O que falta para a Samarco voltar a funcionar?

Cava de Alegria Sul, da Samarco
Foto: Mike Figueiredo

Após conquistar a licença para uso de uma cava, falta um passo para a empresa operar com um terço da capacidade.

O rompimento da barragem de Fundão da mineradora Samarco, em Mariana, aconteceu em novembro de 2015 e não apenas causou a morte de 19 pessoas e afetou 39 cidades da Bacia do Rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo. O desastre também trouxe como consequência grande impacto econômico e, por isso, social.

Somente dois anos após a tragédia, a empresa conseguiu a primeira licença ambiental e deu importante passo para voltar a funcionar. Agora, o que falta é a aprovação do licenciamento operacional corretivo (LOC), proposto pela companhia, que prevê o tratamento dos rejeitos minerais e a reutilização de águas residuais.

Desde então, as operações estão paralisadas no Complexo de Germano (MG), nos minerodutos e no Complexo Industrial de Ubu, em Anchieta (ES). Os municípios já registraram grande queda na arrecadação de impostos, em consequência de demissões de funcionários e da redução de vendas nos comércios locais.

A situação dos lugares mais afetados economicamente pode melhorar com a sinalização do retorno das operações da Samarco em Mariana. A empresa já conseguiu, no fim do ano passado, uma importante licença para instalação de uma cava localizada no interior do próprio complexo para depósito dos rejeitos da produção mineral.

Em outubro de 2016, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) cancelou todas as licenças ambientais do Complexo de Germano. Então, a empresa propôs o processo de LOC para incorporar novas soluções no tratamento de rejeito e regularizar as permissões.

“Os estudos realizados comprovam que a retomada das operações da Samarco é viável e segura”, afirma o diretor-presidente, Roberto Carvalho. “Tivemos muitos aprendizados e propomos novas soluções para tratamento dos rejeitos.”

Cava de Alegria Sul

O Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) de Minas Gerais aprovou a primeira licença ambiental da mineradora em 11 de dezembro. Agora, a Samarco pode fazer as obras de adaptação da Cava de Alegria Sul, que é um buraco escavado pela extração de minério. A cava é um espaço que pode confinar mais de 14 milhões de metros cúbicos de material.

Com base em estudo de impacto ambiental referente ao LOC, a Samarco planeja filtrar o rejeito arenoso, que corresponde a 80% do total gerado após beneficiamento do minério de ferro. A filtragem retirará a água, permitindo o empilhamento do material. Os outros 20% são de lama, que deve ser adensada. Esse processo também retira água do rejeito e reduz o volume destinado à cava.

De uma maneira ou de outra, há a geração de água residual que pode ser reaproveitada. Além disso, a empresa aumenta a vida útil do lugar e a expectativa é de que a cava possa funcionar como depósito por cinco anos. Sem esses processos, ela suportaria 20 meses de atividade.

Volta das operações

A preparação da cava de Alegria Sul precisa de cerca de seis meses, após o início dos trabalhos. Atualmente, a companhia possui reservas de 2,86 bilhões de toneladas de minério. A intenção é iniciar as operações com um terço da capacidade, recorrendo a apenas um dos três concentradores. A projeção era de retomar 60% da capacidade, mas a Prefeitura de Santa Bárbara não suspendeu a permissão para captar a água necessária. A Samarco, então, só pode usar fontes internas e já outorgadas.

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