Jerônimo Monteiro – Educação como instrumento de progresso

Jerônimo Monteiro já possuía visão de estadista quando assumiu o Governo capixaba, em 1908. Sua sólida formação humanística começou a ser forjada no Colégio do Caraça, “plantado” no alto da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, por onde passaram alguns dos mais eminentes homens públicos do país, como os presidentes Afonso Pena e Arthur Bernardes.

O Espírito Santo necessitava, para vencer o futuro, mais do que de sua vitoriosa cultura do café.  Jerônimo Monteiro percebeu essa premissa quando  determinou a instalação do sistema de energia elétrica em Cachoeiro do Itapemirim e em Vitória, iniciativa que possibilitou a construção do primeiro complexo industrial do Estado, com a produção de cimento, óleo e açúcar no sul do Estado.

Paralelamente a esse plano do Executivo, nosso personagem realizou provavelmente seu maior passo para que o Espírito Santo ganhasse foro de Estado progressista, com o projeto de reforma no setor educacional dos ensinos primário e secundário e a criação da Secretaria da Instrução. A Escola Modelo, então implementada, servia como estágio para alunos da Escola Normal, seguindo normas administrativas e pedagógicas, grande avanço na área para a época.

A trajetória na política, até sua escolha para a presidência do Estado, em 1908, foi marcada por sua instrução acadêmica na Faculdade de Direito de São Paulo,  onde se formaria aos 24 anos de idade, também ali  assinalada  pela convivência com figuras que se projetariam, como ele, na vida pública brasileira. Oriundo de uma oligarquia política com forte presença no Espírito Santo, elegeu-se deputado estadual pelo PRC – Partido Republicano Construtor,  em 1895. Foi depois vencedor em pleitos sucessivos para quatro mandatos de deputado federal, a partir de 1897 até 1918, quando, rompido com o PRC, fundou o  
PL – Partido da Lavoura.

A  derrota do seu candidato ao Governo do Estado para Muniz Freire  o levou a se afastar da política, transferindo sua residência para a cidade paulista de Passa Quatro. Proprietário rural, advogado, Jerônimo Monteiro encontrou nos meios de comunicação instrumento para, como jornalista, divulgar suas ideias e ideais. O chamamento da terra natal, no entanto, tornou-se imperioso  e assim ocorreu seu  retorno ao Espírito Santo.

Já casado com Cecília Bastos, pai de oito filhos, foi alvo de uma trama do destino que o colou de novo na linha de frente das disputas locais. O quadro partidário favorecia seus propósitos. O atrito político do então governador estadual, Henrique Coutinho, com o senador Muniz Freire abriu-lhe novas possibilidades, e ele se lançou postulante à cadeira do Executivo capixaba. Com o apoio do presidente da República, Afonso Pena, tornou-se candidato único. Governou até 1912, quando, encerrado o período de sua administração, candidatou-se e se elegeu deputado estadual e, posteriormente, deputado federal, para o período 1915-1918.

Sua presença no Congresso Nacional  foi encerrada com a eleição para senador – 1918-1927, quando, como candidato avulso, foi derrotado e deixou a vida pública, mudando-se definitivamente para o Rio de Janeiro. Faleceu na antiga capital da República, no dia 23 de outubro de 1933, aos 63 anos de idade, quase todos dedicados a tornar o Espírito Santo o grande Estado dos seus sonhos.

Os capixabas, por seus representantes na  Câmara Municipal, referendada  pelo Poder Executivo da cidade de Vitória, homenagearam a memória do seu grande benfeitor, nascido na Fazenda Monte Líbano, em Cachoeiro do Itapemirim, com seu nome intimamente ligado  a decididas  iniciativas para o desenvolvimento do Estado. (Copidesque: Rubens Pontes)

Jerônimo Monteiro também “virou” cidade. Em 1958, no dia 28 de novembro, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo aprovou a Lei Estadual nº. 1.416, transformando em município o distrito de Vala do Souza, no sul do Estado, que recebeu a denominação de Jerônimo Monteiro, em homenagem ao ilustre ex-governador do Estado.

Conheça à Avenida Jerônimo Monteiro, Centro de Vitória/ES

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