Obsolescência Programada

Isso acontece quando os fabricantes reduzem propositalmente a durabilidade de um produto ou dos seus componentes, de modo a forçar sua troca prematura

Quem acompanha os lançamentos de equipamentos eletrônicos, Smartphones e eletrodomésticos já sabe que o ciclo de lançamento e substituição destes dispositivos é cada vez mais rápido. A pergunta que fica é: será que estes lançamentos são realmente necessários? O novo produto tem características que fazem diferença em relação ao equipamento que está sendo substituído?

Você se lembra de quantos celulares já teve? Por que motivos trocou sua última geladeira? Por quanto tempo espera usar seu novo computador? E por quanto tempo usou o anterior?

Ao que parece os fabricantes tem adotado a prática da obsolescência programada em seus produtos. Este comportamento consiste na redução artificialmente planejada da durabilidade de um produto ou dos seus componentes de modo a forçar sua troca prematura. Também pode ser considerada obsolescência programada o lançamento de um produto sem que nele esteja contemplada a última versão do avanço tecnológico obtido pelo fabricante.

Existe alguma lei que proteja os consumidores desta prática? Apesar de não existir no Brasil  uma lei específica a respeito do assunto, o Poder Judiciário considera como prática abusiva a obsolescência programada aplicando-se aos casos identificados como obsolescência programada o Código do Consumidor e o Código Civil.

Por exemplo a Apple no Brasil responde ação judicial que teve início em fevereiro de 2013, na qual foi acusada de prática abusiva em relação ao lançamento do iPad 4 que não teria incorporado nenhuma evolução efetiva se comparado ao iPad 3. Em outras palavras, sustenta a ação que o iPad 3 já poderia ter sido lançado com as inovações verificadas no modelo posterior, tendo havido nítida prática de obsolescência programada.

Além do prejuízo para os consumidores que são lesados por estas práticas um outro problema grave acontece, a geração de lixo tecnológico

A pratica do descarte dos equipamentos eletroeletrônicos antigos sem o correto tratamento e em áreas como aterros sanitários ou perto de lençóis freáticos pode causar sérios danos ao meio ambiente.

Atualmente os resíduos eletrônicos já representam 5% de todo o lixo produzido pela humanidade. Isso quer dizer que 50 milhões de toneladas de equipamentos são jogadas fora todos os anos pela população do mundo. Se a quantidade já é grande ela vai piorar porque a previsão de crescimento é de 17,5 % ao ano.

Quando pensar em trocar seu eletrônico verifique se o novo modelo realmente traz alguma inovação importante e que fará a diferença no seu uso. Caso contrário espere para uma nova versão. Seu bolso e o meio ambiente agradecem.

Gilberto Sudré é especialista em Tecnologia da Informação, consultor e diretor de Tecnologia da Unitera

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