Geradores de riquezas

Nos primeiros anos na escola aprendemos sobre o descobrimento do Brasil. Geralmente é uma história romântica sobre navegadores que se lançaram ao mar para descobrir o desconhecido nos mares onde habitavam aterrorizadores seres marinhos que destruiriam suas frágeis embarcações. Por causa da falta de vento, as calmarias, para surpresa de todos, vieram dar em terra firme e chegaram onde é hoje o sul da Bahia, lugar recentemente descoberto por alemães que, a exemplo dos colonizadores portugueses de século XVI, vieram dar presentes aos índios e levar nosso ouro, agora esculpido numa linda taça.

Somos um país cuja costa se estende por quase 8.000 Km. Também nos ensinaram que éramos separados da Europa e da África pelo Oceano Atlântico. Como quase tudo na vida depende de um ponto de vista, prefiro dizer que não somos separados, mas unidos pelo Oceano Atlântico, importante via de comércio, por onde trafegam grandes embarcações. Na costa brasileira, além das lindas praias, do frescobol, do futebol de areia e do vôlei de praia, há 34 portos públicos, além dos Terminais privados e os de uso privativo. Entretanto os portos, e os profissionais que ali trabalham, não são conhecidos nem reconhecidos pela população, sendo que, na maioria das vezes, são vistos como lugar de marinheiros bêbados, prostituição, tráfego de drogas e contrabando.

É preciso mudar essa imagem e o povo brasileiro conhecer que os portos são geradores de riquezas. Os navios, com equipamentos mais sofisticados, exigem trabalhadores capacitados para operar esses equipamentos. O uso da tecnologia de informação, que traz rapidez e agilidade nos processos, também requer pessoal com conhecimento e treinamento envolvendo todos os atores, como os agentes marítimos, que na qualidade de mandatários dos donos e afretadores dos navios, são o elo fundamental entre o navio e as atividades em terra, principalmente as autoridades e órgãos anuentes que atuam no comércio exterior.

Portos são portas de entrada e saída de bens, e a infra-estrutura logística mais ampla exige acessos rodoviários e ferroviários eficientes para o fluxo de cargas, caminhões, composições férreas, ou barcaças que possam ser utilizadas como apoio, como é feito em outros países.  Vários portos brasileiros estão espremidos nas cidades (na verdade as cidades cresceram em volta deles) afetando a mobilidade urbana, ou o silêncio da madrugada. Foi Washington Luiz, 13o. Presidente da República do Brasil que disse que governar era construir estradas, o que pode ter sido bom para a década de 20, mas esqueceram dos portos e das ferrovias.

Hoje espera-se que possamos olhar melhor para nossos portos, tanto os públicos, quanto os privados e privativos, essenciais para o crescimento de nossa nação, eliminando os gargalos criados pela burocracia, e os precários acessos portuários. Nos preocupamos com a ranking da seleção brasileira de futebol pelos critérios da Fifa, sem perceber que estamos na 79a. posição do índice de desenvolvimento humano (IDH) e o país desabou 20 posições no índice de eficiência logística, ocupando agora a  65a. posição entre 160 países na infraestrutura de transporte.

Há muito ainda por se fazer.

Waldemar Rocha é presidente da Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar)

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