É tempo de inovar nas empresas e nas profissões

Foto: Renato Cabrinii

Para sobreviver em tempos de transformações aceleradas, especialista em novas tecnologias avisa que é preciso ser disruptivo no mercado de trabalho e nos negócios

Não adianta fugir. Tudo muda o tempo todo no mundo. Mais do que um jogo de palavras com uma canção de Lulu Santos, esse é o retrato das transformações cada vez mais rápidas que estão acontecendo na vida das pessoas. E para acompanhar o ritmo frenético das mudanças é preciso ser disruptivo, expressão que passou a ser usada com grande frequência no mundo dos negócios e agora vai se expandindo para salas de aula e até para conversas entre amigos.

Mas, afinal, o que é e como ser disruptivo? A palavra é derivada do termo inglês “disruption”, que se refere a um problema inesperado, ou seja, a ruptura de algo com certa brutalidade. Assim, o disruptivo serve para desorganizar ou alterar alguma situação de forma ríspida.

Assim, para ser disruptivo é preciso não só pensar, mas agir “fora da caixinha”. Quebrar paradigmas. É o que ensina Carlos Piazza, especialista em darwinismo digital e fundador da CPC, empresa focada em negócios e transformação digitais e seus impactos na sociedade.

Para sobreviver em tempos de transformações aceleradas, especialista em novas tecnologias avisa que é preciso ser disruptivo no mercado de trabalho e nos negócios

Na palestra “Repensando a Sustentabilidade”, durante a terceira edição da Arena VOS (Vários Olhares Singulares), evento promovido pela Vale no Parque Botânico, o consultor empresarial citou uma frase de Jay Samit, inovador digital norte-americano. “Jay Samit diz que toda disrupção começa por uma introspecção. Ou seja, é preciso pensar as coisas de forma completamente diferente”, observou Piazza.

Disrupção geral

Isso envolve desde a gestão empresarial até as relações humanas.

“Por que as empresas ainda fazem planejamento estratégico para daqui a 20 anos, se não sabemos o que vai acontecer com o mundo na semana que vem? As mudanças ocorrem numa batida exponencial, sem trégua, sem ponto de chegada. A velocidade com que as transformações estão acontecendo assusta”, aponta Piazza. “A disrupção muda a forma de se relacionar, de consumir, de trabalhar. Transforma o dia a dia das pessoas de forma inesperada”.

Nesse sentido, o consultor orienta as empresas a romperem com velhos comportamentos e acabarem com o que chama de “bromélias decorativas”, aqueles profissionais que fazem parte do ecossistema da corporação, mas não se conectam a nada e a ninguém.

“As empresas ainda colocam gente para fazer tarefas de máquinas, sendo que deveria colocá-las para pensar e buscar soluções disruptivas na forma de trabalhar e agir no mercado”, destaca Piazza.

O mercado de trabalho, por sinal, já sente os efeitos desse processo disruptivo. Algumas profissões estão fadadas a desaparecer.

“Estamos em uma época de desmassificação e desmaterialização. A tecnologia digital vai acabar com tudo que é intermediário: professor, advogado, recepcionista… Tudo vai para a internet, onde as coisas ficam mais baratas”, garante o consultor. “O diploma não quer dizer mais nada. Vai tornar-se apenas um papel com carimbo. O autodidata chegará com muito mais potência ao mercado de trabalho. Grandes empresas, como o Google e a Apple, estão interessadas em contratar pessoas apaixonadas pelo que fazem, sejam formadas ou não”.

Dimensão das mudanças

“As mudanças ocorrem numa batida exponencial, sem trégua, sem ponto de chegada. A velocidade com que as transformações estão acontecendo assusta”

Atenta a tudo o que era explicado por Piazza, em uma plateia formada por estudantes das redes pública e privada da Grande Vitória, Maria Clara Birchler, de 13 anos, aluna do 8º ano do Colégio Salesiano, mostrou-se interessada em entender o que o futuro do mercado de trabalho lhe reserva.

“Foi interessante saber que as profissões vão mudar. E que isso pode aumentar o desemprego, já que boa parte do trabalho será feito por robôs. Não dá mesmo para ter muita perspectiva sobre o futuro”, comentou a estudante.

Algumas empresas já impuseram seu modelo disruptivo de negócios. Como a Netflix, que pôs fim à era das locadoras de vídeo, permitindo aos usuários o acesso online a vídeos e séries.

“O estresse disruptivo não pode ser visto com medo, mas como uma oportunidade. O mundo do conforto morreu em prol do desconforto. O progresso humano aumenta cada vez mais em tempos cada vez mais curtos. É um caminho sem volta”, alerta Piazza.

É o que já percebeu Saulo Andreon, gestor escolar da Escola Viva São Pedro. Para ele, o desafio desse processo de disrupção será equacionar toda a necessidade de desenvolvimento de forma a garantir a sustentabilidade da vida humana nessa projeção de futuro.

“Durante a palestra, Piazza nos transportou para uma viagem futurista. O caminho é absorver todas as reflexões e incorporá-las ao dia a dia como cidadão e profissional. Temos uma jornada em aberto, com muitos desafios pela frente”, reconheceu Saulo.

Arena VOS atualiza

Professora da rede pública municipal de Vitória, Luciene Pratti ressaltou a importância da palestra para se atualizar, mas também para se apavorar em relação ao que está acontecendo no mundo em termos tecnológicos. Atuando em escolas situadas nos bairros do Quadro, do Alagoano e do Cabral, ela demonstrou preocupação com o desenvolvimento sustentável em termos educacionais.

“Dentro da realidade brasileira, ainda há um déficit de educação e qualidade de vida. Por isso, ainda temos uma grande distância a percorrer em termos educacionais em relação ao futuro, porque temos um presente defasado. É preciso pensar naquelas comunidades que não estão ainda inseridas nessa onda exponencial de mudanças”, alerta a professora.

O que Piazza deixa claro é que as pessoas nunca tiveram tanto poder nas mãos. Dessa forma, há uma busca incessante por formas diferentes e disruptivas de se fazer as coisas. As inovações estão acontecendo em todos os meios, em diferentes partes do planeta e em vários setores da economia.

“Isso faz com que a sustentabilidade passe a ser um mecanismo de gestão empresarial, que dá a exata noção do que as empresas fazem em suas plataformas de geração de valor à sociedade”, afirma o consultor.

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