Entre avanços e recuos, mercado de trabalho toma fôlego para 2018

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No Espírito Santo há um total de 278 mil pessoas sem emprego

Após um ano de instabilidade, 2018 ainda promete desafios, mas também retomada e oportunidades de emprego

O ano de 2017 foi marcado por oscilações no mercado de trabalho, adiando para 2018 uma esperança mais consistente de dias melhores. A mais longa recessão da história do Brasil fez despencar o número de trabalhadores com carteira assinada no país, além de deixar 12,961 milhões de pessoas desempregadas até setembro de 2017, depois de ter atingido a maior taxa da história, no mês de março, quando havia no país 14,2 milhões sem colocação no mercado de trabalho – 13,7% da população. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Espírito Santo, o cenário não é diferente. São 278 mil capixabas sem emprego. O trimestre encerrado em setembro registrou um índice de 13% de desempregados. O número é maior em 9,6% que o mesmo período do ano anterior, um aumento de 24.000 pessoas sem ocupação formal ou informal. No entanto, são 4.000 pessoas a menos que no trimestre anterior, encerrado em junho.

O mês de outubro trouxe um novo fôlego para os capixabas, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho: foram criados 1.555 postos de trabalho com carteira assinada. O setor que alavancou essa variação positiva foi o comércio, que admitiu 962 trabalhadores, seguido pelos segmentos de produtos alimentícios e bebidas, metalurgia e serviços. Na contramão, o setor de agropecuária registrou a maior perda de vínculos no período, com 151 demissões.


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Fonte: Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged/ MTE Elaboração: Coordenação de Estudos Econômicos – CEE/IJSN.

Para o mestre em Economia Empresarial e professor universitário Antônio Ricardo Freislebem da Rocha, a redução dos postos de trabalho ocorrida ao longo dos últimos anos é consequência de vários fatores: da crise econômica, da qual todos os setores sentiram os efeitos; da crise hídrica, que prejudicou diretamente a agropecuária, atividade intensiva em mão de obra, reduzindo principalmente as lavouras de café (uma das principais commodities do Estado); da paralisação da Samarco, que afetou diretamente a indústria e reduziu o número de empregos inclusive no comércio e nos serviços, em especial nos municípios de sua abrangência.

“Os números do mercado de trabalho mostram que o ano de 2017 apresentou leve recuperação. No entanto, isso ainda não foi suficiente para recuperarmos o estoque de empregos que alcançamos antes da crise econômica. Em particular, o ano de 2017 foi marcado por alterações na legislação trabalhista, que se farão sentir num futuro próximo”, explicou o pesquisador, referindo-se à recém-aprovada reforma trabalhista.

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Fonte: Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged/ MTE Elaboração: Coordenação de Estudos Econômicos – CEE/IJSN.
Incógnita

A entrada em vigor das alterações feitas pela Câmara à CLT, aliás, foi outro fator que fez de 2017 um ano atípico para empresários e trabalhadores. O advogado trabalhista Raphael Coelho acredita que os impactos dessa reforma serão vistos realmente a partir de 2018. “O alcance da reforma trabalhista ainda é ponto de muita controvérsia, que só será mitigada com o tempo. O Judiciário especializado apontou alguns posicionamentos que deve manter no futuro. E, ao que tudo indica, a tendência é que seja mantida a visão paternalista atual, aplicando-se a melhor interpretação em benefício do funcionário, seja pela antiga norma, seja pela lei pós-reforma”, disse o especialista.

O advogado aponta que, no ano de 2016, a Justiça do Trabalho do Espírito Santo movimentou mais de R$ 2 bilhões, retirando esses valores dos setores produtivos. Com as mudanças recentes na legislação trabalhista, esse custo tende a ser maior, sobretudo pela previsão de pagamento de multas e honorários ao sucumbente, ou seja, àquele que perder a ação trabalhista.

“O alcance da reforma trabalhista ainda é ponto de muita controvérsia, que só será mitigada com o tempo” – Raphael Coelho advogado trabalhista

Competitividade

Um dos impactos desse cenário instável no mercado de trabalho capixaba foi a queda do Espírito Santo no Ranking de Competitividade dos Estados, em que caiu da 6ª para a 8ª colocação, com 55,1 pontos – 6,9 a menos do que no ano passado mas, ainda assim, acima da média nacional, de 47,9.

Esse estudo, realizado desde 2011, é considerado um dos mais completos do gênero no país. Avalia a performance dos 26 estados e do Distrito Federal em 10 pilares: capital humano, educação, eficiência da máquina pública, infraestrutura, inovação, potencial de mercado, segurança pública, solidez fiscal, sustentabilidade ambiental e sustentabilidade social. Destes, os que mais contribuíram para a diminuição da competitividade capixaba foram o potencial de mercado (que ficou na 26ª posição) e a solidez fiscal (20º), sobretudo pelas quedas da taxa de crescimento do mercado e da capacidade de investimento, respectivamente.


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