Macrologística do agronegócio

A contribuição da Embrapa
Enio Bergoli é Engenheiro Agrônomo, ex-Secretário de Agricultura do Espírito Santo

A contribuição da Embrapa

Recentemente, em fins de 2017, foi inaugurado em Campinas (SP) a Embrapa Territorial, novo centro de pesquisa da instituição. Pouco tempo depois, em março deste ano, a nova unidade lançou o Sistema de Inteligência Territorial Estratégica (SITE) da Macrologística Agropecuária. São notícias e fatos importantes para o agronegócio nacional, sob várias óticas: economicidade, integração, sinergia, informação, planejamento, logística, inteligência, competitividade, dentre tantos outras.

A Embrapa Territorial é resultante da unificação de três unidades da Embrapa: Grupo de Inteligência Territorial Estratégica, Embrapa Gestão Territorial e Embrapa Monitoramento por Satélite. A inteligência territorial é uma das cinco prioridades da Embrapa para o futuro.

Desde a sua fundação, e por muitos anos, a principal referência pública de pesquisa agropecuária do Brasil pautou suas ações basicamente no locus “dentro da porteira”, com foco nos processos produtivos. Contudo, nas duas últimas décadas, a Embrapa sofreu pressão, principalmente das representações dos elos mais organizados e representativos do agro nacional, e foi revendo sua atuação para além dos limites da propriedade rural.

O Sistema da Macrologística (https://www.embrapa.br/macrologistica/estudos-logisticos) reúne, em base georreferenciada, dados sobre a produção agropecuária, exportações, caminhos da safra e bacias logísticas. Disponibiliza dados sobre áreas de produção e aponta entraves e oportunidades de investimentos logísticos, atuais e futuros. São informações estratégicas e fundamentais para ampliar a competitividade das principais cadeias agropecuárias brasileiras: soja, milho, café, laranja, cana-de-açúcar, algodão, papel e celulose, aves, suínos e bovinos. Juntas, essas elas representam mais de 90% da relevância e da movimentação de cargas do agronegócio do País.

“o custo logístico decorrente das deficiências em infraestrutura tem maior impacto na competitividade do agro nacional”

Estudos

Já estão disponíveis 15 estudos sobre a macrologística. Por exemplo, três deles apontam obras viárias prioritárias para o fortalecimento do agronegócio nacional. Somente em 2016, houve a fantástica movimentação, para consumo interno e externo, de 1,6 bilhão de toneladas de produtos agrícolas e fertilizantes, com 42,7 milhões de fretes realizados.

Essa base de informações é de muita utilidade para avaliar a situação da infraestrutura dos modais de escoamento, bem como identificar prioridades de investimento atuais e no longo prazo. A agricultura e a pecuária brasileira têm elevado suas produtividades nas últimas décadas, fruto da modernização tecnológica e do uso de práticas que aumentam a sua eficiência.

Contudo, quando a produção sai pela porteira, parcela significativa desse ganho interno de eficiência acaba por se perder em face dos gargalos na infraestrutura de escoamento, em todo o território nacional. Os especialistas em logística são unânimes ao afirmar que o custo logístico decorrente das deficiências em infraestrutura tem maior impacto na competitividade do agro nacional, em relação a qualquer outro segmento da economia.

A partir dessa contribuição da Embrapa, o poder público e o setor privado dispõem de uma ótima ferramenta para tomada de decisão para planejamento e ação. Reduzir a desigualdade na eficiência dentro e fora da porteira no agronegócio nacional é premissa para que o país se mantenha como uns dos principais líderes mundiais na oferta de alimentos.


Enio Bergoli é Engenheiro Agrônomo, ex-Secretário de Agricultura do Espírito Santo

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