O Espírito Santo e a economia mundial em 2015

 

Quedas de preços e demandas de commodities podem prejudicar exportações capixabas

Seis anos após o início da crise econômica e financeira global, o crescimento estimado pelo Banco Mundial de 3,0% para o Produto Interno Bruto (PIB) do mundo em 2015, em relação a 2014, indica recuperação ainda fraca da economia mundial.

Se por um lado, o crescimento esperado para os Estados Unidos de 3,2% é uma boa notícia para alavancar as exportações do Espírito Santo, principalmente as exportações de produtos siderúrgicos e de rochas ornamentais para esse país, por outro, o menor crescimento da economia chinesa em 7,1%, quando em 2013 foi 7,7%, o baixo crescimento da Zona do Euro de 1,1% e a recessão que se espera para a Rússia, com menos 2,9%, afetando ainda mais a queda dos preços e/ou da demanda de commodities, entre elas o de minério de ferro e de petróleo, poderão prejudicar as exportações capixabas neste ano.

O Espírito Santo é o estado brasileiro que possui a economia mais aberta ao comércio internacional, com um Índice de Corrente de Comércio (exportação + importação em relação ao PIB) em torno de 50%, bem acima da média brasileira de 25% e semelhante ao de vários países como China (52%) e Índia (51%). Porém, a alta concentração de 89% das exportações em commodities poderá prejudicar o crescimento do PIB capixaba em 2015.

Dada a importância do comércio exterior para o crescimento do PIB no Espírito Santo, com o baixo crescimento da demanda mundial apostar apenas no comércio internacional, com o atual perfil de suas exportações, não sustentará seu crescimento no futuro próximo.

Por esse motivo, deve-se buscar ações articuladas entre o Governo Estadual e o setor industrial para o estabelecimento de uma política de médio e longo prazos que permita maximizar o retorno econômico que poderá ser obtido – levando-se em conta o alto nível de abertura que o Espírito Santo tem no comércio internacional e o seu complexo portuário atual e futuro – no sentido de viabilizar a sua participação nas Cadeias Globais de Valor.

Além disso, a continuidade de um crescimento sustentado da economia do estado dependerá, além da melhoria no ambiente macroeconômico, da retomada dos investimentos na indústria de transformação existente atualmente; dos novos produtos que passam a ser fabricados com o início de operação de várias empresas, principalmente nos setores automobilístico, naval e linha branca; da continuidade em novos investimentos para produtos de maior valor agregado; e, sobretudo, do aumento do nível de conhecimento e profissionalização da mão de obra capixaba, elevando a produtividade industrial.

Por outro lado, é necessário que sejam eliminados os gargalos existentes na infraestrutura logística do Espírito Santo, praticamente todos dependentes de ações do governo federal, como a duplicação da BR 262, a expansão do aeroporto de Vitória, a construção da ferrovia que liga o Espírito Santo ao Rio de Janeiro e o porto de águas profundas.

Dessa maneira, o Espírito Santo estará colocando todo o seu potencial voltado para a economia mundial a seu favor.

Antonio Fernando Doria Porto é engenheiro metalurgista com mestrado em engenharia de produção e em administração

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