O surdo e nossas diferenças

Apesar de terem sofrido e ainda sofrerem discriminação na sociedade e com falta de direitos, quem está nessa condição hoje já conta com iniciativas para terem uma vida melhor

O surdo vem, através do tempo, passando por privações e sofrendo com a discriminação imposta. Na Idade Antiga a 476 a. C. eram jogados no Rio Tiger e aqueles que se salvavam eram obrigados a viver escondidos. Na Idade Média existiam leis que os proibiam de receber herança e de votar. Na Idade Moderna os surdos passam a se comunicar na Língua de Sinais e na Idade Contemporânea vieram a ser considerados incapazes de se comunicar quando no Congresso de Milão em 1880 tomou-se a decisão de excluir a língua gestual do ensino dos surdos.

Muitas conquistas e direitos foram conseguidas pelos surdos a partir de então. Em 1857 foi fundada a primeira escola para surdos no Rio de Janeiro pelo imperador D. Pedro II. Hoje temos avanços tais como a fundação da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS). Mas temos muito que avançar contra o preconceito em toda a nossa sociedade.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) atualizada em 2018 estabelece no Capítulo V em seu artigo 59 e posteriores as condições da Educação Especial oferecida pelas escolas como a criação de salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE). A Lei 10.436 de 20 de Abril de 2002 reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como a língua oficial da comunidade surda e a segunda língua oficial Brasileira.

Mas será que estamos realmente promovendo a inclusão dos surdos na sociedade. Senão vejamos. Todas as escolas estão aptas a tratar os surdos como indivíduo? A LDB está realmente sendo cumprida? Os surdos estão, realmente, sendo considerados por nossa sociedade? São perguntas que nos levam há crer que muito ainda precisa ser feito.

O surdo, como ele mesmo gosta de ser chamado, e não como deficiente auditivo como se propaga é constantemente subjugado a uma posição inferior. Ele é uma pessoa que tem toda a capacidade, inteligência e perspicácia como qualquer pessoa dita normal. Possuem uma extrema sensibilidade para a percepção de sentidos e emoções que nós ouvintes por vezes não percebemos. Relatos de pesquisadores falam de uma família que só se comunicava através de Libras e seu filho pequeno quando passou a conviver com os ouvintes não conseguia entender porque as pessoas mexiam a boca.

Os Surdos tem uma identidade própria e precisamos levantar essa questão. Precisamos entender seu próprio mundo para podermos incluir sua comunidade em nossa sociedade. Devemos encarar o seu viver como normal. Nossa capacidade se torna limitada quando encaramos o surdo especial. Em toda a sociedade existe a diferenciação e encarar a diversidade como normal pode em muito contribuir para nossa evolução.

Renato César Figliuzzi – Especialista em Educação Profissional e Tecnológica e representante institucional do Conselho de Administração do Espírito Santo CRA-ES

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