A fatura da irresponsabilidade fiscal

INSTITUCIONAL E MORAL ESTATÍSTICAS DO PIB

Não bastasse a insegurança inerente ao pleito eleitoral deste ano, vimos os simplórios resultados do PIB sancionando a persistente taxa de desemprego de 12%.

Uma sucessão de erros dispersaram o foco da discussão e os interesses do país foram submetidos aos dos donos do poder. Até chegarmos à prosaica situação em que aqueles que têm propostas para recolocar o País na rota do crescimento e da equidade social, não têm votos para vencer a eleição e implementá-las; enquanto os paladinos da justiça, porta-vozes da verdade absoluta, adeptos da autocracia, lideram a disputa.

É curioso a desfaçatez com que esses donos do poder brincam com fogo.

E assustador a rapidez da resposta, implacável, da economia – perda de dinamismo e desemprego –  às suas sandices.

No segundo trimestre de 2016, o PIB caíra 3,8% em relação ao mesmo trimestre de 2015.

Mas os ajustes comandados pela política monetária, acompanhados pelo os do Tesouro Nacional, naquele início de 2016, fizeram com que no segundo trimestre de 2017 o PIB crescesse 0,4% em relação ao do mesmo período de 2016.

Mas aí veio a público uma evidência da falta de decoro de um dos donos do poder. Ela o tornou refém dos outros donos. O preço cobrado pelo resgate foram as reformas da previdência, trabalhista, e o descontigenciamento de gastos (pacote de bondades) – a primeira foi adiada, a segunda desfigurada, e a terceira escancarada.

Na esteira desse vexame institucional e moral, o âncora das mudanças estruturais entregou o bastão para o seu Secretário Executivo e foi se aventurar a candidato à Presidência da República.

Foi quando o caldo entornou de vez – Executivo acéfalo e Ministério da Fazenda sem interlocução com Congresso –  adeus equilíbrio fiscal.

Restou a estabilidade monetária – o Banco Central. Graças à sua atuação durante 2017 a taxa de inflação caiu abaixo da meta estancando o empobrecimento decorrente da perda do poder de compra da moeda que provoca.

Contudo, estabilidade monetária sem equilíbrio fiscal tem fôlego limitado.

As estatísticas do PIB do segundo trimestre de 2018 confirmam: crescimento do 2º trimestre de 2018 em relação ao mesmo trimestre de 2017 foi de 1%; e no acumulado do ano (2018) em relação ao anterior (2017), cresceu 1,1%.

Nas estatísticas de seus subsetores, confirma-se o baixo dinamismo – agropecuária caiu 0,4% no 2º trimestre e havia caído 2,6% no 1º; a indústria de transformação cresceu 1,8% no 2º trimestre, contra 4% no 1º; a indústria extrativa cresceu 0,6% no 2º trimestre e havia caído 1,9% no 1º; e a indústria da construção caiu 1,1% e 2,2%, respectivamente, no 2º e 1º trimestres. O setor de transporte e armazenagem cresceu nos dois trimestres, mas com perda de dinamismo – 2,8% no 1º, e 1,1% no 2º. Eletricidade gás esgoto e água cresceu mais no 2º trimestre (3,1% contra 0,6%), assim como atividades imobiliárias (3% contra 2,8%). Serviços de defesa, saúde e educação (0,5% contra 0,6%) mantiveram o ritmo.

As estatísticas do PIB são a fatura da irresponsabilidade fiscal, institucional, e moral, que os donos do poder estão passando para os cidadãos-eleitores pagarem.

Arilda Teixeira – Economista e profa. da Fucape


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