Infraestrutura: Redução nos investimentos e poucos avanços

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Com as receitas mais apertadas, os governos federal, estadual e municipal readequaram os projetos e só deram andamento às obras prioritárias, como o aeroporto e o porto de Vitória

O transporte rodoviário é o principal meio para o deslocamento de cargas dentro do Brasil, sendo responsável por movimentar 80% da produção nacional. Apesar de ter uma das malhas rodoviárias mais extensas do mundo, o país possui apenas 12% do total de 1,735 milhão de quilômetros de estradas pavimentadas, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT).

No Espírito Santo, as condições das rodovias que cortam o Estado pioraram este ano na comparação com 2016, segundo pesquisa da CNT. Dos 1.745 quilômetros percorridos, 67,7% apresentam algum tipo de deficiência em seu estado geral.

A BR 101 foi a rodovia mais bem avaliada. O estudo revela que os investimentos têm sido reduzidos, o que gera uma anomalia entre investimentos x gastos com acidentes. Em 2016 as despesas com acidentes foram mais de R$ 10 bilhões, enquanto os recursos para infraestrutura rodoviária totalizaram R$ 8,61 bilhões.

“São avanços importantes na área de infraestrutura logística. O ano de 2017 foi positivo, com a evolução de uma agenda há muito tempo reivindicada pelos capixabas. Nossa expectativa é que esses investimentos continuem e se somem a outros a partir do próximo ano”
José Eduardo Azevedo, secretário da Sedes

“Os problemas nas rodovias aumentam os custos do tráfego em 37,7%, já que além do maior consumo de combustível, é preciso investir mais na manutenção dos veículos”, explica o presidente da Federação dos Transportes do Espírito Santo (Fetransportes), Jerson Picoli. “Em 2017 não há expectativas de crescimento no setor. Esperávamos um ano melhor, mas isso não ocorreu. Além da crise econômica, tivemos a continuidade da paralisação da Samarco, da crise hídrica, e a piora na qualidade da infraestrutura rodoviária – este, o nosso maior gargalo. Esperamos que em 2018 o Estado consiga atrair novos investimentos, com as obras do aeroporto e do porto de Vitória finalizadas e as contas do governo equilibradas, beneficiando o setor ”, diz o dirigente.

Na malha estadual, o governo do Espírito Santo anunciou este ano um investimento de mais de R$ 294 milhões para recuperação e implantação de 337 quilômetros de rodovias em todo o Estado e construção de pontes. As obras, que serão feitas com recursos repassados pela União, vão beneficiar 30 municípios. Do montante, R$ 132 milhões serão destinados à conclusão de 12 obras já iniciadas, entre elas a Rodovia José Sette e Avenida Alice Coutinho, ambos em Cariacica, a reurbanização da orla do Canal de Guarapari e a rodovia ES 430, no trecho que liga Cachoeiro de Itapemirim a Coutinho. Dessas 12, algumas estão em fase de finalização, outras já tiveram o projeto finalizado e algumas foram licitadas.

Novo aeroporto em 2018

As promessas do governo federal de duplicar a BR 262 e construir a ferrovia Vitória-Rio ainda não foram cumpridas. A via férrea continua no debate para 2020. Mas nem tudo é notícia ruim. As obras do aeroporto de Vitória, que são aguardadas pelos capixabas há 15 anos, andaram. Segundo a Infraero, 90% delas estão concluídas, e o funcionamento deve ocorrer no início de 2018. O aeroporto terá um novo acesso pela Avenida Adalberto Simão Nader, e será necessário fazer sua pavimentação e sinalização, custo que será pago pela Infraero.

Segundo informações do jornal Valor Econômico, o ministro Moreira Franco confirmou que o novo aeroporto de Vitória irá a leilão em 2018, logo após a conclusão das obras.
A expectativa é que as novas instalações entrem em operação já sob a administração da próxima concessionária. A empresa que assumir a administração do aeroporto de Vitória também terá que se responsabilizar pelo aeroporto de Macaé, que será incluído no mesmo pacote do leilão. A intenção é leiloar 14 aeroportos no país em 2018.

O aeroporto de Linhares foi o único de porte regional mantido no programa de investimentos federais em aviação, obtendo a licença ambiental do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) no dia 6 de novembro deste ano.
O secretário de Estado de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo, disse que o governo capixaba já solicitou autorização ao governo federal para iniciar as obras e que estas devem começar ainda este ano.

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Com as obras da dragagem finalizadas, o Porto de Vitória deve ter um crescimento de 30% na movimentação de cargas
Portos capixabas

Também as obras do canal de acesso do Porto de Vitória e a área em que os navios fazem as manobras foram finalmente concluídas em outubro de 2017. Foram quase duas décadas de promessas e paralisações. Mas falta homologação da Marinha para a terceira batimetria, medição da nova profundidade, para validar os resultados da dragagem. Isso deve ocorrer até fevereiro de 2018. Com a possibilidade de atracação de navios maiores, a expectativa é que o custo do transporte de cargas fique mais barato, tornando o porto mais competitivo.

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Fonte: Codesa

Segundo o presidente da Codesa, Luis Claudio Montenegro, linhas diretas de cargas com países da Ásia e da Europa e com os Estados Unidos já foram firmadas, e a expectativa é que outras sejam criadas. Também devem voltar a atracar na capital cruzeiros de linhas de turismo, que pararam de fazer a rota em Vitória enquanto as obras estavam em andamento. “Em 2018 já teremos dois navios de turismo”, diz ele.

Os dados da Codesa registram que a movimentação de cargas, de janeiro a outubro de 2017, teve um incremento de 8,6% em relação a 2016. Foram embarcadas 5.583.100 toneladas de cargas este ano, contra 5.143.221 toneladas em 2016. Com as obras de dragagem finalizadas, a Codesa estima um crescimento de 30% no futuro. No entanto, a limitação da baía, que é estreita, ainda pode ser um empecilho para navios de grande comprimento. Enquanto um porto de águas profundas não vem (o projeto não foi adiante), os capixabas depositam suas esperanças no início das obras do Porto Central, em Presidente Kennedy, que estão previstas para o segundo semestre do próximo ano.
O empreendimento aguarda ainda obter as licenças necessárias para dar início à construção.

Em Aracruz, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES) iniciou as obras de recuperação da ES 010 em junho deste ano, em um trecho de 25 km entre o Trevo de Coqueiral e Vila do Riacho. As intervenções, que ainda estão em andamento, vão permitir um acesso mais seguro a dois portos privados: o Portocel e o estaleiro Jurong. As obras do Terminal de Uso Privado (TUP) da Imetame, também em Aracruz, continuam sendo realizadas.

“Os problemas nas rodovias aumentam os custos do tráfego em 37,7%, já que, além do maior consumo de combustível, é preciso investir mais na manutenção dos veículos”
Jerson Picoli, presidente da Fetransportes

Já o Porto Petrocity, em São Mateus, teve o projeto todo remodelado para abrigar diferentes setores. Suas obras devem ter início só nos próximos dois anos, segundo a Secretaria de Desenvolvimento (Sedes). Atualmente, o porto está em fase de licenciamento ambiental, etapa intermediária de projetos básicos, e concluindo o projeto executivo.
“São avanços importantes na área de infraestrutura logística.

O ano de 2017 foi positivo, com a evolução de uma agenda há muito tempo reivindicada pelos capixabas. Nossa expectativa é que esses investimentos continuem e se somem a outros a partir do próximo ano”, diz o secretário José Eduardo Azevedo.

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30 municípios serão beneficiados com obras viárias
MOBILIDADE URBANA

Com as receitas mais apertadas, a solução encontrada pelo governo do Estado foi readequar os projetos prioritários em 2017. Entre as obras de infraestrutura que foram contempladas estão as do Portal do Príncipe, em Vitória; da Rodovia Leste-Oeste, que vai ligar a BR 262 à Rodovia Darly Santos, em Vila Velha, e da conclusão de duplicação da ES 482, no trecho entre Cachoeiro e Coutinho. A Leste-Oeste deve ser liberada para o tráfego de veículos em dezembro. A entrega das obras, entretanto, vai ficar para 2018.

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Fonte: CNT

Quanto ao Portal do Príncipe, o governo espera liberação de recursos do BNDES, o que pode garantir um desfecho para o projeto. No momento, não há prazo definido. Também as obras da Avenida Carlos Lindenberg, que terá a capacidade ampliada entre o trevo da Darly Santos até o bairro Cobi, estão dependendo de verbas do BNDES para serem iniciadas. Já a obra de duplicação da ES 482, no trecho entre Cachoeiro e Coutinho, está praticamente finalizada, faltando serviços complementares como contenções laterais e construção de calçadas e canteiros.

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Deficiências nas rodovias que cortam o ES têm onerado os custos do tráfego em 37,7%

Em Vitória, a obra da Avenida Leitão da Silva, que começou há três anos, vem se arrastando e tem a conclusão prevista apenas para meados de 2018. De lá para cá, o projeto passou por algumas alterações de prazos e custos. Em fase de elaboração de projeto ainda, a Prefeitura de Vitória analisa novos 40 km de ciclovias e ciclofaixas em toda a capital. Entre as novas rotas para ciclistas, estão a Avenida Rio Branco, na Praia do Canto, e a Rua da Grécia, no Barro Vermelho, e ainda a da Avenida Leitão da Silva, que será executada pelo governo estadual.

Em 2017, foram dados os primeiros passos para iniciar o processo de integração do sistema de transporte público municipal ao Transcol. Em agosto, foi aprovada na Câmara de Vitória uma alteração na Lei Orgânica da capital que permite que o transporte público tenha gestão estadual. Com a integração, as linhas de ônibus de Vitória seriam diluídas ao sistema Transcol, o que, na prática, representaria o fim do sistema municipal. Com o novo modelo, os passageiros utilizarão os dois serviços com passagem única.


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