Movimentos pendulares e a (i)mobilidade urbana

Pablo Lira é professor do Mestrado em Segurança Pública da Universidade Vila Velha (UVV)

Compreender a complexidade dos movimentos pendulares é essencial para subsidiar políticas públicas de mobilidade

Os aglomerados urbanos passaram, nas últimas décadas, por um processo acelerado de expansão e reestruturação de espaços e funções, refletindo transformações sociais, econômicas, culturais e políticas. As novas dimensões incluem a desconcentração das atividades econômicas do polo para outras áreas no espaço metropolitano que se tornam novas centralidades.

Observa-se a tendência de redução do ritmo do crescimento das aglomerações urbanas, decorrente da diminuição da migração rural, que com seus efeitos diretos e indiretos foi o principal motor do processo de urbanização durante as décadas de 1960 a 1980, e das baixas taxas de fecundidade que caracterizam a fase atual do processo de transição demográfica. Contudo, essas regiões mantêm crescimento positivo e mais elevado que os níveis médios atuais.

Nesse cenário intensifica-se a migração intrametropolitana, em particular os deslocamentos de curta distância, cujas características refletem o nível de integração entre as unidades que compõem a metrópole e os fatores que os condicionam. A intensidade e a direção desses fluxos funcionam como um “termômetro” das diferenças entre as localizações das estruturas socioeconômicas e da moradia.

Esperamos que 2019 represente o ano no qual a mobilidade urbana seja priorizada de fato nas regiões metropolitanas brasileiras

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o termo mobilidade espacial (ou física) designa fenômenos ligados aos deslocamentos no espaço geográfico. A migração é definida como um conjunto de movimentos, tendo por finalidade a transferência de residência dos indivíduos de certo lugar de origem ou partida a um lugar de destino ou chegada. E essa mudança entre unidades administrativas é o critério adotado para distinguir a migração convencional de diversos tipos de mobilidade espacial que não implicam mudança permanente, movimentos temporários, diários, semanais ou sazonais, com duração e abrangência territoriais variáveis.

Nas primeiras fases da transição demográfica, os níveis elevados dos componentes do crescimento natural resultam em baixas taxas de crescimento demográfico; a migração é limitada nessas regiões caracterizadas por práticas econômicas tradicionais. À medida que a mortalidade declina e a fecundidade continua elevada, registra-se a produção de um excedente populacional, sobretudo na área rural, dando início a um intenso processo de migração rural-urbana, dirigida às colônias de povoamento.

Em fases mais adiantadas de modernização da sociedade, de transição urbana e demográfica, a mortalidade e a fecundidade atingem níveis próximos, crescem as migrações interurbana e intraurbana e diversas outras formas de mobilidade que não implicam mudança de residência, os movimentos pendulares e sazonais e a circulação.

Entender a complexidade dos movimentos pendulares para trabalho e estudo com base empírica, sobretudo em regiões metropolitanas como a da Grande Vitória, torna-se essencial para subsidiar a elaboração e a implementação de políticas públicas efetivas de mobilidade. Essa é uma perspectiva necessária ao desenvolvimento dos Planos Municipais de Mobilidade Urbana, que devem ser articulados com os Planos Diretores Municipais. Esse é um desafio, uma agenda que está colocada, principalmente, aos municípios integrantes dessas regiões. Assim, esperamos que 2019 represente o ano no qual a mobilidade urbana seja priorizada de fato nas regiões metropolitanas brasileiras.

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