Nestor Gomes, um fluminense autenticamente capixaba

Muitos dos homens que se destacaram na vida econômica e política capixaba vieram de fora para aqui plantar a bandeira dos seus sonhos.

Nestor Gomes foi um deles. Nosso personagem nasceu na Fazenda Descoberta Feliz, no município de Conceição de Macabu, reconhecido como uma das mais produtivas glebas do Rio de Janeiro. Seu espírito inquieto levou-o a buscar novos e mais promissores horizontes no Estado vizinho do Espírito Santo, que já dedicava no começo do século XX intenso esforço para superar as condições ainda precárias da nossa vida social e econômica.

Guarda-livros de uma firma comercial em Castelo, Nestor Gomes vislumbrou o futuro de desenvolvimento da cidade ainda provinciana, investindo o dinheiro poupado do seu trabalho na compra de 135 alqueires de terra que sofreriam, no tempo, ampla valorização. As plantações de café ganhavam força na nossa economia, com grande peso na política de exportação e grãos para outros países. Com essa nova possibilidade de crescimento profissional, ele se transferiu para Cachoeiro de Itapemirim com a finalidade de comprar o produto, nas fontes de cultivo, para a grande companhia exportadora Hand Rand.

Os degraus superados para sua independência como homem de negócios passaram a ser curtos para essa eminente figura, que tinha pressa em conquistar novos patamares. O ano era 1908, começo de um século em que as conquistas da inteligência humana se firmaram em níveis até então sequer entressonhados. O avanço tecnológico abria novas possibilidades para o desenvolvimento do planeta, como o advento do radar, do primeiro voo do aparelho mais pesado do que o ar, da lâmpada elétrica, do telefone, do automóvel… Esse cenário exigia uma complementação que só a atividade política poderia assegurar. Nestor Gomes teve a percepção do que o momento exigia e, aos 33 anos, foi nomeado membro do Governo Municipal de Cachoeiro de Itapemirim.

Vencido o primeiro degrau de sua escalada, mudou-se para Vitória, onde, simultaneamente, ocupou a chefia do escritório da firma comercial de José Ribeiro de Souza e ingressou na política, que pedia novos e interessados lutadores. Elegeu-se deputado estadual para dois mandatos sucessivos. Já integrado ao novo espírito de participação nos negócios do Estado, foi convocado à época pelo presidente Bernardino Monteiro para assumir a Secretaria de Finanças e da Agricultura, Terras e Obras.

Em 1919, foi eleito senador da República, deixando o Congresso pouco depois para tornar-se, também por votação, presidente do Espírito Santo. Esgotado seu tempo no mandato, voltou a concorrer a pleito, sendo conduzido novamente para o Senado da República. Nestor Gomes, que alcançara os mais altos patamares em sua vida pública, viveu no entanto dias amargos com o suicídio de seu filho e a morte da esposa por tuberculose, doença na sua época incurável.

Superadas as dores das perdas, como homem de fibra, não se entregou às armadilhas do destino e voltou à atividade comercial até 1930, quando, depois da revolução que sacudiu o país, foi nomeado secretário das Finanças do Estado do Maranhão. Retornou tempos depois para o Rio de Janeiro, onde manteve uma coluna sobre finanças no “Jornal do Comércio”.


Internado num hospital, em Belo Horizonte (MG), não resistiu à gravidade da enfermidade que o acometera e lá morreu em 1941, aos 66 anos de idade. Os habitantes desta Ilha do Mel, assim como todos os demais deste Estado, renderam homenagem ao influente fluminense que se tornou, tanto como cada um de nós, capixaba de coração e mente. (Copidesque: Rubens Pontes)

Conheça a rua Nestor Gomes, Centro de Vitória/ES

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