Liderança servidora

De volta ao topo das competências organizacionais

Quem não se lembra do livro “O Monge e o Executivo”, que se transformou em best-seller nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 2004? A obra é escrita pelo consultor James C. Hunter, que visitou o país diversas vezes, numa das quais tive o prazer de conversar pessoalmente com ele na ilha de Vitória, a linda capital do Espírito Santo.

O livro aborda a essência da liderança, ao contar a história de um empresário que foi experimentar o novo em um mosteiro beneditino e aprendeu sobre a liderança servidora.

Importante recortar que os conceitos de liderança não são eternos e estáticos. Eles evoluem, à medida que a sociedade evolui. E a prova está nas rupturas próprias do ambiente organizacional, dentre as quais: a geração baby boomer continua trabalhando aos 70 e 80 anos; a geração millennials já é mais da metade da força de trabalho; o digital está em todo lugar; jovens querem acelerar o crescimento na carreira e demandam um ambiente de trabalho mais flexível; há uma necessidade de senso de propósito e um ambiente muito mutável.

E atualmente? Há alguma coisa nova nessa área de liderança?

Sim, há novidades, e elas estão sendo reveladas pelas escolas de negócios no Brasil e no exterior, cujo ponto alto vem sendo o foco em liderança servidora como estratégia para empoderar equipes em busca de alto desempenho.

Ao líder atual é necessário não apenas liderar a equipe mas também servir o seu time para que este, por sua vez, realize o trabalho e atinja os resultados necessários e almejados dentro das organizações.

Essa nova visão obriga a um novo investimento: a mudança do modelo mental – chamado em neurociência como mindset – antigo, com o acréscimo de competências comportamentais muito importantes: integridade, ética, transparência, criatividade, delegação, persuasão, inteligência emocional e alta capacidade de formar times de alta performance.

A necessidade do novo modelo mental reside no fato de que o novo líder precisa
aprender a conciliar os conceitos mais antigos com as novas práticas, unindo
pessoas seniores com os jovens que estão chegando à teia organizacional e, nesta
mistura, gerar os resultados.

A liderança tem como base o exemplo e, se assim o é, o exemplo precisa estar fundamentado em pilares comportamentais que transbordem entusiasmo, caráter, firmeza, capacidade de realização e visão em longo prazo.

Esses comportamentos precisam ser mapeados e desenvolvidos, razão pela qual os investimentos em formação de liderança estarão, de novo, no centro dos investimentos em recursos humanos nos próximos anos, com ênfase em treinamentos multifuncionais, sempre com foco em formação de líderes de equipes; ou seja, menos individualismo e mais coletividade nas organizações.

Essa é a tendência que se desenha para este novo tempo no Brasil e no mundo.

Adilson Neves é palestrante, consultor e professor em MBA

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