O papel do conselho de família na governança familiar

O papel do conselho de família na governança familiar
Ilustração do livro “Famílias Empresárias... Vamos Dialogar?” – Autora: Danielle Quintanilha

Tendo como propósito a longevidade das empresas familiares, o Conselho de Família tem o papel de equilibrar os interesses dos membros da família com os valores e propósitos desta e com o que é necessário para a sustentabilidade dos negócios familiares

Trata-se de um órgão da governança familiar com atribuições de definir os limites entre interesses familiares e empresariais, promover um ambiente familiar saudável e propício à administração de conflitos e preservar o legado e os valores familiares. Cabe, ainda, ao Conselho de Família planejar a sucessão familiar, a transmissão de bens e herança e o desenvolvimento dos membros e definir critérios para proteção, crescimento e administração dos bens, entre outros.

Um Conselho de Família bem estruturado trata dos desafios relacionados à convivência da família com o negócio. Temas delicados, como conflitos inerentes ao direcionamento dos negócios, às disputas pelo poder, à participação nos resultados e a outras aspirações pessoais, são tratados por esse órgão, principalmente por se entender que eles podem tomar grandes proporções e colocar em risco as relações familiares e, como consequência, a empresa.

Para sua melhor efetividade, é interessante que o Conselho seja composto por representantes de todos os núcleos familiares e das diversas gerações. Além disso, é importante que ele seja liderado por um familiar com credibilidade e poder de agregação reconhecido pelos membros.

Para situações de conflitos complexos, o Conselho de Família pode valer-se da contribuição de um profissional de fora da família, como um conselheiro ou um especialista em coesão e alinhamento familiar, que possa acolher, mediar e encaminhar ações para gerar a harmonia.

Podem ser criados, ainda, comitês para facilitar o desempenho das atribuições do Conselho de Família, tais como comitê de comunicação com familiares, comitê de desenvolvimento de herdeiros, comitê de transmissão da cultura e integração da família e comitê de preservação do patrimônio.

Nem todas as famílias empresárias têm a possibilidade de instituir um Conselho de Família com estrutura tão detalhada, mas todas elas devem estar conscientes da necessidade de que seus membros dialoguem e trabalhem constantemente no sentido do alinhamento de objetivos e da distinção entre família, propriedade e gestão.

Implantar um bom sistema de governança familiar não é rápido nem fácil, mas o quanto antes a família empresária iniciar esse processo, melhores condições terá de enfrentar o desafio da longevidade.


Adriano Salvi
Conselheiro de administração certificado pelo IBGC, professor convidado da Fundação
Dom Cabral e sócio da Vix Partners Governança Corporativa

Danielle Quintanilha Merhi
Psicanalista, especialista em empresas familiares, professora convidada da Fundação Dom Cabral e sócia da Vix Partners Governança Corporativa