Parque Tecnológico de Vitória: teremos retrocesso?

André Gomyde,
André Gomyde, presidente da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes.

Em relação ao Parque Tecnológico, é preciso ter responsabilidade com o futuro da cidade, não vendendo à população histórias que não são verdadeiras e que não irão contribuir para o seu desenvolvimento.

Que o Parque Tecnológico de Vitória é fundamental para o desenvolvimento econômico da
cidade não há dúvidas, muito embora haja uns ou outros que, ou por interesses pessoais ou por desconhecimento, tentem minimizar sua importância ou misturá-lo com outras atividades que, além de não serem compatíveis, atrapalham. Por exemplo, colocar prédios residenciais na área.

Existem interesses dos donos de um pedaço da área, dos moradores do entorno, dos
vereadores, da prefeitura. Também dos empresários de tecnologia, dos pesquisadores, dos “startupeiros”, todos interesses legítimos. Porém, nenhum deles pensando de forma integrada – ou pelo menos agindo assim – para o bem da sociedade.

Um parque tecnológico é um ambiente de geração de negócios inovadores, baseados em
pesquisa, fomentados pelo poder público e de vocação internacional. E esse ambiente pode trazer receitas de fora do País para a cidade.

Vantagens do Parque Tecnológico

O Parque Tecnológico de Vitória tem o que a grande maioria dos parques tecnológicos não têm: está ao lado da Ufes, tem apoio do Ifes e da Findes. Localizado ao lado do aeroporto, inserido em uma comunidade importante e que pode se tornar mão de obra inteligente para o parque. E, principalmente, está dentro da cidade, evitando que haja muitos deslocamentos de veículos, o que prejudicaria a mobilidade urbana.

No momento em que se debate o Plano Diretor Urbano, na Câmara de Vereadores e nas
audiências públicas, é fundamental que não se perca o que já se discute há mais de 20 anos.
Isso é fundamental para não atrasar o avanço do empreendimento e evitar que Vitória fique para trás na história dos avanços tecnológicos que o Brasil já experimenta. É uma questão de disputa de mercado.

Existe uma solução para o dilema dos proprietários de um pedaço da área. Basta que se crie um fundo de investimentos, cujos ativos serão as terras da prefeitura e desses proprietários privados. Compor uma carteira que tenha, como sócios, investidores nacionais e internacionais, cujos recursos aplicados podem ser investidos na alavancagem do parque. Os proprietários saem bem remunerados pelos seus ativos.

Bom pra todos

Assim, ganha todo mundo, especialmente a população da cidade. Isso está sendo feito em outros locais, dando muito certo. É uma ideia forte e que pode resolver o problema. Basta para isso montar uma mesa de negociações, se estruture o negócio vantajoso para todos, e se cuide do que se tem que cuidar: a captação de recursos.

Se a Câmara de Vereadores retroagir e mudar o que a Prefeitura aperfeiçoou e a maioria já definiu no PDU, será um desastre para a nossa economia. É preciso ter responsabilidade com o futuro da cidade, não vendendo para a população – na nova rodada de audiências públicas – histórias que não são verdadeiras e que não contribuirão para o seu desenvolvimento.

Palestras: Nesta semana participo como palestrante no evento internacional “Smart Cities Expo Curitiba” e o artigo da próxima semana falará sobre o evento. Até lá!

André Gomyde é presidente da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas.

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