ES Brasil entrevista Fernando Bandeira, do Sebrae

Gerente de Marketing do Sebrae Nacional fala sobre a importância do pequeno negócio para a economia local

* Por Yasmin Vilhena

Em uma iniciativa inédita, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançou, no dia 05 de agosto, o “Compre do Pequeno Negócio”, um movimento para estimular a sociedade a consumir produtos e serviços fornecidos por micro e pequenas empresas. No ESB Pergunta deste mês, o gerente de Marketing do Sebrae Nacional, Fernando Bandeira, explica como o movimento foi estruturado e destaca a importância do setor para a economia do país, que responde por mais de 17 milhões de vagas de emprego.

Qual a importância dos pequenos negócios para a economia brasileira?

Os pequenos negócios representam cerca de 95% do universo empresarial brasileiro. São mais de 10 milhões, entre micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais, além de 4,2 milhões de pequenas propriedades rurais. Em termos de faturamento anual, o MEI fatura até R$ 60 mil, as microempresas faturam até R$ 360 mil e as pequenas empresas e os pequenos produtores rurais faturam anualmente até 3,6 milhões. Juntos, os pequenos negócios produzem 27% do Produto Interno Bruto e respondem por 52% dos empregos com carteira assinada, somando mais de 17 milhões postos de trabalho.

Que ações serão desenvolvidas para incentivar o consumo nos “pequenos”?

O Movimento Compre do Pequeno Negócio busca primeiramente mostrar para a sociedade a importância dos pequenos na geração de emprego e melhor distribuição de renda no país. Nós sabemos que eles são fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico, mas é preciso que o consumidor também saiba disso. O site www.compredopequeno.com.br enumera cinco razões para comprar dos pequenos negócios: 1) É perto da sua casa; 2) É responsável por 52% dos empregos formais; 3) O dinheiro fica no seu bairro; 4) O pequeno negócio desenvolve a comunidade; 5) Comprar do pequeno negócio é um ato transformador que beneficia a todos.

O que irá acontecer especificamente no dia 05 de outubro?

O Movimento Compre do Pequeno Negócio estabeleceu o dia 05 de Outubro como data oficial, por se tratar do dia em que foi instituído o Estatuto da Micro e Pequena Empresa. Nos meses de agosto e setembro, o Sebrae e os parceiros do Movimento estarão empenhados em realizar ações de divulgação, de sensibilização dos empresários, de capacitação dos empreendedores e de preparação das empresas. Na data que marca o Movimento, a intenção é que os donos de pequenos negócios permaneçam nas empresas e se dediquem integralmente ao cliente, implementando estratégias próprias que possam surpreender o consumidor.

Haverá a semana de capacitações em todo o Brasil, de 21 a 26 de setembro, para preparar os empresários para o dia 05 de outubro. Como será?

O Sebrae vai concentrar esforços em áreas prioritárias, como Moda e Acessórios, Beleza, Construção Civil, Autopeças, Bares e Restaurantes, Turismo, Mercadinhos e Produção Rural. Durante uma semana, de 21 a 26 de setembro, os empresários serão qualificados sobre cinco temas principais: vendas, finanças, mídias sociais, inovação e sustentabilidade. É preciso que o empreendedor saiba que, embora não possa controlar os fatores externos, ele pode adotar estratégias para criar um ambiente mais favorável para o consumo e influenciar positivamente os resultados das vendas.

Haverá integração com outros projetos já existentes no Sebrae?  

Esse Movimento é inédito no Brasil e conta com ações de todas as áreas do Sistema Sebrae, especialmente as que lidam diretamente com os pequenos negócios dos setores de comércio, serviços e agronegócio. Vale dizer que a atuação integrada é importante não apenas no âmbito do Sebrae. É imprescindível o engajamento dos próprios empresários de micro e pequenas empresas, dos microempreendedores individuais e dos donos de pequenos negócios rurais.

Qual o impacto da crise econômica na sobrevivência das micro e pequenas empresas? A taxa de mortalidade entre as MPEs aumentou? 

Não há dúvida de que o clima econômico deste ano está afetando os pequenos negócios, porque esse segmento não é uma ilha. No entanto, há dados que nos fazem crer que o impacto não é tão prejudicial ao crescimento do empreendedorismo. Prova disso é a marca de 5 milhões de Microempreendedores Individuais alcançada no último mês de junho e o próprio Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho que mostra que o desemprego está menor nas pequenas do que nas grandes empresas. Até junho desse ano, os pequenos negócios geraram 90 mil novas vagas formais de emprego.

A formalização do negócio pode ser um bom começo para aqueles que desejam passar pela crise de maneira segura. Quais os benefícios para quem sai da informalidade?

A formalização beneficia tantos os ofertantes de produtos ou serviços quanto os compradores. Dá mais segurança e clareza nas negociações, além de benefícios previdenciários, como aposentadoria e salário-maternidade. Ao se formalizar, o microempreendedor individual passa a ter um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Ele deixa a informalidade e se torna empresário, ganha uma cidadania empresarial. Isso permite que ele emita nota fiscal e, consequentemente, isso traz maior segurança. Com um CNPJ, o empreendedor pode também participar de licitações públicas, tem acesso mais fácil a empréstimos, pode fazer vendas por meio de máquinas de cartão de crédito, entre outros benefícios. Ele também se torna um segurado da Previdência Social e tem direito a aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.

Como o Sebrae busca trabalhar com as MPEs em momentos de instabilidade econômica? É feito algum trabalho diferenciado?

Independente do cenário econômico e financeiro, a missão do Sebrae é fomentar o empreendedorismo e preparar, por meio da capacitação, o empresário brasileiro para entrar ou se desenvolver no mercado. É evidente que esse ano está mais difícil, a economia está enfraquecida e o consumo diminuiu, mas acreditamos que esse é o momento de assumir uma postura empreendedora, buscar a inovação, identificar novos nichos, agregar valor ao produto ou ao serviço que é oferecido. O papel do Sebrae é fundamental nesse contexto para ajudar o empresário a obter um diferencial competitivo. Por isso, estamos sempre perto dos donos de pequenos negócios, oferecendo cursos, palestras, seminários, oficinas, à distância ou presencial. 

 

 
A matéria acima é uma republicação da Revista ES Brasil. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.  
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