Florentino Avidos

Florentino-Avidos

Uma das avenidas mais conhecidas do Centro de Vitória, a Florentino Avidos recebeu esse nome por causa de uma importante figura história do Espírito Santo

Florentino Avidos: um homem à frente do seu tempo.” Essa definição do jornalista Marien Calixte em biografia publicada na série “Grandes Nomes do Espírito Santo”, em 1988, caracteriza com precisão o perfil empreendedor e a visão de futuro do engenheiro, político e administrador que os capixabas colocam com orgulho e com destaque no panteão da nossa História.

Filho de imigrante português, o personagem desta edição recebeu o nome do pai, que emigrou para o Brasil aos 11 anos de idade, estudou por conta própria, tornou-se pianista talentoso e mais tarde casou-se com Izabel Avidos, pertencente a família de classe média alta do Rio de Janeiro.  Dessa união nasceu Florentino Avidos, no dia 18 de novembro de 1870, terceiro filho de uma prole de 10, na fazenda Graciosa, em São João Marcos, na região sul do Estado do Rio de Janeiro, nas proximidades de Angra dos Reis, onde o casal se dedicava à vida no campo e adquirira a propriedade em que nasceram seus filhos. Formada em Matemática e Astronomia pela Universidade de Sorbonne, em Paris, Izabel ministrou ao filho os primeiros estudos na própria fazenda.

Florentino Avidos
Florentino Avidos – Sem Data
(Acervo do Senado Federal)

Casou-se na cidade com Henriqueta Sousa Monteiro. O ano era 1897 e naquela época seus cunhados Bernardino e Jerônimo Monteiro eram, respectivamente, membro do governo municipal da cidade e deputado estadual. Ambos percorriam o início de uma jornada que os iria qualificar como duas das mais poderosas lideranças políticas do Espírito Santo.

O engenheiro Florentino Avidos, entre 1902 e 1903, dirigiu a construção da primeira usina hidrelétrica do Estado, com a finalidade de fornecer energia ao município de Cachoeiro.
Ainda nessa área profissional, foi o responsável pela construção do último trecho da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, adquirida pela Leopoldina Railway, entre Cachoeiro de Itapemirim e Matilde, completando a ligação de Vitória com o Rio de Janeiro.

O Espírito Santo passou a se beneficiar com o talento e a obstinação de Florentino Avidos de se superar a cada iniciativa por ele conduzida, durante o governo de Nestor Gomes (1920-1924). Empenhado o Executivo em proceder a um ambicioso programa de obras públicas, como a remodelação e modernização da Capital, foi confiado ao engenheiro o então recém-criado Serviço de Melhoramentos de Vitória, o movimento decisivo para a sua ascensão política. Era o momento de se definir a sucessão no governo do Estado, e Nestor Gomes colocou na mesa o nome de seu auxiliar mais próximo como candidato pelo PRES (Partido Republicano Espírito-Santense), única agremiação partidária em atividade.

Eleito sem percalços, Florentino Avidos, aos 55 anos, tornou-se governador, sendo empossado no dia 23 de maio de 1924.
Sua administração foi marcada por dinamismo e determinação. Valendo-se da boa fase econômica por que o Estado atravessava, ampliou o projeto que iniciara, abrindo novas ruas, alargando e pavimentando outras, construindo escadarias, dando nova ênfase ao serviço de abastecimento de água e de esgotos e de drenagem de águas pluviais. Na sua gestão, Vitória passou a contar com um novo bairro, Jucutuquara, conquistado do mangue que cobria extensa área do lugar.Em 1924, foram retomadas as obras de expansão do Porto de Vitória, construindo cais e armazéns. Foi edificada a ponte ligando a capital ao continente, apta ao transporte ferroviário e rodoviário (a estrutura tem hoje o nome de Florentino Avidos).
No plano estadual, o governo abriu e/ou construiu rodovias e pontes, com destaque para a ligação sobre o Rio Doce em Colatina.
A área de ensino ganhou impulso com a construção de 200 escolas.

Nossa principal produção agrícola foi valorizada com o Serviço de Defesa do Café, organismo empenhado em melhorar a qualidade do produto e regularizar sua exportação por cotas fixadas em convênio com outros estados fornecedores. A iniciativa favoreceu a exportação pelo Porto de Vitória do café produzido no Sul do Espírito Santo, até então comercializado pelo terminal portuário no Rio de Janeiro.
E a dívida externa, acumulada desde governos anteriores, foi contornada com a recuperação do crédito externo.

Florentino-Avidos
O cruzamento da avenida dá acesso ao Museu Capixaba do Negro (Mucane)

É interessante observar que Florentino Avidos executou seu amplo e vitorioso programa de governo sem maior envolvimento com a política partidária. Encerrou seu mandato com larga aprovação popular e transferiu o poder em 30 de junho de 1928 ao seu sucessor,
Aristeu Borges de Aguiar. Elegeu-se senador no mesmo ano, mas seu mandato foi interrompido pela revolução de 1930.

Florentino Avidos teve cinco filhos do seu casamento com Henriqueta Monteiro. Um deles, Silvio, foi prefeito de Colatina e deputado estadual; outro, Moacir, tornou-se o principal auxiliar nas obras executadas por seu pai em Vitória. Viúvo desde 1919, nosso personagem manteve relação conjugal com Mercedes Leão Soares, com quem teve dois filhos.

Passou seus últimos anos de vida no Rio de Janeiro, onde faleceu aos 86 anos de idade, no dia 28 de fevereiro de 1956.

Copidesque: Rubens Pontes.



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