ES Pegunta com Manoel Pimenta

Manoel Pimenta: Presidente do Sindifer (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo) e vice-presidente da Findes (Federação das Indústrias do Espírito Santo) fala sobre o que é necessário para o crescimento das empresas do setor metalmecânico capixaba.

Qual o cenário da produção do setor metalmecânico no Espírito Santo? É a mesma realidade encontrada no restante do país?
A produção do setor está abaixo de sua capacidade instalada, acompanhando o desempenho da indústria como um todo. Não tivemos uma queda de produção expressiva, pois a indústria metalúrgica capixaba diversificou-se bastante nos últimos anos. Além disso, o setor de montagens mostrou-se bastante vigoroso, uma vez que os grandes investimentos no país, mais especificamente, no segmento de papel e celulose, foram realizados por nossas empresas, hoje consideradas as melhores e mais competitivas nessa área.

Quais os principais desafios do setor? São os mesmos dos últimos dois anos?
A ampliação da participação no setor de petróleo e gás e a produção de itens de maior valor agregado. Neste momento, algumas empresas têm investido no desenvolvimento de novos produtos que em breve estarão atendendo todo o território brasileiro e com potencial para exportação. É a inovação transformando a indústria metalúrgica capixaba.

Como minimizar o grau de dependência da economia capixaba em relação às commodities?
Apesar de nossa indústria ter se diversificado bastante e reduzido o grau de dependência em relação às produtoras de commodities, é bom lembrar que não estamos interessados em diminuir a participação nesse segmento, até porque muitas de nossas empresas se especializaram em contratos de manutenção. Queremos, sim, ampliar oportunidades para outros segmentos. Interessante registrar que hoje não se discute mais a competência das empresas capixabas em fabricações e montagens de grandes plantas industriais. Além disso, a Operação Lava Jato tem levado o impedimento de algumas empresas nacionais a participarem de licitações públicas, proporcionando novas oportunidades.

A interiorização do desenvolvimento no Estado continua sendo uma necessidade?
A interiorização é uma necessidade do Estado, visto que o desenvolvimento deve ser levado a toda a sociedade. No entanto, os benefícios fiscais da Sudene estão atraindo muitas empresas para o Norte capixaba. Em relação ao Sul, temos um grupo de empresas que se especializou em fabricação de equipamentos para o setor de mármore e granito com qualidade de nível internacional. Essas empresas também têm procurado desenvolver produtos para a área de petróleo e gás. Torcemos para que a Ferrovia 118 saia do papel e ajude ainda mais o desenvolvimento do Sul do Estado. Defendemos ainda que essa região seja contemplada com um polo de inovação, a exemplo de São Catarina, Paraná e Pernambuco e outros estados, como forma de incentivo à criação de novas empresas de base tecnológica que possam gerar produtos e empregos de valor agregado. Quem sabe algum município se habilite usar os royalties para esse fim?

Como avalia a qualificação da mão de obra local?
Nosso Estado não fica nada a dever em relação aos outros no que diz respeito à qualificação profissional. Um ponto que precisa ser trabalhado é o ensino de língua estrangeira, pois, segundo pesquisa recente, apenas 3% dos trabalhadores capixabas da indústria metalúrgica falam inglês. Em alguns estados, esse percentual chega a 10%. É um desafio que temos pela frente. Em relação à formação básica, temos as mesmas limitações que todos os trabalhadores brasileiros têm, que é a baixa qualidade da educação brasileira.

A oferta de cursos profissionalizantes atende à demanda das indústrias capixabas do setor?
Hoje temos muitos cursos à disposição, e sobram vagas nas escolas. Acredito que em breve teremos o retorno do Pronatec, que permitirá a inclusão de mais alunos em cursos técnicos. Temos aqui um grande desafio, que é melhorar a qualidade do ensino.

Qual a importância da inovação para o setor?
O assunto inovação é o de maior destaque em nosso setor. Sabemos que sem produtos e serviços inovadores ficaremos sem espaço para crescimento. Existem empresas capixabas produzindo equipamentos até para a indústria aeronáutica, demonstrando assim nossa capacidade de inovação.

Como o sindicato tem agido para auxiliar as empresas do setor a enfrentar a crise?
Muito tem sido feito por nosso sindicato para o enfrentamento desta crise que já era anunciada. Além de capacitação gerencial constante, apoio às demandas trabalhistas e incentivo aos eventos de negócios, temos promovido ações que visam à manutenção e à ampliação das oportunidades para as indústrias locais nas obras dos grandes complexos.

Quanto a paralisação das atividades de mineração tem afetado o setor metalmecânico?
Com a paralisação da Samarco, cerca de 1.200 empregos diretos já foram cortados e as perspectivas de recuperação dessas vagas não são de curto prazo. Estamos fazendo um grande movimento com empresas e entidades do Sul do Estado para o retorno breve da Samarco, pois não se pode abrir mão de uma empresa que gera tantos empregos, rendas e oportunidades à população capixaba, principalmente para a região Sul. Acreditamos que o trabalho de recuperação dos danos ambientais deve ser em paralelo com o retorno das atividades. Pelo que acompanhamos e conhecemos da Samarco, bem como a seriedade na condução dos negócios de seus acionistas (Vale e BHP), a empresa tem condições de, em médio prazo, restabelecer as condições da segurança para retomada das operações.

Qual sua avaliação acerca da ação do Sindifer nos últimos três anos?
O que precisa avançar ainda em termos de organização sindical?
O Sindifer hoje tem um nível de associação que supera em 50% o número de indústrias do setor. Esse deve ser um dos maiores níveis de associativismo do país. Isso se deve a uma participação ativa do grupo de diretores, que desempenha de forma brilhante seu papel no setor. São todos voluntários que dedicam boa parte de seu tempo em prol do desenvolvimento do Espírito Santo.

E quais os seus próximos desafios profissionais?
Assim como para a grande maioria, nosso desafio é ampliar o leque de clientes dentro e fora do Estado, trabalhando com foco em segurança e produtividade, ética e responsabilidade socioambiental. Com relação ao Sindifer, termino meu mandato no dia 22 de agosto, quando passarei a gestão ao empresário Lucio Dalla Bernadina, a quem desejo sucesso desde já. Como desafio profissional, estarei até o fim do ano realizando o lançamento de uma nova indústria química no Espírito Santo junto com mais dois empresários.

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