Giulliana Morrone

Foto: Renato Cabrini

A apresentadora ministrou uma palestra na Super Feira Acaps Panshow 2018, na qual falou sobre o panorama político-econômico

Diante da crise político-econômica que o Brasil enfrenta, a jornalista e apresentadora do “Bom Dia Brasil” da TV Globo, Giulliana Morrone, ministrou a palestra “Cenários Políticos e Econômicos no Brasil – Panorama e Tendências” durante a Super Feira Acaps Panshow 2018, na qual apontou fatos que impactam direta e indiretamente os cidadãos. Em entrevista a ES Brasil, a jornalista fez uma análise do mercado sempre fomentando as oportunidades, por meio de uma leitura clara e objetiva das tendências político-econômicas nacionais, além de apontar riscos e caminhos que o país poderá seguir a partir das eleições deste ano.

Como você avalia o cenário político atual?

É um momento muito desafiador e muito importante para todos nós porque estamos diante de uma eleição a ser realizada e esta é a hora de fazermos uma reflexão. É um momento em que deve haver um fortalecimento da democracia.

Acredita que os resultados nas urnas pode levar o país a um resultado pior ou pode alavancar o cenário político?

Eu quero acreditar que não. A minha esperança é de que melhore com a vida do próximo presidente. Temos que fazer uma escolha consciente e lembrar que saímos de uma recessão grave e muito importante e agora é um momento de consolidação.

Após o impeachment de Dilma Rousseff acredita que poderia ter ocorrido uma reversão, uma melhoria da economia?

Com a palestra quis mostrar como as coisas acontecem num processo democrático. Em qualquer parlamento, em qualquer Congresso, em qualquer país tem que haver conversa, é legítimo. E, claro, temos uma expectativa de renovação mais baixa do Congresso nos últimos tempos e são vários fatores que levaram a isso. Além disso, o tempo de programa eleitoral na TV está curto, o dinheiro para as campanhas está sendo voltado mais para as de candidatos à Presidência da República, então tudo isso terá um reflexo. Após o impeachment ainda teremos que lidar com cenário enquanto não for amenizado.

Alguns políticos querem deixar de lado o assunto: aposentadoria. No Nordeste, por exemplo, a expectativa de vida é menor do que em outras regiões do Brasil. O que você acha dessa proposta de postergar os anos de contribuição?

Os números dizem que é preciso fazer uma reforma previdenciária. Hoje o que contribuímos, comprando um pão, quando fazemos a compra do mês ou quando compramos um carro, todos os impostos que são retirados desses produtos, mais que a metade já vai para o governo manter o INSS. É preciso um enfrentamento dessa discussão. O que me intriga é que tenho visto a maioria dos candidatos à Presidência da República não se aprofundando nessa discussão, talvez eles tenham uma pesquisa que diga que o brasileiro não tem uma compreensão ou não vê com bons olhos essa situação. Além disso, é uma discussão sobre os privilégios porque tem muita gente que ganha altas pensões, aposentadorias muito altas e eu não tenho visto isso ser abordado nas campanhas eleitorais.

Sabemos que para se manter no poder, os políticos precisam sempre fazer um acordo de negócios. O que seria o ideal no atual momento que vivenciamos?

 Acredito que deveria ser feita um esclarecimento no início da campanha para que o jogo começasse a ser jogado junto, mas não foi isso que ocorreu até agora. Estão todos isolados. É um fato, também, que qualquer candidato que for eleito e estiver sozinho (independente no Congresso) está se tratando de um “príncipe”. Um político independente precisa de três quintos de votações, considerando que são 308 deputados na Câmara para aprovar, por exemplo, uma Reforma da Previdência. Então, o grande desafio de quem for eleito é ter “jogo de cintura” para lidar com essa situação que não é só aqui no Brasil. É preciso dialogar entre eles de forma legítima e institucional.

A constituição de 1988 distribuiu para transferir vários deveres aos Estados e municípios e concentrou outra grande parte das responsabilidades a Brasília. Entretanto, existem Estados e municípios que mesmo bem administrados não recebem tanto investimento. Como você vê esse aspecto e como isso poderia ser melhorado?

De fato, nas atuais campanhas eleitorais não aparece isso. O funcionalismo público tem um peso gigantesco, nós gastamos muito com pagamento deste setor. E não se discute isso. Não sei como poderia ser resolvido, talvez com muita pressão da sociedade, mas ainda assim não sei se resolveria. Aproveitando o ensejo da Constituição, é interessante destacar que ela foi formatada de uma forma as decisões que deveriam estar em outras instâncias vão sempre parar no Supremo Tribunal Federal (STF). Isso deveria ser mudado.

Como os candidatos que estão concorrendo à Presidência da República, que vão pegar um país fraco, sem alicerces, poderá assumir o posto sem alianças? Como ele vai se articular sem negociar um ministério, sem fazer negócios?

Nesta questão vou divergir apenas em um ponto. O Brasil é um país muito rico, tanto que os chineses estão querendo investir e comprar as nossas terras, comprando nossas empresas de distribuição de energia, querendo comprar nossas fazendas. Vivemos uma recessão muito forte, estamos com dificuldade de recuperação, até porque tivemos toda essa instabilidade política no meio do caminho que nos atrapalhou muito em outros momentos. A verdade é que somos “viciados” em recessões, mas em todas nós nos recuperamos, mas dessa vez está muito difícil porque além da crise econômica ela veio alinhada a crise política. O ideal seria um governo que faça uma coalisão. Quando houve o Impeachment do Fernando Collor houve um movimento de apoio ao Itamar Franco, essa coalisão aconteceu, mas não sei se isso vai acontecer. Queria ter mais respostas, mas infelizmente não tenho.

Também é importante ser feita uma reforma tributária, mas não se fala nisso. Como você avalia o fato de nós pagarmos vários impostos, na maioria das vezes, mais de uma vez, e não percebemos?

Não há o interesse dos políticos em fazer uma reforma tributária porque ninguém quer perder receita. Nos debates, quando é abordado esse assunto, as respostas são sempre evasivas. O que temos que avaliar é o que o brasileiro vai escolher no fim. Ele vai escolher quem não quer fazer a reforma? No final, quem pagará a conta somos nós.

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