Rua Desembargador O’reilly, Vitória ES

 O cidadão Henrique O’ Reilly de Souza propiciou, na criação de sua família, um exemplo de convivência democrática que deixou profundas marcas na sociedade, e não apenas de sua época.

Jurista de notável saber, aplicador da lei e defensor dos princípios constitucionais, praticou esse equilíbrio indispensável à vida da nação quando não interferiu na vocação de seus filhos para a carreira militar. Henrique O’Reilly confirmou, liberal que foi, a compatibilidade entre a lei e a espada, uma e outra aplicadas na busca da equidade e do bem comum.

O jurista que galgou os mais importantes cargos em sua carreira na magistratura foi também uma personalidade de alta sensibilidade, criador de associações voltadas para o campo da emoção, sem, no entanto perder de vista a importância dos meios de comunicação para a defesa e a divulgação dos princípios morais orientadores da conduta social. Sua mudança Nosso personagem nasceu em São Pedro do Itabapoana, sul do Estado, no dia 2 de outubro de 1871, descendente de família irlandesa que emigrara para o Espírito Santo. Sua formação acadêmica foi realizada no Rio de Janeiro, desde o ensino fundamental, no tradicional Colégio Pedro II, até sua graduação como advogado pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro (atual UFRJ) em 1894, aos 23 anos de idade.

Já casado com Julieta Duval O’Reilly de Souza, lecionou Geografia no Liceu Belas Artes de São Paulo antes de retornar ao Espírito Santo, onde exercitou atividades na área em que se especializou. Promotor de justiça em sua terra natal (hoje Mimoso do Sul) em 1896, foi cumulativamente juiz de Direito da comarca. Não se deteve, porém, no exercício exclusivo de sua função como magistrado e estendeu sua atividade a outros campos da inteligência, como o jornalismo. Fundador de órgãos de imprensa, defendeu no jornal “A Evolução” suas ideias liberais; mais tarde atuou com redator-chefe nos jornais “O Progresso”, “A Reforma”, já em 1904, e “O Binóculo”, em 1907. Henrique O’Reilly de Souza, sempre na busca de novas emoções, criou e manteve várias associações no município, entre elas a Sociedade Musical Lira Progresso, em 1900, da qual foi 1º secretário. Removido para Guarapari, como promotor público, viveu ali mais uma etapa de sua trepidante vida profissional.

Foi, depois e sucessivamente, juiz de Direito das comarcas de Linhares, em 1909, de Santa Leopoldina e Vitória, ambas em 1910, antes de atuar em Colatina e na então chamada Pau Gigante, hoje Ibiraçu. Nos nossos dias seria difícil explicar, mas o nosso eminente conterrâneo exerceu, entre uma e outra função na magistratura capixaba, o cargo de delegado de polícia no Rio de Janeiro, então capital da República. Em dezembro de 1915, quando um ano novo prenunciava renovados e saudáveis tempos para o Espírito Santo, Henrique O’Reilly foi nomeado procurador geral do Estado, cargo em que permaneceu até janeiro de 1916. Em 1925 chegou ao mais alto posto na magistratura, nomeado, pelo governador, desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Em Vitória, figura como um dos fundadores do IHGES – Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, de cuja entidade foi presidente durante cinco anos. Ao encerrar esta memória do nosso homenageado, volto ao início deste texto, o qual se pretendeu abordar o exemplo de convivência, mais do que possível, imperiosamente desejável, entre a beca e a espada. Incutiu em seus filhos a ideia de democracia, em que todos os poderes da República se voltam, respeitando a hierarquia constitucional, para o bem comum da população.

Milton, Nélson e Mário realizaram brilhante carreira no Exército até atingir a mais alta patente como generais: Edgard foi procurador regional da Justiça Eleitoral e da República, promotor de justiça e procurador geral do Estado; Altamir e Newton ingressaram na Aeronáutica e se tornaram aviadores militares. Henrique O’Reilly de Souza viveu intensamente, usando o tempo a seu favor, até morrer no Rio de Janeiro, no dia 18 de dezembro de 1927, aos 57 anos de idade. O povo capixaba, por seus representantes na Câmara Municipal, reconheceu a importância da vida e da obra do eminente cidadão para os pósteros, dando o seu nome a importante via pública de sua Capital.

(Copidesque: Rubens Pontes)

 

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