Henrique da Silva Coutinho, um político da velha guarda

O Brasil vivia uma fase de turbulência política com a queda da monarquia e a implantação da República, e o Espírito Santo não estava alheio ao movimento que sacudiu o país.

Liberais e conservadores disputavam o poder, propiciando o surgimento de figuras que iriam marcar a história política do nosso Estado. Henrique Coutinho, que nascera de uma família de homens do campo com forte atuação na política, diferentemente de seus irmãos Emiliano e Antero Coutinho, ambos do Partido Conservador, deputados provinciais no período imperial, tornou-se atuante membro do Partido Republicano. Aliando-se à facção liderada por Muniz Freire, participou da criação do Partido Republicano Construtor e foi escolhido um dos três integrantes do diretório central da agremiação.

No “olho do furacão” político, foi escolhido deputado estadual na campanha eleitoral para o Congresso Constituinte nacional. Uma sucessão de episódios levou nosso personagem ao Governo interino do Estado. Afonso Cláudio se afastara do cargo por motivos de saúde, e Constante Sodré, que o substituíra, renunciou à cadeira de chefe do Executivo, abrindo espaço para a indicação de Coutinho, o terceiro vice-governador.

Efetivado pelo marechal Deodoro da Fonseca, que destituíra a monarquia em 1891, foi pouco depois demitido por esse mesmo militar, em represália ao seu partido, que votara em Prudente de Moraes. O partido político ao qual era filiado Henrique Coutinho voltou ao poder quando Floriano Peixoto, outro marechal, em contragolpe assumiu a Presidência da nova República. Coutinho foi eleito deputado à Assembleia Constituinte Estadual, em 1892, da qual foi presidente.

Nova crise política foi deagrada em 1896, quando da eleição de Graciano Neves para governador. Muniz Freire, líder do partido conservador, viajara para a França em missão oficial, deixando campo propício para que Henrique Coutinho se candidatasse ao Senado, em 1897, contrariando a indicação da legenda. Foi depois desse entrevero político que nosso personagem se elegeu governador do Estado.

Corria o ano de 1904. A crise do café arruinara a economia capixaba. Iniciativa da administração estadual, foi aberto um novo núcleo de colonização de imigrantes europeus, construídas escolas no interior do Estado, começado o trabalho de urbanização da capital, Vitória, e a instalação de iluminação elétrica em frente ao Palácio do Governo. Pouco ou nada mais se pôde fazer. Houve o rompimento político de Henrique Coutinho com Muniz Freire, e uma proposta de impeachment – expressão que nestes tumultuados novos tempos volta às manchetes dos jornais e balança o Congresso Nacional – chegou a ser aprovada pela Assembleia do Estado, sendo mais tarde arquivada com a recuperação pelo governador da maioria na Casa.


Henrique Coutinho, no entanto, não foi apenas a “raposa” que revolucionou o marketing político de sua época. Foi funcionário público, agropecuarista e coletor federal no
Estado do Rio de Janeiro. Em1906, decidiu vender a Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, inconcluída. Jerônimo Monteiro foi o negociador, em nomedo Governo, com a Leopoldina Railway, e o resultado da venda foi revertido para pagamento de uma dívida com o Banco do Brasil.

A carreira política de Coutinho foi encerrada quando Jerônimo Monteiro era governador e o nomeara presidente da Comissão do Espírito Santo na Exposição Nacional de 1908, indicação como tributo ao grande nome da política do seu tempo. Henrique Coutinho foi também homenageado pelos capixabas, que veem nele figura exponencial no aprimoramento dos nossos costumes políticos. É nome de importante via pública no centro da cidade de Vitória. Faleceu no Rio e Janeiro no dia 14 de junho de 1915.

(Copidesque: Rubens Pontes)

Conheça a rua Henrique Coutinho, Centro de Vitória/ES

Conteúdo Publicitário
Compartilhe

Aproveite as promoções especiais na Loja da ES Brasil!

Deixe seu comentário

Please enter your comment!
Favor insira seu nome