Onde foi parar o velho Brasil?

Nunca dantes neste país fomos tão pobres e tão sem futuro

Um grande amigo postou nas redes um vídeo liderado por Sargentelli no qual estão dezenas de artistas, entre eles Martinho da Vila, Jair Rodrigues, João Nogueira, Alcione, Elza Soares, Clara Nunes e Beth Carvalho. Os créditos informavam que eles eram acompanhados pela orquestra da Rede Globo… Um verdadeiro “show” de samba e som brasileiro.

Agora, sem saudosismo. Onde existe um apresentador hoje que honre e prestigie, como o velho e saudoso Oswaldo Sargentelli, nosso samba e MPB?  Onde há substitutos para aqueles gênios mencionados e tantos outros?  A Globo nem conta mais com orquestra… Nem programas musicais ao vivo daquele tipo. Musical hoje têm “Amor e Sexo”, “Altas Horas”  e os (que Deus me perdoe) especiais. Pobre lembrança daquele antigo programa, aquele sim especial…

O talento, a tradição e a genialidade da música brasileira, uma das poucas coisas que restaram no mundo da imagem internacional de nosso país foram aos poucos murchando e hoje estão quase esquecidas. Mesmo em Paris ou em Tóquio, onde até nos elevadores a música brasileira era tocada, hoje são rock’n’roll e Adelle.

O jornal norte-americano “The Washington Post” chama o carnaval brasileiro de “bacanal” e diz ser difícil acreditar que um país em profunda recessão possa sair à rua para cantar e dançar.  O semanário francês Charlie Hebdo mostra um ex-presidente nosso com a mão no traseiro da imagem da Justiça, dizendo: “O Supremo brasileiro é uma m…”.  Pode ver. A pública inglesa “The Economist” enche suas capas de ataques veementes ao Brasil. Estamos morrendo. Como disse o saudoso Paulo Francis, será que o Brasil acabou e não percebemos?

Repito, não é saudosismo, é decadência mesmo. Perdemos o pouco que tínhamos de orgulho nacional e admiração mundial por nossa alegria e nossa música.  O “sertanejo universitário” substituiu a bossa nova de Jobim e Elis. O líderes nacionais mal lembram os homens do passado, com todos os seus defeitos. Os mais de 35 partidos políticos, sem nenhum conteúdo ou cara, substituem os gloriosos UDN, PTB, PSD, PC, PDC. Os programas eleitorais gratuitos são mais ridículos que as atrações humorísticas, que nem lembram os velhos geniais de Chico Anysio. O Jô Soares acabou…
O país do futuro é cada vez mais o país de um passado que não volta mais. Que bate recordes de recessão e desemprego, sujeira e doença, crime e corrupção. Crack, assaltos, hospitais em escombros, estradas esburacadas, portos e aeroportos abandonados.

Lembra que a previsão era que estivéssemos agora entre os quatro maiores países do mundo? Pois é, estamos despencando para baixo dos 10. Os índices das empresas de avaliação de risco nos seus processos de julgamento de confiabilidade ao investidor nos colocam como indignos de receber novos investimentos.

Ronald Z. Carvalho é professor convidado da Fundação Dom Cabral e palestrante

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