Elas batem um bolão!

De jogadoras a comentaristas, as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço no esporte

Quem diz que lugar de mulher é na cozinha não sabe do que elas são capazes, principalmente quando o assunto é esporte. O futebol feminino está cada vez mais em evidência, e a participação delas só tem aumentado. A cultura do esporte é masculina, mas as mulheres também “batem um bolão”.

A falta de patrocínio e de divulgação é a maior barreira enfrentada, mas as atletas se empenham, treinam pesado, “driblam” o preconceito e “dão um olé” no machismo para serem respeitadas.

O Minas/Icesp, de Brasília, busca profissionalizar as atletas. O time já conquistou títulos em torneios locais e nacionaisHá 133 anos, o futebol feminino sobrevive e tem se esforçado para ganhar mais expressão. Com 32 anos, Martha Vieira da Silva, eleita pela Fifa por cinco anos consecutivos a melhor jogadora do mundo, é a capitã da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, sendo medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas (Grécia, 2004) e Pequim (China, 2008).

Outro destaque é Miraildes Maciel Mota, a Formiga. A atleta começou sua carreira aos 16 anos e foi uma das primeiras a atuar na seleção brasileira e a que mais disputou partidas nas Olimpíadas.

As dificuldades de antes estão sendo vencidas, e a certeza que se tem é que, aos poucos, as mulheres estão conquistando seu espaço e continuam firmes na luta pelo reconhecimento.

O Minas/Icesp, de Brasília, busca profissionalizar as atletas. O time já conquistou títulos em torneios locais e nacionais
Vila Nova Futebol Clube

No Espírito Santo, as jogadoras vão com tudo para o campo. As meninas do Vila Nova Futebol Clube, de Vale Encantado, Vila Velha, mostram o que sabem e impressionam quando estão em ação.

Fundado em 2007, o time disputou vários campeonatos, entre eles o Brasileiro Feminino 2018 e o Capixabão Feminino, do qual são tetracampeãs. As garotas treinam com muito empenho para dar orgulho às famílias, aos amigos e ao técnico Luciano Tadino.

Comandando as atletas há nove anos, Tadino afirmou que elas são esforçadas e que tem orgulho em treiná-las. “Acredito no trabalho porque elas têm determinação e jogam por amor, não por remuneração. A maioria delas concilia o trabalho com as partidas, pois não temos incentivo financeiro, e isso nos dá mais motivação para correr atrás de melhorias para o time”, disse.

Uma das primeiras atletas do Vila Nova, a meio-campo Luana Tonete, de 31 anos, trabalha como costureira e conta que os patrões incentivam sua participação. “Tem dias em que temos muito trabalho na fábrica, mas a minha chefe me libera mais cedo para eu participar dos campeonatos. Tem familiares que, inclusive, vão aos estádios torcer por nós. Isso nos incentiva a dar o nosso melhor”, destacou.

E quem acha que elas não têm vaidade está bem enganado. As meninas ainda encontram tempo para cuidar da beleza. Conhecida como a “princesinha” do Vila Nova, a pivô Nairelly Verli, 20 anos, está sempre com as unhas e sobrancelhas feitas e os cabelos arrumados. “Apesar de praticar um esporte que é tido como masculino, me cuido bastante”, frisou.
E quando o assunto é dieta, a goleira Adelaine Keveli, de 23 anos, ressaltou que não há restrições, mas procura controlar a alimentação. “Como de tudo, mas temos que evitar alguns alimentos. Nossos treinos são pesados, principalmente para as goleiras. Temos preparação na praia, em campo, e não podemos nos descuidar”, argumentou.

De Brasília para o mundo

Desde 2012, o Minas/Icesp, de Brasília, realiza um trabalho minucioso com as atletas. A delegação já ganhou títulos do Candangão Feminino e disputou as finais da Liga do Desporto Universitário (LDU), a Copa do Brasil, a Copa Lifag e torneios locais e nacionais.
São dois times, um de futsal e outro de futebol de campo, com 65 atletas entre 14 e 38 anos. A equipe conta com a parceria da Faculdade Icesp e do Minas Brasília Tênis Clube, além do patrocínio do Banco de Brasília.

O Minas/Icesp já revelou atletas que foram convocadas pela Seleção Brasileira. Atualmente, a meio-campo Victória Kristine Albuquerque de Miranda está na escalação do técnico da Seleção Brasileira Feminina Sub-20, Doriva Bueno.

Para a dirigente da delegação, Nayeri Albuquerque, 28 anos, essa é uma conquista para todos os envolvidos. “Sentimos a ascensão mais rápido do que esperávamos. Fazemos um trabalho firme e sério, temos uma equipe forte, que batalha pelos seus objetivos, e tentamos profissionalizar ao máximo, porque o futebol feminino merece. Toda a nossa equipe é de Brasília, para fortalecer o esporte em nossa cidade”, destacou.

O Vila Nova Futebol Clube e a equipe técnica se esforçam para garantir os títulos dos campeonatos que disputam

Daniela Fernandes, de 38 anos, formada em Contabilidade, descobriu a paixão pelo futebol aos 16. Atualmente, joga no meio-campo do Minas/Icesp, mas já esteve no Flamengo e foi campeã sul-americana universitária. “Estou no time desde 2013, mas, quando estava no Crespon, enfrentamos o time da Martha e me senti ainda mais motivada a jogar futebol. Amo o que faço”, frisou.

Quanto ao preconceito, Daniela afirma que há respeito entre os homens e as mulheres. “Já tive uma fase ruim quando jogava, em que os homens masculinizavam muito o esporte. Hoje, com o crescimento e a inserção das mulheres na modalidade, está tendo mais respeito. Tiramos isso de letra”, garantiu.

Também tem mulher na arbitragem…

No Brasil, existem 12 mulheres com a chancela da Fifa. Em maio, a árbitra Edina Alves Batista e as assistentes Neuza Back e Tatiane Sacilotti foram escolhidas para os jogos da Copa do Mundo Fifa Sub-20 Feminina 2018, entre 5 e 24 de agosto, na França. A seleção brasileira integra o Grupo B do Mundial.

A radialista Isabelly Morais, a educadora física Renata Silveira e a publicitária Manuela Avena foram as selecionadas para integrar o time do programa “Narra Quem Sabe”, do canal Fox Sports

Katiúscia Mendonça, 40, é assistente de arbitragem capixaba há 19 anos e também já foi atleta. Fora dos campos, atua como personal trainer e ocupou o quadro de árbitros da Fifa por sete anos. “Joguei futebol por anos, mas me lesionei e não pude mais voltar. Decidi ser árbitra para ficar mais próxima do esporte que sempre foi minha paixão”, contou.
Em 2015, a assistente de arbitragem marcou presença no RAP-Fifa, um curso destinado às árbitras e assistentes no Brasil para capacitar e atualizar as participantes sobre as normas da entidade, além de ser um treinamento para elas. Katiúscia foi a única representante do Estado.

E no jornalismo esportivo

Em junho, a Fox Sports estreou uma seleção de mulheres para narrar jogos da Copa do Mundo 2018. Entendendo que até o esporte precisa de um toque feminino, a diretoria do canal optou por fazer quase toda a cobertura por mulheres, incluindo apresentadoras e comentaristas na emissora.

Com certeza, os nomes da estudante de Jornalismo e radialista Isabelly Morais, da educadora física Renata Silveira e da publicitária Manuela Avena ficarão marcados na história da narração de uma competição esportiva. As três vozes estão sendo destaque no programa “Narra Quem Sabe”.

A origem do futebol feminino

 

Fontes: CBF e Globo.com

A primeira partida de futebol disputada por mulheres foi em 23 de março de 1885, em Crouch End, Londres, na Inglaterra, país onde surgiu o esporte. No Brasil, há registros de jogos entre homens e mulheres juntos entre 1908 e 1909, iniciando, assim, uma quebra de paradigmas e preconceitos.

Entretanto, a primeira partida de futebol feminino ocorreu, oficialmente, em 1921, entre as senhoras de Tremembé, São Paulo, e as senhoritas de Santa Catarina. Assim, formava-se o primeiro time feminino do país: o Araguari Atlético Clube, que iniciou as atividades em 14 de novembro de 1944.

Em 1941, foi criado o Decreto-Lei 3.199, vigente até 1975, que vetava a prática do futebol pelas mulheres e, em 1964, o Conselho Nacional de Desportos (CND) proibiu que elas praticassem uma dezena de modalidades, entre elas o futebol, mas a decisão foi revogada em 1984. Barreiras que levaram à perda de visibilidade do esporte por parte das meninas.


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