Perdeu o emprego? E agora?

A perda do emprego tem se tornado realidade para um número cada vez maior de brasileiros, em todos os segmentos e nas mais variadas faixas salariais. Mesmo no Espírito Santo, cujos percentuais são bem inferiores de demissões em relação à maioria dos estados, a possibilidade de sair da ocupação formal se tornou um pesadelo.

Em consequência da recessão econômica, o mercado eliminou 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada em 2015, o pior resultado desde 1992, período em que se iniciou a série estatística do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cenário da mão de obra foi prejudicado principalmente pela necessidade de readequação do quadro de pessoal do setor de construção civil e indústria.

De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no último trimestre do ano passado, o aumento da taxa de desemprego, que atingiu o percentual de 9%, veio principalmente da diminuição da abertura de vagas. A gravidade do problema é observada nos comparativos, pois esta é a primeira vez em que as demissões superaram as contratações no Brasil desde 1999, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados no último dia 21 de janeiro.

E mesmo que os cortes possam estar mais previsíveis que em outros momentos, por conta de fatores como baixa demanda de bens e serviços e retração da atividade econômica, ninguém se sente confortável nesse processo, principalmente quem foi dispensado. Afinal, o que fazer após a baixa na carteira?

Vale a pena investir em um novo negócio ou em uma especialização? Melhor procurar logo um novo serviço? O abalo é inevitável, mas as chances para se reerguer são boas, especialmente para quem está apto a tratar a situação com maturidade emocional e com foco nos novos desafios.

Em um primeiro momento, uma das principais preocupações que pairam sobre a cabeça de quem perdeu o emprego é a questão financeira, devido à ausência salarial e do comprometimento orçamentário. Esse temor se fez presente na vida de muitos brasileiros no ano passado, período que registrou queda brusca na geração de vagas. Na indústria da transformação, por exemplo, foram demitidos 608,8 mil trabalhadores. O setor da construção civil também se destacou negativamente com a retirada de 416,9 mil vagas, seguido por serviços (-276.054) e comércio (-218.650), com recuos muito significativos.

O desaquecimento do mercado profissional pôde ser visto em todos os estados da federação, segundo o MTE. O maior encolhimento ocorreu em São Paulo (-466.686), quase um terço do total contabilizado. Em seguida, aparecem Minas Gerais (-196.086), Rio de Janeiro (-183.686), Rio Grande do Sul (-95.173) e Pernambuco (-89.561), que fecham o “top five” dos mais prejudicados. E mesmo que o Espírito Santo não tenha contabilizado números tão alarmantes quantos esses estados (-44.971), é extremamente necessário ligar o alerta. “Estamos apresentando um crescimento no número de demissões que vem acompanhando o restante do país. Esse é um fato real, e nós precisamos aprender a lidar com essa situação”, afirma Kátia Vasconcelos (na foto), presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional Espírito Santo (ABRH-ES).

Atenção à postura
Mesmo que, via de regra, não haja como prever uma possível dispensa, há atitudes que auxiliam o profissional a estar mais bem organizado. Uma dica que vale tanto para aqueles que acabaram de perder o emprego, como para os profissionais que mantiveram o cargo. “O ruim de uma demissão é nunca estarmo preparados para ela. Seria o mesmo que se casar já pensando que haveria separação daqui a um tempo. De qualquer forma, é importante não se acomodar com o atual emprego, o que ocorre com muitos trabalhadores. Principalmente quem já está há algum tempo na mesma empresa costuma não buscar crescimento profissional. O correto é, enquanto estiver empregado e com recurso financeiro, aproveitar para investir em mais capacitação. Isso irá garantir melhores condições de conquista de novo emprego diante da demissão ou até mesmo para concorrer a uma promoção na mesma empresa”, afirma o consultor e coach de Vendas Jaques Grinberg Costa.

Diversos motivos podem levar um profissional a ser mandado embora, seja ele um trainee, um gerente ou mesmo um sênior. E não são somente as questões técnicas que fazem a diferença: as comportamentais também são vistas bem de perto pelos superiores, que normalmente escolhem para dispensas os profissionais que apresentam problemas em relação às suas atitudes no ambiente corporativo. “Essa onda de demissões está exigindo muito de todos nós. Vínhamos em uma situação de conforto, com as empresas crescendo e com investimentos no país. Um cenário que se alterou rapidamente. As próprias companhias sabem que estão abrindo mão dos profissionais por uma necessidade externa. Redução de quadro é muito difícil. Então quem fica tem que saber que tem uma responsabilidade redobrada, pois a empresa está apostando nesse profissional para ajudá-la a vencer essa fase conturbada. Mais do que nunca, o compromisso e a responsabilidade precisam estar presentes. O colaborador deve procurar contribuir com novas ideias e sugestões, entregando sempre o seu melhor para que se destaque em meio a essa situação”, orienta Kátia Vasconcelos.

Para não se prejudicar, é necessário estar atento a algumas atitudes reprováveis, como a resistência a mudanças, que vale tanto para questões tecnológicas – adoção de novos equipamentos e sistemas – como para a modificação de tarefas e procedimentos. Pelo fato de estarem mais ágeis, as organizações acabam exigindo que seus profissionais acompanhem as transformações. Outro ponto relevante dentro de um ambiente corporativo é o relacionamento com os colegas: a marca pessoal de um trabalhador problemático pode ajudar na hora de escolher quem vai ser cortado da folha salarial. Manter-se sempre distante de conflitos e da “rádio corredor” já é um bom começo para quem deseja permanecer seu posto.

Novos rumos à vista
Mas, se mesmo tendo atendido a todas as prerrogativas de um ótimo profissional, a demissão bater à sua porta, não se desespere. Afinal, a falta de reação e de clareza pode minimizar a força necessária para dar os próximos passos.

“Existem muitas empresas demitindo, mas também há outras contratando. Se você foi mandado embora, talvez essa seja uma oportunidade para rever a carreira, e perguntar: o que eu quero para mim nos próximos cinco ou 10 anos? Será que, com a minha qualificação, tenho condições de ganhar mais? Vale a pena investir em uma especialização? A palavra do momento é economizar, mas o profissional pode fazer diversos cursos gratuitos pela internet ou mesmo assistir a palestras no YouTube. O Sebrae, o Senai e o Senac também dispõem de diversos cursos que enriquecem ao currículo. Uma outra opção interessante para quem deseja se qualificar são os cursos de idiomas, que deixaram de ser um diferencial e se tornaram exigência do mercado”, destaca Jaques Grinberg Costa.

De acordo com Kátia Vasconcelos, até mesmo os trabalhos voluntários “turbinaram” o currículo, principalmente para aqueles que estão concluindo a faculdade. E ativar a rede de relacionamentos com antigos chefes e colegas também auxilia bastante. “Os novos profissionais são os que estão sentindo mais dificuldades para entrar no mercado de trabalho, mesmo sendo jovens, tendo uma boa qualificação e apresentando um perfil arrojado. Em um momento como este, as empresas estão buscando pessoas mais experientes, o que dificulta um pouco essa inserção. A dica é se manter sempre qualificado, participar de entrevistas, buscar atualizações e não perder o vínculo com o último estágio. Até o voluntariado é uma boa opção para dar aquela aperfeiçoada no currículo”, afirma a presidente da ABRH-ES.

Demonstrar “revolta” por ser mandado embora também não é um bom caminho: comportando-se dessa forma e reagindo de maneira inadequada ao receber essa “bomba como notícia, o trabalhador pode ver as portas da empresa definitivamente fechadas. Manter uma postura nessa hora tão difícil é fundamental para que a imagem construída ao longo do tempo não seja apagada em segundos. Quando a ficha cair, tente visualizar a “eliminação” como um o encerramento de um capítulo da sua vida. Isso ajudará a encarar a situação como uma oportunidade de um novo começo, seja para buscar um emprego que o faça mais feliz ou seja para montar o seu próprio negócio.

“A crise oferece muitas oportunidades, o que possibilita com que o profissional possa encontrar algo melhor do que o seu antigo emprego. Mas é preciso ter muito cuidado na hora de montar uma empresa para não acabar se prejudicando ainda mais. O profissional deve estudar e se atualizar sobre o mercado, ainda mais em um momento como este, em que a economia está complicada. Lembrando que não é porque você gosta de determinada área que pode se dar bem nela. O mercado também tem que gostar. Outro fator importante é o planejamento, que deve ser muito bem estruturado. Os primeiros anos sempre são mais difíceis, então também é preciso ter um dinheiro guardado para sobreviver durante esse período”, revela Ruy Dias, diretor de Atendimento do Sebrae-ES.

Cabe destacar que se, a sua opção for montar um negócio próprio, a sociedade (quando necessária) deve representar uma complementação de conhecimentos. Outro ponto que precisa ser administrado com cautela é a expectativa do negócio. Mesmo que os produtos e os serviços sejam discutidos amplamente, bem como os diferenciais aos seus concorrentes, é extremamente relevante que os objetivos de todos os sócios estejam alinhados.

Fato é que, mantido ou demitido, a vida continua. E as habilidades desenvolvidas ao longo da carreira não se perdem com o fim do vínculo empregatício. Para Jaques Grinberg Costa, toda e qualquer decisão que for tomada daqui para a frente – independentemente dos passos que se deseja seguir – deve ser marcada por foco e determinação, por pensamentos positivos de que, sim, há uma luz no fim do túnel. “Ter uma postura positiva aumenta a autoestima e a autoconfiança. Se você quer, você pode!”, orienta

A matéria acima é uma republicação da Revista ES Brasil. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.
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