Gil Vellozo, mais do que nome de uma avenida

Há fatos e pessoas que são auto identificadas pela simples enunciação de seus nomes. Convento da Penha  e  Anchieta se bastam. Cada um constitui registro histórico que a memória capixaba gravou para as gerações que vieram depois deles. Outras dessas saudáveis denominações, no entanto, necessitam de informações adicionais para que sejam interpretadas e entendidas.

Em Manguinhos, município da Serra, por exemplo, uma homenagem a figuras que contribuíram de maneira eloquente para a cultura brasileira se insere nesse último registro. Rua Tigre da Abolição e Rua Borboleta Amarela prestam homenagem a dois conhecidos vultos da cultura brasileira, mas nem todos sabem que o pernambucano Joaquim Nabuco e o cronista Rubem Braga são, o primeiro pela ação política no combate à escravatura, o segundo por um dos seus fascinantes livros  editados , os alvos dessa  justa  reverência.

O nosso personagem, motivo desse registro, prescinde dessa interpretação. Em Vila Velha, quem percorre uma das suas principais vias públicas estará percorrendo também um pouco da nossa História, contida na vida de um dos seus mais ilustres  benfeitores.  A Avenida Gil Vellozo, além de ser uma saudável iniciativa do poder legislativo referendada pela administração do Município, é também uma homenagem do povo capixaba a um dos seus filhos que mais desprenderam inteligência e ação para seu progresso.

Jornalista e político, filho de magistrado também jornalista – Promotor de Justiça e Juiz de Direito, fundador do jornal “A Gazeta” Luiz Adolpho Thiers Vellozo – Gil Vellozo (foto)  ingressou cedo nas lides jornalísticas como “foca”,  jargão da classe para identificar os  iniciantes na redação, para, mais tarde, passar a escrever crônicas para “O Bisturi”, de Vila Velha, e  depois fundar o jornal “O Continente”, que marcou época como intérprete das aspirações populares. Era ali um multimídia: redigia os textos, escrevia os editoriais, revisava as matérias, vendia anúncios, promovia assinaturas.

Como homem de imprensa, exerceu ainda o cargo de redator-chefe do Diário Oficial do Espírito Santo. Como jornalista e intelectual, Gil Vellozo foi um dos fundadores da Associação Espirito Santense de Imprensa e atuante membro da Academia “Humberto de Campos” e da Associação Espirito Santense de Letras.
A inquietação de Gil Vellozo e a procura de novos caminhos e soluções para o nosso Estado o levaram inevitavelmente para o campo da política onde, também aí, foi um vitorioso. Elegeu-se vereador em 1954 e, por força de seu poder de liderança, foi escolhido presidente da Câmara Municipal de Vila Velha.

Em 1955, foi eleito prefeito do Município. Teria sido um precursor se as ambições dos políticos brasileiros não fossem tão incisivas: jamais exerceu mais de um mandato, por considerar necessária e saudável a alternância de poderes e da visão crítica dos nossos problemas. Exerceu, em 1959, como suplente, a função de deputado estadual, tendo sido eleito em 1963 deputado federal onde teve presença marcante na atuação da nossa bancada. Seu voo,  que poderia ter sido mais alto,  foi  interrompido  por  uma tragédia.  Numa das viagens de carro de Brasília para Vitória sofreu um acidente que o fez ter amputado parte do baço e, depois de 8 dias de internação hospitalar, falecer em 1966.

Quero encerrar esse registro como testemunha da grandeza e do desprendimento desse capixaba autêntico, interessado e generoso. Não tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, mas com ele troquei correspondências quando presidi a Casa do Estudante de Castelo. Gil Vellozo era o nosso “padrinho” em Brasília e, mais do que isso, destinava parte de sua verba como parlamentar para que a nossa entidade pudesse configurar seu legítimo papel de representação estudantil. (Copidesque: Rubens Pontes)

 

 

 

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