Os desafios para o Brasil

Participei do “2017: Brazil Summit”, promovido pela Brazilian-American Chamber of Commerce, na última segunda, dia 24 de abril, no Harvard Club, em Nova Iorque. Um dos mais importantes eventos realizado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA debateu aspectos e previsões econômicas, políticas e de investimentos no Brasil.

No evento, com público-alvo formado por investidores e instituições financeiras do Brasil e dos EUA, discussões de altíssimo nível, com  formato interessante. Palestras e também os painéis de discussão com diversos palestrantes, nos possibilitou a oportunidade de acesso a opiniões distintas e até divergentes, em alguns casos.

Os desafios para o Brasil continuam os mesmos: reforma da previdência, ajuste fiscal, reforma trabalhista e recuperação da confiança para podermos voltar a crescer.

Principais observações:

· O ex-ministro Joaquim Levy destacou a participação do setor privado nos investimentos em infraestrutura para as próximas décadas. A economia mundial tem uma expectativa de crescimento de 2 a 3 vezes a atual em 2050. Logo, as demandas por mais comida, mais água e eletricidade será cada vez maiores, gerando gastos significativos com infraestrutura. E o setor privado tem um papel importante.

Existem inúmeras oportunidades de investimentos em infraestrutura, principalmente nos mercados emergentes, incluindo o Brasil. Levy atentou para a oportunidade nos fundos de investimentos, uma vez que aplicam muito pouco em infraestrutura e precisam de novas formas de retorno, principalmente os fundos de pensão.

Levy destacou que o valor próximo a USD 1 trilhão em projetos de infraestrutura nos mercados emergentes, sendo cerca de USD 250 milhões para a América Latina. Também comentou sobre o papel do BNDES para financiamento a projetos de infraestrutura.

Resumo, a tendência é de termos muitas linhas de créditos disponíveis para projetos de infraestrutura, além de novos projetos estarem sendo formulados.

Painéis

· Os painéis de discussões, bem interessantes, também tiveram como mote principal as questões ligadas a infraestrutura e possibilidades de parcerias público-privado. Adalberto Vasconcellos, responsável pela Secretaria de Investimentos Público-Privado, da Presidência da República, divulgou alguns programas e oportunidades. E ainda reiterou o empenho do governo em firmar estas parcerias.

Representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Inter-American Development Bank), Pablo Pereira dos Santos seguiu a mesma linha e apresentou oportunidades de investimentos em infraestrutura para o setor privado na América Latina.

Ele apresentou estatísticas interessantes para a América Latina acerca da participação de investimentos privados, que é bastante alta nos setores de Telecomunicações (93%) e Energia (56%). No entanto, os setores de Água e Saneamento (10%) e Transporte (23%) apresentam percentuais bastante baixos de investimentos privados, o que representa novas possibilidades de negócios.

· O painel de Economia foi o mais interessante. Tivemos apresentações de previsões e desafios impostos ao Brasil. O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcello de Moura Estevão Filho, previu um cenário para a economia brasileira “bem mais claro” em 2017.

O secretário de Política Econômica, Fábio Kanczuk, defendeu que a era da meia­-entrada no Brasil acabou. “Somos generosos ao extremo com nossa Previdência Social e a sociedade como um todo é quem paga a conta. Muita gente paga meia­-entrada e a conta acaba ficando muito cara para o conjunto da população. Isso precisa mudar”.

Ele também afirmou acreditar em um potencial de crescimento do PIB brasileiro, com a aprovação das reformas estruturais propostas pelo governo Michel Temer (PMDB) e a “redução do peso do Estado na economia” de até 3,7% ao ano. Disse ainda que sem as reformas, podemos chegar a um crescimento máximo de 2,3%. Com as mudanças estruturais e o retorno, após 25 anos do setor privado em peso na economia, podemos alcançar os 3,7%.

Em suma, este pode ser um ótimo momento para se investir no Brasil. Caso o país consiga aprovar as reformas, naturalmente teremos uma recuperação. Outro ponto de destaque foram os investimentos em infraestrutura anunciados, que irão certamente contribuir com a recuperação e desenvolvimento econômico. Pois quando falamos em infraestrutura, falamos de portos, aeroportos, rodovias etc. São investimentos importantes para aumentar a competitividade e essenciais na criação de novas vagas de trabalho.

Como sempre digo, vamos em frente!

Abel Fiorot Loureiro, consultor financeiro 
www.abelfiorot.com.br

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