Findes e Ideies analisam resultados da Indústria em janeiro

Léo de Castro - indústria capixaba
Foto: Divulgação / Findes

Dados mostram que houve queda em todos os setores da indústria capixaba, exceto na produção de alimentos

A indústria capixaba registrou a menor produção física do país em janeiro deste ano, com recuo de -7,8% na comparação direta com janeiro de 2017, de acordo com dados divulgados pelo IBGE e analisados pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies) nesta sexta-feira (09), durante coletiva de imprensa realizada no auditório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), em Vitória.

Os dados mostram que houve queda em todos os setores da indústria capixaba, exceto na produção de alimentos, com alta de 0,4%,influenciada pela produção de bombons, queijos, embutidos, carnes e massas.

Foto: Paulo Whitaker / Reuters

Segundo o presidente do Sistema Findes, Léo de Castro, a consolidação da indústria de alimentos fortalece a economia capixaba. “Temos visto o desenvolvimento deste setor no Espírito Santo no último ano, a exemplo do crescimento de 13,2% na produção física da indústria de alimentos em 2017, o maior do estado. É importante estimular a diversificação e ampliação da cadeia produtiva”, argumentou.

Entre os setores que sofreram maior variação negativa na produção física de janeiro, estão os de minerais não-metálicos (-17,6%), metalurgia  (-16,2%) e celulose (-7,7%), além da indústria extrativa (-4,4%). Para o diretor-executivo do Ideies, Marcelo Saintive, a economia brasileira crescerá em ritmo diferente do Espírito Santo. “O Brasil vai bem neste ano por um efeito cíclico, o que tende a ter impacto no Espírito Santo, mas o cenário para a indústria capixaba ainda é de indefinição”, destacou.

Leo reforça que a produção física caiu, mas ao mesmo tempo a indústria gerou mais empregos e também arrecadação de impostos estaduais ligados à indústria cresceu de forma robusta. “Há um ponto que cabe destacar que a paralisação de atividade de produção de cimento no Sul do Estado comparando janeiro de 2018 a janeiro de 2017. Outros setores sofreram com aumento de estoque na ponta, fazendo a produção ser “freada” no mês de janeiro”, disse.

Sobre a confiança do empresariado, o presidente da Findes disse que continua no mesmo patamar desde a mudança do governo federal (Dilma – Temer). “Houve frustração com a ausência do debate da reforma da Previdência, isso nos preocupa bastante. Ainda continuamos observando o cenário nacional para assumir uma postura um pouco mais otimista que se traduz em novos investimentos”, destacou.

Petróleo e gás

O Fato Econômico Capixaba de março mostrou que o Espírito Santo se manteve, em 2017, como o segundo maior produtor de petróleo e gás do país. Os dados, apresentados pelo Ideies, revelam que o estado representa 14,4% do volume produzido pelo país, à frente de São Paulo (13,5%), atrás apenas do Rio de Janeiro – líder com 66,6% da produção nacional de petróleo e gás.

Na análise mensal, o estudo aponta que o Espírito Santo perdeu o posto de segundo maior produtor de gás apenas em quatro meses. Na produção de petróleo, o Espírito Santo ficou atrás de São Paulo apenas no mês de julho – período em que a plataforma P-58, no campo das Baleias, sofreu manutenção.

Aço

Nessa quinta-feira (08), o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a criação de novas taxas para a importação de aço e alumínio ao país. Desta forma, os Estados Unidos cobrará uma sobretaxa de 25% para o aço importado e de 10% para o alumínio. A medida vale para o aço que entrar nos EUA a partir de 23 de março.

Foto: Reprodução/YouTube/The White House

Sobre essa perspectiva, Leo de Castro disse que a Findes está dialogando com as indústrias ligadas ao setor e está alinhada a iniciativa do Brasil tomar uma atitude para defender a indústria nacional. “Acreditamos em uma relação comercial mais aberta e livre, e também achamos que essa decisão do governo americano vai à contramão disso tudo”, afirmou.

Segundo Leo, a melhor solução é o governo federal adotar medidas para que não seja prejudicado. “Cabe ao país reagir, por meio de negociações, e o Brasil está trabalhando isso. Mas, ao mesmo tempo, o país não pode ser ingênuo, pois esse percentual imposto pelo governo norte-americano vai aumentar a oferta adicional de produtos siderúrgicos no mundo, o que pode levar a depreciação do preço da produção brasileira. Também estamos advogando com o governo nacional para que faça uma medida emergencial a fim de que possamos evitar uma consequência maior ainda para a indústria nacional”, concluiu.

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