Os rumos da eleição presidencial

Meados de agosto e a eleição, ao que parece, ainda que imprevisível, toma um rumo mais lógico, coerente. São, agora, 13 postulantes ao Planalto e que terão até o dia 15 de agosto para requerem seu registro junto à Justiça Eleitoral.


Destes candidatos, sabemos que Lula, ainda que tenha mantido a sua estratégia política de se manter em evidência está, contudo, preso, condenado em segunda instância, portanto, inelegível de acordo com a Lei da Ficha Limpa. Com isso, Fernando Haddad deve ser o cabeça de chapa do PT, tendo Manuela D´Ávila (PCdoB) como vice. Se se pode afirmar que a escolha de manter Lula candidato até o seu registro da candidatura foi uma opção política acertada – já que não sobra muito ao PT sem Lula – o mesmo não se pode afirmar com relação ao constante desrespeito às regras e às instituições republicanas.

Além do candidato do PT, há o tucano Alckmin, ex-governador de São Paulo, assentado numa ampla coligação, com muito tempo de TV e rádio, dinheiro do fundo eleitoral, palanques em muitas regiões do país e milhares de prefeitos e vereadores, bem como deputados estaduais e federais lutando por votos a seu favor. Neste quadro, pode-se vislumbrar que um segundo turno entre PT e PSDB, como ocorre desde 2002, seja provável. Aliás, essa é a tese defendida por Alberto Carlos Almeida, em seu livro “O voto do brasileiro” – obra que recomendo a leitura.

A questão, porém, no quadro em tela é a presença de Jair Bolsonaro, que pode desarrumar essa lógica de embate entre petistas e tucanos. Sem Lula na parada, Bolsonaro lidera as intenções de voto. Mesmo tendo um partido quase insignificante – PSL – com poucos recursos, quase sem apoio de outros, com dificuldades de conseguir um vice-presidente e com escassos recursos do fundo eleitoral, tem se mantido nas primeiras posições das pesquisas eleitorais.

Tem, por exemplo, um bom engajamento nas redes sociais objetivando, com isso, superar seu pouco tempo na propaganda eleitoral gratuita. Aqui, neste caso, reside o busílis da questão: nestas eleições, o tempo de TV terá a mesma importância que nos outros pleitos ou as redes sociais – Facebook, Twitter, WhatsApp, etc. – suplantarão esse predomínio televiso? Se a propaganda consagrada – rádio e TV – ainda tiver forte influência no eleitorado, ponto para Alckmin; tendo as redes sociais mais força, mais pontos para Bolsonaro. Há, ainda, com menores chances Marina Silva (REDE) e Ciro Gomes (PDT), ambos, no entanto, tiveram dificuldades de construir alianças. Marina, assim como Bolsonaro, terá pouco tempo de TV e Ciro tomou um baile de Lula que, mesmo preso, conseguiu tirar o PSB da orbita do pedetista.

Apostas, em política, são arriscadas, mas há tendências. Assim, tendencialmente, podemos ter um segundo turno: Alckmin X Haddad ou Alckmin X Bolsonaro ou, ainda, Haddad X Bolsonaro. Há que se aguardar os resultados das pesquisas após o início da propaganda na TV e mensurar os desempenhos dos candidatos. O Brasil está em compasso de espera, o mercado aflito e os investimentos congelados.


Rodrigo Augusto Prando Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Doutor em Sociologia.

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