Não sois máquina, mãe é que sois

Não sois máquina, mãe é que sois

Tomo a liberdade de parafrasear a famosa citação do incrível Charles Chaplin. Em sua obra “O Grande Ditador”, ele afirma “Não sois máquina, homem é que sois”, tratando do excesso de trabalho, das dominações, da opressão do mundo. Quero também falar aqui de opressões, mas as da maternidade.


Não somos máquinas. Somos mães. E mulheres, profissionais, e, acima de tudo, gente.
Não sabemos de tudo, não acertamos sempre, não estamos sempre felizes, não estamos sempre preparadas para enfrentar os desafios diários, não somos perfeitas. Amamos profundamente nossos pequeninos, mas também cansamos, temos medos, dilemas e dúvidas (incontáveis).

Chega dessas tais regras prontinhas, fórmulas maravilhosas, dos pitacos desnecessários, de gente que sabe tudo – mas no fundo não sabe de nada –, de comentários maldosos.
Chega de “supernannys” com seus “incríveis e infalíveis” métodos (a maioria, a meu ver, bastante questionáveis) de como tornar seu filho pequeno um verdadeiro robozinho que não chora, não faz pirraça, obedece sempre, aceita, todos os dias, uma alimentação superbalanceada, não grita, não faz xixi na cama, “sabe” dormir sozinho (e dorme a noite toda), não pede colo. Ora, as crianças também não são máquinas. São apenas crianças, com todo o pacote que faz parte da infância, assim como fomos todos nós. Cada uma com sua individualidade.

Chega dos inesgotáveis olhares de crítica. Como se todas as pessoas que nos olham condenando fossem detentoras do conhecimento supremo sobre como criar o filho ideal. Existe criança ideal? Muitos que julgam nem filhos têm.

Chega dessas tais regras prontinhas, de fórmulas maravilhosas, dos pitacos desnecessários, de gente que sabe tudo – mas no fundo não sabe de nada -, de comentários maldosos

Dicas conscientes e bem-intencionadas são bem-vindas, claro, mas não os dedos inquisidores. O olhar do seu filho, seu contato estreito com as reações e emoções da criança, essa intimidade que somente uma mãe tem, dizem muito mais para você do que qualquer supermanual de como cuidar dos pequenos ou como ser uma supermamãe.
Podemos errar. E acertaremos também, muitas vezes, porque nossa intuição materna, se a gente se permite vivê-la, é nosso melhor guia.

O que as crianças mais precisam não é de uma mãe perfeita, irretocável, mas de uma mãe real, com seus erros e acertos, humana. Do amor dessa mãe de verdade, que, às vezes, fica meio maluca no dia a dia, mas não deixa de dar o colo, o conforto, o aconchego, o calor e o afeto.

Mãe que, apesar de todas as dificuldades cotidianas, não deixa que seu filho se sinta sozinho em sua caminhada. Não aplica fórmulas prontas, mas sente sua criança como ela é e oferece o que, de fato, ela precisa (que, geralmente, é bem mais do que apenas atos disciplinadores e cheios de conceito).

Então, respire. Peça ajuda, sim, se precisar. Mas nunca deixe de confiar em si mesma. Buscando sempre um caminho mais suave, você conseguirá fazer o que tem de ser feito, independentemente de toda a opressão e cobrança ao seu redor.
Não somos máquinas, não somos perfeitas (alguém é?). Simplesmente mães. Essa condição já nos torna, com nossas grandezas e fraquezas também, capazes de fazer nosso melhor. Tenha certeza.