Ivan Aguilar: “Cada pessoa deve vestir aquilo que lhe agrada e traz boas sensações”

O estilista Ivan Aguilar fala sobre o desenvolvimento da moda no Espírito Santo

* Matéria escrita por Vitor Taveira na edição 105 de 2014 da Revista ES Brasil

Em fevereiro, o estilista capixaba fez sua estreia na Semana de Moda de Nova York. Reconhecido por seus desenhos de roupas masculinas ele enfrentou o desafio de apresentar uma coleção feminina num dos principais palcos da moda mundial, onde foi aplaudido e recebeu atenção da imprensa especializada de todo o mundo.

Foi um desafio lançar uma coleção feminina, já que há muito tempo vinha se dedicando à moda masculina? 
Sim, foi desafiador, mas eu me preparei há dois anos para esta estreia. Me dediquei ao estudo das modelagens e a pesquisa. Quando entramos na passarela, já sabia perfeitamente o que a consumidora americana precisava.

Com cada vez mais espaço nos cargos de poder e decisão, a mulher tem mudado sua forma de vestir? 
A mulher muda o seu jeito de vestir a cada temporada, não apenas pelos efeitos da independência, mas também pelo apelo da indústria da moda. A moda evolui a cada estação. A mulher consome e isso colabora para o crescimento do setor de maneira vertical.

O senhor foi alfaiate dos ex-presidentes Lula e José Sarney. Quais os cuidados um homem público deve tomar ao se vestir? 
Sempre prezar pela discrição, cores sérias e neutras. Gravatas regimentais e camisas claras.

O que aprendeu estando nos bastidores do poder no Brasil? 
Aprendi que o silêncio vale ouro a discrição é igual à prata e o calar é bem parecido com o bronze.

E o empresário como deve preparar sua vestimenta?  
Cada pessoa deve vestir aquilo que lhe agrada e trás boas sensações. Existem empresários que nem necessitam usar ternos ou costumes, mas os que usam, devem lançar mão de um bom personal stylist para não fazer feio. Já os políticos usam da cartilha do bom senso.

Numa reunião de negócios, que sugestões daria para os executivos se vestirem bem e causarem boa impressão?  
Aconselho a usarem camisas com os colarinhos ajustados levemente, sem apertar. Gravatas discretas e mais finas. Paletós mais ajustados e com cores sóbrias, porém claras, como os diversos tons de cinzas. Aconselho também os Costumes em tons de Azul Marinho com camisas rosas claras e gravatas em tons de vermelho.  Os sapatos são um capítulo a parte, sempre limpos e bem cuidados, pois todos olham para os pés! Se seguirem estas pequenas regras, o risco de errarem é bem pequeno e com certeza farão bonito.

O que se os homens de negócio devem evitar utilizar?
Meias em tons diferentes dos calçados, camisas de tecido sintético, gravatas largas, paletós longos ou grandes demais, calças muito compridas, sapatos mal cuidados.

Para um empresário que vai fazer negócios no exterior, deve buscar de alguma forma se adaptar ao estilo do local visitado?  

Não, somente se a cultura local exigir. Sempre devemos ser o que somos e do jeito que somos, pois caso contrário podemos correr o risco de errar, se portar de maneira inadequada.

Em ano de Copa do Mundo todos os olhares se voltam ao Brasil. Isso deve aumentar a visibilidade da moda brasileira no mundo?

Com a Copa, com certeza poderemos aumentar a visibilidade de nossa moda, mas muito mais como cultura do que como um objeto de desejo de consumo.

Como capixaba de sucesso nacional e internacional, como vê o desenvolvimento da moda no Espírito Santo?  
Vejo com tristeza e preocupação, pois temos um parque industrial bem montado e mão de obra capacitada, porém hoje a China trás qualquer tipo de confecção com preços baixíssimos. Não podemos competir com aquele país por enquanto. Somente no quesito design poderemos enfrentar tais concorrentes. Principalmente o hand made ou mesmo a moda artesanal. Eu e minha equipe desenvolvemos um projeto de expansão e de desenvolvimento de um segmento da moda para o Espírito Santo que poderá se tornar referencia mundial, mas teremos que nos reunir com o setor para fazer a proposta desse novo modelo. 

 A matéria acima é uma republicação da Revista ES Brasil. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita. 
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