Nova onda nas empresas é “Constelar”

Criada na Alemanha, a Constelação Organizacional surge como uma nova ferramenta para ajudar empresários e executivos

O voo parecia tranquilo. Céu de brigadeiro, nenhuma nuvem à frente. De repente, o tempo fecha. O avião encara uma turbulência. O nevoeiro em frente impede a visão e torna difícil para o piloto saber que caminho seguir.

Sem nitidez quanto à direção, fica impossível tomar uma decisão. Porém, quando a turbulência passa e o horizonte clareia, a viagem volta à normalidade. Já é possível escolher o melhor rumo para alcançar o destino desejado.

É exatamente isso o que as Constelações Organizacionais fazem para as empresas: dão transparência a situações que estão nebulosas. Essa missão pode envolver a decisão sobre lançar ou não um determinado produto, que profissional contratar para um cargo específico ou mesmo conflitos existentes em setores da companhia. Em casos desses tipos, entre outros, o constelador entra em cena para ajudar o executivo a agir e fazer a melhor escolha.

“O dia a dia de um empresário é marcado por alguns dilemas. Abrir ou fechar um negócio? Contratar ou demitir funcionários? Como inovar na empresa? A Constelação Organizacional surge como uma ferramenta para ajudá-lo a encontrar uma solução e tomar uma decisão”, explica Cesar Cordeiro, sócio-fundador da S100, empresa paulista de Capacitação Humana e Consultoria em Estratégia Organizacional.

Como se percebe, a ferramenta, apesar do nome sugestivo, não tem nada de mística. “No Brasil, esse nome é muito ingrato. Constelação, para nós, latinos, tem um entendimento meio esotérico, e o trabalho sistêmico não tem nada disso. Não vamos fazer um mapa astral da empresa”, brinca Cesar Cordeiro.

A origem, na verdade, vem da Alemanha, considerada o berço das Constelações. Coube ao psicoterapeuta, teólogo e pedagogo Bert Hellinger, na década de 1920, desenvolver,
a princípio, as Constelações Familiares, baseado em duas grandes influências: o psicodrama e a escultura familiar.

Depois de ser idealizada com sucesso para questões familiares, a ferramenta passou a ser aplicada também em empresas. Em 1995, o alemão Gunthard Weber realizou um trabalho que o fez ser considerado o “pai” das Constelações Organizacionais. Ao longo da última década, essa dinâmica se difundiu e ganhou corpo em todo o continente europeu. No Brasil, porém, o início de sua utilização ainda é bem recente.

“O fato de as Constelações serem ainda pouco conhecidas faz surgirem muitos tabus”, admite Cesar Cordeiro. “É como o trabalho de coach há 10 anos. Era algo desconhecido. Hoje esses profissionais já são mais respeitados e bastante utilizados pelos mais diferentes gestores.”

O sócio da S100 lembra que, como em qualquer área, é preciso escolher bem o profissional que vai realizar esse serviço. “Existem ‘consteladores’ e ‘consteladores’. Se você for contratar um coach, há aqueles que cobram R$ 100,00 e os de R$ 800,00 a sessão. Assim como há médicos que fazem uma cirurgia por R$ 1.000 e outro que faz por R$ 50 mil. A diferença está na qualidade do trabalho e na capacidade do profissional”, alerta Cesar.

Esse problema se verifica, segundo ele, quando um especialista em Constelação Familiar tenta oferecer seu serviço a uma empresa para a realização de uma Constelação Organizacional. Há diferenças óbvias entre a aplicação dessas duas ferramentas. A principal delas está na própria estrutura. O pertencimento a uma família vem desde o nascimento e continua mesmo depois da morte. Já no caso de uma organização, esse sentimento ligado à percepção de coletividade é temporária, além de ser uma escolha.

Isso já é suficiente para tornar o sistema organizacional mais complexo, na visão dos especialistas. O mesmo vale para a hierarquia, que tem diferenças claras entre uma família e uma empresa. Assim, o trabalho com Constelações Familiares vem sendo mais executado por terapeutas e psicólogos, eventualmente ligados ao setor de Recursos Humanos. Em termos empresariais, os facilitadores que aplicam as Constelações Organizacionais têm um perfil mais próximo ao de um consultor de empresas. Dessa forma, o modo de trabalho, as abordagens e as visões apresentam distinções, durante a utilização desses dois instrumentos.

“Muitas vezes, consteladores familiares tentam entrar no meio organizacional. E aí há um perrengue”, relata Cesar. “É preciso carregar uma bagagem de gestão de empresa. Ter conteúdo para fazer uma boa constelação organizacional.
No meu caso, fui executivo de multinacionais por muitos anos, dentro e fora do Brasil. Nessa hora, toda essa experiência enriquece o processo de contribuir para o empresário ter a maior clareza possível para a solução do seu problema.”

É essa experiência do constelador que ajuda o empresário ou executivo a desatar o nó que o impede de tomar a melhor decisão em relação a um problema ou dilema. “Às vezes, surge um nó que trava o executivo. Ele não consegue tomar uma decisão porque não visualiza a situação de forma clara. Então, a dinâmica da Constelação Organizacional traz uma maior clareza de informações, de dimensões do tema, que o ajudam a tomar uma decisão”, explica o constelador.

Em situações desse tipo, o primeiro desafio é entender a dúvida ou dilema do executivo. Para isso, realiza-se uma entrevista pessoal, em que o contratante expõe os problemas que o impedem de tomar uma decisão. Depois que a questão é compreendida, a ferramenta é utilizada para acabar com o emaranhado que paralisou o empresário. “O trabalho de Constelação não existe para solucionar um problema. Como toda e qualquer ferramenta, é usado para fazer análises e levantar informações para que o executivo tome a própria decisão. Se, depois da Constelação, o executivo não faz nenhuma ação, não adianta nada”, deixa claro Cesar Cordeiro.

Foi com a ajuda da Constelação Organizacional que um empresário do ramo imobiliário, de São Paulo, conseguiu sair de um estado de hesitação e lançar um novo produto no mercado, como conta o sócio da S100. “Esse empresário já tinha lançado um condomínio fechado e decidiu comprar um terreno ao lado para fazer um novo empreendimento. Porém, nesse meio-tempo, surgiu um concorrente atuando na mesma região. Isso fez com que ele travasse”, relata Cesar. “Então, o constelador entrou em cena para entender a situação. E o empresário expôs as ‘n’ variáveis que o deixavam confuso: ‘O concorrente está muito em cima, eu não sei mais o que faço. O mercado está ruim, a crise está muito forte’, ele dizia. Isso é o que chamamos tipicamente de um emaranhado.”

Após realizar a dinâmica da Constelação, conforme Cesar, o empresário teve a clareza de que estava emaranhado com o tal concorrente. Ele tinha um nó, de medo pessoal,
que havia jogado para o rival. “O que fizemos foi tirar o nó. A partir daí esse empresário percebeu melhor o próprio produto, os seus clientes e toda a realidade do mercado, fazendo uma leitura da situação”, detalha o constelador. “Coube a ele tomar a decisão seguinte, que o destravaria de vez.

Como já tinha o projeto pronto do condomínio fechado, só precisava lançá-lo. Então, depois de duas semanas, ele fez isso e conseguiu vender 50% dos lotes no lançamento.”
Como compara Cesar Cordeiro, a Constelação Organizacional faz parte de uma grande caixa de ferramentas que pode ser utilizada por uma empresa ou executivo para ajudar a resolver um problema. Cabe à pessoa saber em que momento usá-la.

“Imagine a caixa de ferramentas de um mecânico. Lá tem um alicate, chave de fenda, martelo etc, e cada um é usado em determinado momento. É como se a constelação também ficasse em uma caixa com várias outras ferramentas que podem ser usadas na gestão de um negócio. Dependendo da situação e da necessidade, o empresário pode utilizá-la para se desvencilhar de uma situação incômoda”, aponta o constelador.

Ouça a matéria Constelação Sistêmica

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