Janeiro Branco: psicóloga alerta para a importância da saúde mental

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A depressão acomete muitas pessoas no mundo, mas menos da metade delas tratam adequadamente a doença

Mais de 300 milhões de pessoas sofrem com depressão em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A depressão é a principal causa de incapacidade e contribui de forma importante para a carga global de doenças.

Um relatório divulgado pela organização em abril de 2016, aponta que mais de 800 mil pessoas se matam todos os anos, ou seja, a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida. O problema é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade.

Além disso, cerca de 79% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média renda. De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, de 2007 a 2016, 106.374 pessoas morreram em decorrência do suicídio.

Para evitar e falar sobre o problema foi criado o Janeiro Branco, uma campanha que visa a convidar as pessoas a pensarem sobre suas vidas, o sentido e o propósito das suas vidas, a qualidade dos seus relacionamentos e o quanto elas conhecem sobre si mesmas, suas emoções, seus pensamentos e sobre os seus comportamentos.

A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Anhanguera – Santana, Lizandra Brandani. – Foto: Divulgação

A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Anhanguera – Santana, Lizandra Brandani, explicou a importância em discutir o tema e como um profissional da saúde pode auxiliar as pessoas que sofrem de depressão.

A depressão é considerada uma doença?

Sim. É uma doença complexa que traz consequências físicas e emocionais. Já está catalogada na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, também conhecida como Classificação Internacional de Doenças (CID 10) e no Manual Americano de Saúde. O problema é que, na maioria das vezes, há uma má interpretação e, muitas vezes, o problema é confundido com tristeza ou preocupações passageiras.

Acredita que a doença já pode ser considerada o “mau do século”?

Há algum tempo já podemos considerar uma possibilidade. Podemos observar que o sofrimento humano está presente no âmbito pessoal, familiar ou profissional. Os vínculos afetivos estão cada vez mais frágeis, do mesmo modo que as relações se tornam cada dia mais superficiais. Tais motivos corroboram com o aumento de problemas relacionados à saúde mental.

É possível considerar que a maioria dos casos de suicídio são provenientes da depressão?

Alguns casos são, mas não podemos atribuir todos eles à doença. Isso é mais uma questão do modo em que as pessoas estão vivendo. Anteriormente, as pessoas viviam na espera, tinham um modo de vida mais tranquilo. Hoje, é tudo dinâmico, as mensagens são rápidas, tudo está diferente. Não há dúvida de que as razões são multifatoriais, envolvendo fatores de ordem social, biológica e psicológica. Para cada pessoa pode haver o predomínio de um destes fatores, especificamente.

Qual é a importância em se falar no Janeiro Branco?

Tenho experiência há 20 anos na área de psicologia e observo que, principalmente nas festas de fim de ano, a depressão surge com mais força nos pacientes. No começo do ano, as pessoas começam a planejar suas vidas, a se programar e cuidar mais de si, como começar a praticar exercícios físicos, estudar, entre outras coisas. E agir desta forma faz parte da saúde mental. É importante discutir o assunto, levar conhecimento às pessoas, incentivá-las a buscarem ajuda e ensinar como lidar como uma pessoa que sofre de depressão.

Fonte: Minha Vida

Como o psiquiatra e o psicólogo interferem na saúde do paciente?

Não podemos descartar que a depressão é uma falha química do cérebro, por isso não há um exame clínico para detectá-la, como se faz para detectar um câncer, por exemplo. Por isso, é tão importante quanto ir a um especialista para tratar da depressão. É necessário manter o tratamento pelo tempo que for determinado pelo profissional e seguir as recomendações médicas até perceber alguma melhora. Além disso, é preciso ter integração dos profissionais de psiquiatria e psicologia, pois esse último é o que acompanha as emoções do paciente e ele vai dar gatilhos para que ele melhore consideravelmente.

Acredita que existem poucas ações para promover a saúde das pessoas que sofrem de depressão?

Dados científicos mostram que pessoas que tem acompanhamento psicológico desde criança são mais felizes e seguras quando adultos. Na Austrália, por exemplo, existe o método “Friends”, em que as crianças têm uma disciplina curricular chamada “alfabetização emocional”, em que elas aprendem a lidar com os sentimentos e a ter mais interação entre elas. Com isso, foi detectado que os índices de suicídio no país reduziram consideravelmente. Desta forma, se aplicássemos esse método em todas as redes de ensino do Brasil poderia haver diferença nos resultados. É importante que sejam feitas rodas de conversas, palestras entre outras ações. Tem que ser um trabalho contínuo e não apenas em um mês.

Os diagnósticos da doença estão sendo confiáveis? A população tem adoecido mais?

Na verdade, a cultura de medicalização está em alta. Acredito que muitos diagnósticos estão sendo dados incorretamente, por isso muitas pessoas estão tomando remédios, em vez de terem outro método de tratamento sugerido. O Brasil é o segundo maior país em que a população consome Rivotril, por exemplo, e, na maioria dos casos, não é necessário. Estamos na cultura de que tudo será resolvido com medicação e não é bem dessa forma.

Como pode ser tratada a depressão?

Além da terapia com um profissional, é importante praticar exercícios físicos para liberar endorfinas e aumentar os níveis de serotonina e dopamina no organismo, fazer uma agenda e programar o dia ajuda a dar motivação e compensar essa defasagem, alimentar-se bem, são algumas das atividades para afastar os sintomas da doença.

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