Falácias

Falácias convencem muita gente a acreditar em teses que servem de cortina para interesses menores.

Falácias são raciocínios errados ou falsos, com aparência de corretos ou verdadeiros. Falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido, ou falho na  tentativa de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão, contendo falácias, podem parecer convincentes para grande parte do público, mas não deixam de ser falsos por causa disso. Outrossim, um raciocínio ou uma retórica pode conter falácias, sem que o seu conjunto seja totalmente falso.

Em tempos de notícias falsas (ou “fake news”, da língua inglesa) abundantes, é preciso
estar atento aos argumentos que são apresentados para se defender as mais variadas
teses.

A sugestão mais óbvia é que se analise de onde partiu o raciocínio, quais os elementos
que o fundamentam, se verdadeiros ou falsos, e que se faça uma boa reflexão, antes de
se tirar conclusões e ou sair reproduzindo a informação.

E tome falácias!

Um bom exemplo de falácia acontece, atualmente, no debate que se tem travado sobre a
questão dos direitos humanos. Não se sabe por quais razões, mas um grupo de pessoas
começou a espalhar o raciocínio de que a sociedade está sofrendo uma terrível onda de
violência e que é necessário que o Estado, ou mesmo os cidadãos, invistam em mais
armamentos, para matar os bandidos que colocam a sociedade de joelhos. “Bandido
bom é bandido morto”, pregam por aí.

Muita gente acaba aceitando isso como verdade, pois afinal de contas “direitos humanos
é para humanos direitos”, outra falácia. Direitos Humanos é para humanos, qualquer ser
humano. O que acontece é que o Estado não tem tido capacidade, nem competência,
historicamente de educar com decência uma criança, deixando-a a mercê dos
acontecimentos. Se ela se torna um bandido, a gente mata. Simples assim.

É mais fácil convencer a sociedade a se armar para matar bandidos, do que lhe explicar
o porquê de se gastar tanto dinheiro com mordomias, altos salários e corrupção, ao invés
de se gastar dinheiro com educação. E tome falácias!

Filósofos de boteco

Fiquei estarrecido com os acontecimentos recentes. Primeiramente, um deputado federal
eleito precisou renunciar ao seu mandato e sair do País, porque luta em defesa de uma
minoria (ou talvez maioria que é abafada pela falácia de uma sociedade que
supostamente deveria ser conservadora, quem sabe?) e estouram mensagens nas redes
sociais de pessoas que, inflamadas pelas falácias de filósofos de boteco, atacam o
deputado perseguido, como se o mesmo é que fosse o criminoso.

Agora, acontece a morte de Sabrina Bittencourt, que também lutava bravamente para
ajudar as mulheres vítimas de abusos sexuais e que foi perseguida, precisando sair do
Brasil e mudar de endereço a cada dez dias. É chocante alguns comentários feitos por
pessoas em sua página no Facebook, dando risadas e até dizendo que “a vagabunda
merecia morrer mesmo”.

Esses tristes comentários, que obviamente desrespeitam a família e os filhos menores da ativista, chocam também pelo absurdo criado por falácias, que levam pessoas a agredir outro ser humano desta forma, sem nenhuma base lógica, racional, sem um mínimo de compaixão pelo próximo.

Independentemente do que acreditamos, devemos ter respeito pelas opiniões contrárias.

É preciso mais compaixão

Sabrina dedicou sua vida a ajudar muitas mulheres que foram abusadas e que vivem
escondidas, porque ameaçadas de morte. Ela mesma foi vítima de abuso sexual quando
tinha quatro anos de idade. Ela agiu por compaixão.

As redes sociais permitiram que as conexões interpessoais aumentassem consideravelmente e isso é bom. Com isso, se democratizou a informação e agora as pessoas podem, inclusive, opinar e ajudar uma eleição para a presidência do Senado, em tempo real. Mas é preciso maior reflexão, maior cuidado com o que se lê, maior cuidado com o que se compartilha.

Que a morte de Sabrina nos sirva de reflexão sobre como devemos entender a vida,
respeitando as mulheres, respeitando os homossexuais, respeitando quem pensa
diferente. Sem agressões e com mais compaixão.


André Gomyde é presidente do Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e
Sustentáveis, mestre em administração pela Florida Christian University, colunista das revistas eletrônicas ES Brasil e Blog da Ema, de Brasília, e autor de livros.

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