, as condições favoráveis do crédito, especialmente para as pessoas jurídicas, e a expansão dos investimentos, que são indicadores relacionados à retomada da economia de forma sustentável.

Mas a evolução das reformas e a percepção da sustentabilidade da dívida pública no médio e longo prazo, bem como o resultado das eleições, poderão impactar as decisões de investimento ao longo de 2018, quando se espera um crescimento do PIB de 2,5%.

Cabe notar que o perfil desse crescimento será muito mais derivado do impulso do consumo do que dos investimentos, pois há ainda enorme capacidade ociosa na economia, e grandes investimentos dependem do que vai acontecer no processo eleitoral.

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