Maria Nilce Magalhães relembrada em espetáculo de dança contemporânea

Foto: Tati Hauer

Trechos da vida da jornalista serão retratadas por meio de sensações, emoções, cores e ângulos

Após circular por cidades do interior do Estado, o espetáculo de dança contemporânea Poison chega à Vitória nesta sexta-feira (31), em sessão única, às 19h30, no Centro Cultural Sesc Glória.

No palco, as bailarinas Thayná Fabiano, Priscila Lages, Karollyne Tristão, Polyanna Senna e Rayanne Guimarães vão retratar trechos da vida da colunista social Maria Nilce Magalhães, assassinada no dia 5 de julho de 1989.

Foto: Tati Hauer

Maria Nilce foi uma mulher a frente do seu tempo. Essa afirmação poderá ser conferida nas passagens da sua vida em destaque no espetáculo, que também teve como base conversas com amigos e familiares da jornalista.

Poison é um mergulho, por meio da dança, no passado da mãe e mulher, que escancara aos olhos do espectador a vida como ela é, com erros, acertos, beleza e violência, tal como foi a vida de Maria Nilce. “Fomos em busca de detalhes e ficamos totalmente encantados com a ousadia dela, que teve uma presença marcante na sociedade capixaba”, declarou o produtor cultural Artênio Dutra, idealizador do espetáculo.

A cada movimento das bailarinas a luz provoca sensações e emoções através da intensidade, cores e ângulos. Escrevendo sua própria dramaturgia, dialogando com os demais elementos que compõe a estética do espetáculo e revelando os pensamentos, prazeres e ideologias da inquietante jornalista. Uma curiosidade: o nome do espetáculo é uma referência ao perfume preferido de Maria Nilce.

Foto: Tati Hauer

O figurino de “Poison”, assinado pela designer Dayse Maciel e pela figurinista Angela Mendes, traz referências obtidas via acervo fotográfico da homenageada. E todo o processo de produção foi feito de forma colaborativa entre a equipe responsável pelo espetáculo, já que a troca de impressões sobre Maria Nilce foi intensa.

“Construímos um perfil baseado nas nossas percepções a cerca da mulher e profissional Maria Nilce. Nossa meta é mostrar ao público o furacão que foi esta mulher de coragem, uma figura realmente peculiar”, afirma Artênio Dutra.

Com designer de luz concebido por André Estefson, o espetáculo levará o público a mergulhar na intimidade, devaneios, introspecções, o amor à família e a coragem desse furacão em torno da personalidade multifacetada e peculiar de Maria Nilce Magalhães, desvelando sua trajetória profissional bastante polêmica no jogo dialético das relações sociais e de poder.

Violência contra a mulher em pauta

O idealizador do projeto, Artênio Dutra, explica que, após exibição de Poison para alunos do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, em Vitória, foi levantada a questão do feminicídio no Espírito Santo, que está entre os Estados com maior índice deste tipo de crime.

“Mesmo não sendo essa a intenção direta do trabalho, acreditamos ser conveniente abordar este assunto, já que casos como de Maria Nilce Magalhães, Araceli Cabrera Sánchez Crespo, Milena Gottardi Tonini Frasson e outras tantas mulheres invisíveis pontua uma questão que deve ser sim conversada abertamente e que nos permite novas reflexões, muito mais profundas sobre o assunto, tendo a arte como um meio de veiculação destas informações”, declara.

Espetáculo de dança contemporânea Poison
Data: 31 de agosto (sexta-feira)
Horário: As 19h30
Local: Centro Cultural Sesc Glória, em Vitória
Ingressos: R$10 (inteira) | R$6 (comerciantes e conveniados) | R$5 (meia entrada e comerciários)
Pontos de vendas: bilheteria do teatro
Classificação livre
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