Estados Inteligentes

Há soluções para trazer retorno imediato à sociedade e ganhos políticos aos gestores. Mas precisam estar aliadas ao desenvolvimento das infraestruturas tecnológicas locais.

Estados Inteligentes começam a nascer e já têm boas notícias para a perspectiva do desenvolvimento econômico de nossas cidades. A Semana de Inovação promovida pelo Ministério do Planejamento traz uma mesa de debates chamada “Estados e Cidades Inteligentes”. O Governador Eleito do Distrito Federal anuncia como um de seus principais programas o de Cidade Inteligente. E a entrevista do Governador eleito Ratinho Junior ao Valor Econômico.

A compreensão do Governo Federal de que é fundamental apoiar e articular estados e municípios para que os governos utilizem a tecnologia para prestar melhores serviços à população e para que se consiga montar estratégias adequadas para a implantação de infraestrutura tecnológica nas cidades é importante para reformular nossos modelos de desenvolvimento econômico, que não podem mais ficar baseados apenas na indústria tradicional e no agronegócio, importantes, mas muito baseados em “commodities” e exportadores de matéria prima, sem agregação de valor.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o Governador eleito do Paraná, Ratinho Junior, sinaliza que aquele Estado não mais exportará carne, mas bacon, e não mais exportará soja, mas shoyu, numa clara alusão de que se utilizará das inovações tecnológicas para agregar valor à cadeia produtiva de alimentos, forte motor da economia paranaense.

De outra sorte, o Governador eleito do Distrito Federal, Ibaneis, também anunciou que dará um novo dinamismo econômico na capital do País, compreendendo que existe em Brasília uma forte vocação para a prestação de serviços em “e-Government” (Governo Eletrônico) e começará transformando o DF em Distrito Inteligente. Brasília tem um dos parques tecnológicos mais bem pensados do País, o BIOTIC, com vocação para pesquisa no setor agropecuário, na biotecnologia, e no setor de tecnologias da informação e de comunicações, e pode ser a grande âncora desse importante programa.

Aí está uma excelente oportunidade para o Governo Federal iniciar seus trabalhos de fomento à inovação com os estados, podendo estabelecer e coordenar uma parceria entre Paraná e o Distrito Federal. Os desejos dos dois governadores são complementares. A parceria pode se estender a todos os estados que queiram ou que já estejam seguindo esse caminho.

Estados Inteligentes

Estas ideias são importantes para dinamizar a economia e para gerar novos negócios para diversos setores, inclusive no setor jurídico, gerando novos postos de trabalho e renda.

No entanto, é preciso tomar cuidado com a improvisação. Muitos aventureiros aparecem nestas horas com soluções mirabolantes que os fazem ganhar credibilidade ou muito dinheiro. Mas, ao longo do tempo essas soluções não se sustentam. Deixam governos com problemas futuros e a sociedade sem os ganhos que pode e deve ter com projetos tão importantes para seu desenvolvimento.

Existem instituições no Brasil, tais como a Escola Politécnica da USP, a Fundação Ezute, o Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis, o Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos, dentre outras, com o apoio do BNDES e do Plano Nacional de IoT (Internet das Coisas), que pesquisam e desenvolvem estratégias desde o ano de 2013. Instituições que podem dar apoio correto ao poder público nos estados, cujos gestores desejam seguir o caminho dos governos inteligentes. Desejam estimular suas cidades para que também sejam inteligentes, humanas, criativas e sustentáveis. Aliar-se a essas instituições é a garantia de desenvolver projetos eficientes e eficazes.

Existem soluções desenvolvidas que podem trazer retorno imediato à sociedade e ganhos políticos aos gestores. Mas, precisam estar aliadas, também, a um programa de desenvolvimento das infraestruturas tecnológicas locais, para que as cidades sejam inteligentes, muito mais do que digitais.

Os novos governos podem criar fundos específicos de fomento à elaboração desses programas, com a participação da União, sem burocracia, apoio do Congresso e do Judiciário. Dessa forma, estaremos fazendo na prática a aliança entre os poderes e os entes federativos, como propôs recentemente o Presidente do Supremo Tribunal Federal.

Muito mais do que aliança, estaremos transformando as boas notícias da semana em fatos concretos que desenvolverão nosso País. “Alea Jacta Est”!


André Gomyde é presidente do Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis, mestre em Administração pela Florida Christian University, e membro do júri do World e-Government Awards 2017, na Coreia do Sul.

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