Indústria moveleira: recuperação com cautela

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Ano com queda no faturamento e cautela para 2018

Um dos setores que mais sofreram com a crise em 2016, a indústria moveleira do Estado também não teve um bom ano em 2017, só apresentando sinais de recuperação a partir do segundo semestre. No acumulado de janeiro a setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2016, a queda no faturamento real das indústrias moveleiras capixabas foi de -12,4% e de -18,7% no número de horas trabalhadas, além de ter havido a maior redução no número de empregos entre todos os setores produtivos: -20,2%, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Industrial e Educacional (Ideies) do Espírito Santo.

Nesse cenário, as expectativas para 2018 ainda são muito cautelosas, como ressalta o presidente da Câmara Setorial da Indústria Moveleira da Findes no Estado, Luiz Rigoni. “Temos uma expectativa de melhora, mas ainda muito tímida.” De acordo com o dirigente, a partir de agosto o desempenho do setor chegou a registrar aumento de 10%, com a perspectiva de atingir, até dezembro, uma recuperação de 5% a 6% em relação ao ano anterior. Além da melhora nos índices econômicos nacionais, ele credita esse resultado ao novo fôlego ensaiado pela indústria da construção civil, que influencia diretamente a venda de móveis.

móveis
Fonte: Ideies/Sistema Findes/CNI

Não foi o suficiente, no entanto, para retornar aos patamares alcançados pelo setor antes da crise. “Em 2016 tivemos perdas da ordem de 22%. As fábricas ainda estão atuando com apenas 60% a 70% de suas capacidades produtivas”, afirma. A queda levou as empresas a fazer ajustes e enxugar seus quadros de pessoal. A boa notícia é que, com a perspectiva de uma relativa recuperação em 2017, ainda que lenta, a previsão é de voltar a contratar em 2018. “A retomada será cautelosa, pois dependemos do aumento da confiança, no longo prazo, para que haja investimentos”, salienta Rigoni.

Geração de empregos

O Espírito Santo concentra mais de 400 unidades produtoras, com destaque para o Polo Moveleiro de Linhares, que detém 13% das indústrias, segundo dados do Sindicato da Indústria da Madeira e do Mobiliário de Linhares e Região Norte-ES (Sindimol). No auge da produção, chegou a empregar mais de 6 mil trabalhadores.
Um alento para o setor em 2018 será a inauguração, prevista para o primeiro semestre, da primeira fábrica de placas de MDF no Espírito Santo. A Placas do Brasil está sendo instalada no município de Pinheiros, com um total de R$ 388 milhões em investimentos. Em operação, a indústria vai fornecer ao mercado MDF cru e revestido, com capacidade para produzir 300 mil m³/ano. Os dados são do Sindimol.

A expectativa é que, com a entrada em operação, sejam gerados 600 empregos, entre diretos e indiretos, como detalha o diretor-presidente da entidade, Ademilse Guidini. “O Polo Moveleiro de Linhares está se restabelecendo, voltando a fazer contratações, o que nos leva à expectativa de recuperar ao menos em parte as perdas registradas nos últimos dois anos”, diz ele. A meta, explica, é retomar, mesmo que lentamente, o ritmo de produção e a rentabilidade da indústria.

Como tradicionalmente as vendas no setor moveleiro aumentam no fim do ano, a recuperação registrada em 2017 ainda não é considerada um motivo de otimismo para 2018, como explica Guidini. “Se o primeiro semestre de 2018 começar melhor, já poderemos ter mais firmeza nessa previsão de continuidade da recuperação do setor. Temos que aguardar pelo menos o resultado do primeiro trimestre para ver se essa perspectiva de melhora se mantém”, ressalta.


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